Isabel Vasconcellos

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Revista UpPharma, Junho 2010: (texto abaixo)

Cinquentona e Libertária

A pílula anticoncepcional se torna, em 2010, uma bem sucedida cinquentona. Mas o que pouca gente comemora, como, aliás, sempre acontece com quase tudo na vida, são as suas origens.

É verdade que o advento do contraceptivo oral foi um dos maiores, senão o maior, pilar no edifício da libertação feminina, construído tijolo a tijolo na história ocidental dos últimos dois séculos. Graças à “pílula”, como passou a ser simplesmente chamado o revolucionário medicamento, o fantasma da gravidez indesejada deixou de ir para a cama junto com os casais, liberando a mulher para o prazer sexual sem medos e preocupações.

Ao longo dessas suas cinco décadas de existência, a pílula passou por grandes transformações. Acusada num primeiro momento de causar problemas circulatórios e ganho de peso, ela foi se reformulando e aparecendo com doses cada vez mais baixas de hormônios e mais altas em eficácia. Ganhou também alguns efeitos colaterais simplesmente maravilhosos: dependendo da formulação de cada tipo ou marca, além de impedir a ovulação e a consequente gravidez, ela pode minimizar problemas como acne ou TPM, melhorando a pele, os cabelos e o humor das consumidoras.

Hoje são quase uma centena de opções no mercado e ela se tornou o método contraceptivo preferido das brasileiras.

Não é mais “a pílula”, mas sim “a pílula certa”, adequada para cada mulher, para cada fase da vida reprodutiva feminina. Cabe aos médicos saber escolher, com sua paciente, quais são a dosagem, a marca e a formulação da pílula ideal para ela.

Maravilhosos tempos modernos – suspirariam Margaret Sanger e Katharine MacCormick, as duas senhoras nascidas no terço final do século XIX e cujo sonho era chegar aqui, exatamente aqui, onde estamos hoje, em termos de contracepção.

Margaret era uma enfermeira novaiorquina que, há cem anos passados, teve que se exilar na Inglaterra para escapar da prisão em seu país. Seu crime: divulgar as poucas opções contraceptivas que existiam naquela época. Foi acusada e condenada – juntamente com o gráfico que ousou imprimir seus panfletos porque já estava cansado de ver sua mulher carregar barrigas indesejadas – por difundir informações pornográficas.

De volta do exílio, escapou da prisão porque a primeira dama americana, Sra. Woodrow Wilson, telefonou para o promotor e pediu o arquivamento do processo contra Margaret. A mulher de posição política mais importante dos Estados Unidos fora conquistada pelas idéias da Sra. Sanger.

Em 1916, Margaret Sanger fundou a primeira clínica de planejamento familiar do planeta.

“Nenhuma mulher será verdadeiramente livre enquanto não mandar no seu próprio corpo” – dizia ela.

Lutadora e ativista política, em algum momento de sua trajetória, seu caminho se encontrou com o de Katharine MacCormick. 

Katharine pertencia como Margaret, também à elite americana, mas era muito mais rica que a amiga. Sua fortuna herdada da mãe fora multiplicada por cinco com a morte do marido.  Sua condição mais interessante, porém foi a de mulher pioneira na ciência: bióloga, chegou a ser responsável pelo estabelecimento do instituto de pesquisas de neurociências na famosa universidade de Harvard, no final dos anos 1930.

Nos anos 1920 começou a trabalhar com Margaret Sanger e, sempre na procura de um método contraceptivo eficaz, contrabandeou diafragmas europeus para os Estados Unidos.

A idéia da contracepção sempre encontrou, em nossa sociedade, grande resistência por parte das mentalidades mais conservadoras, por isso mulheres como Sanger ou McCormick precisavam de coragem para enfrentar os preconceitos. Tornaram-se – era inevitável – sufragistas, partindo para a luta por direitos iguais para homens e mulheres.

Em 1953, quando McCormick já beirava os oitenta anos de idade, Margaret Sanger apresentou a ela o Dr.Gregory Goodwin Pincus, que estava trabalhando no desenvolvimento de um método hormonal de controle da natalidade. Foi ela quem financiou a continuidade das pesquisas de Pincus, tendo investido alguns milhões de dólares na empreitada. Pincus convidou então o Dr.John Rock para conduzir os testes em humanos.

O FDA americano (Food and Drug Administration) aprovou, em 1957, a venda da pílula para controle dos distúrbios menstruais, mas só em 1960 permitiu a sua comercialização como método anticoncepcional.

Daí em diante, a pílula ganhou o mundo e uniu-se às grandes mudanças sociais pelas quais lutava a geração jovem da década mais revolucionária do século XX. Afinal, poder controlar a natalidade – e o consequente direito ao prazer sexual -- era uma das antigas reivindicações das mulheres no rol dos direitos a serem conquistados.

 Margaret Sanger e Katharine McCormick morreram respectivamente em 1966 e 1967, ambas com mais de 90 anos de idade e tendo tido a alegria de ver o método contraceptivo, pelo qual elas tanto haviam lutado, conquistando a adesão das mulheres do mundo.

 

Revista Aimé, Maio 2010:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Revista UpPharma, abril 2010:

 

 

 

 

 

 

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Revista 7 Dias, fevereiro 2010, 02:

 

 

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Revista Aimé, dezembro 2009:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Revista UpPharma, setembro 2009

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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