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Terrorismo, TV e Nostalgia
por Ronaldo Alvan

 

(Nam June Paik, 1990, Vênus)

 
 

Este mundo está ficando cada vez mais quadrado e chato.

As únicas novidades que se vê são os números de atentados e assassinatos políticos que acontecem por aí.
Ontem foram dois atentados na Argentina. Hoje são duas vezes dois, amanhã serão três vezes, etc... Doze explosões ao mesmo tempo em New York, Chicago em Boston, etcs., provando que os caras, além de atrevidos, estão equipados com relógios precisos destes que só os bons capitalistas podem possuir.

Ainda bem que no Brasil não tem destas coisas, e quando alguém morre na prisão é por suicídio com escoriações generalizadas.

Duas geniais: o editorial do Jornal da Tarde sobre canal de TV dado ao Senor Abravanel, vulgo S.S.., o do Baú. Duas tiradas do dito editorial:
 

 

"Se o Governo quer elevar o nível cultural da TV brasileira, por que dar uma concessão a um cidadão que mediante a resposta de um candidato que, em seu programa, respondeu “Rússia” a uma pergunta qualquer que lhe tinha sido feita, o dito SS. disse: “Está errado, a minha ficha diz URSS”... E a segunda tirada no finalzinho do editorial, textualmente: "Cada governo tem o Silvio Santos que merece". E mais uma vez digo: Vivam os Mesquitas!.
 

A segunda genial é a que corre por aqui: “O Petróleo é nosso, a Petrobrás é que não é.”!".

Às vezes sou assolado por uma onda de nostalgia. Talvez seja a moda ou onda do momento. Mas a verdade é que este programa da Globo 25 anos de TV e mais um quadro no Fantástico sobre a Atlântida talvez tenham contribuído para tal.

 

Descobri que sob muitos aspectos as tais chanchadas eram bem melhores que os super musicais da Metro da mesma época. Aos segundos sobrava apenas o que faltavam aos primeiros: dólares! E o brasileiro nunca deu muito valor ao que é seu.
 

Nesta onda de nostalgia tem me vindo a memória o Jardim da Aclimação, o vovô, a bala de goma, a segunda guerra mundial, e para completar a minha Variant, novinha, às vezes me lembra o velho Renault dos anos 1950, que quando eu apertava a buzina mudava de emissora o rádio, e quando eu passava da segunda para a terceira esguichava água no para-brisa.

O mundo está ficando cada vez mais quadrado e chato.

 

Salvador, 28 de Outubro de 1975.