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Mulheres Maravilhosas |
Nesta página, as mulheres maravilhosas que conheci pelo meu trabalho na TV.
Amigas Íntimas que a TV me Deu
(é claro que fiz muitos amigos e amigas na TV; mas estas amigas são aquelas que realmente ficaram mais íntimas)
Já
nem me lembro mais quem me apresentou a ela, ou como foi, pela primeira vez,
convidada de um programa meu. Sei que foi em 1994, logo depois da estréia da
Rede Mulher de TV, que eu recebi essa médica baiana arretada e genial no meu
programa Condição de Mulher:
Dra. Tânia das Graças Santana.
Ela participou apenas algumas vezes e meu irmão Alvan (que era diretor do programa) já me disse para convidá-la para ser "fixa" no programa, participando uma vez por semana.
Defensora ferrenha da mulher, Tânia me ensinou muita coisa sobre as questões (médicas, sociais, culturais e políticas) que envolvem a Saúde Feminina. Ao longo dos anos, fomos ficando amigas.
Tânia lutou muito dentro da saúde pública, contra o preconceito e o anacronismo, para instalar seu ambulatório de sexologia na Hospital Pérola Byington. Este ano, ela completou 35 anos de formada e 60 de vida. Fomos ao aniversário dela. Estava linda, como sempre, ela e a festa.
Fátima Turci
apresenta, todas as tardes na Record News, o seu programa Economia&Negócios.
Foi minha colega, de 1999 a 2006, na Rede Mulher de Televisão e dividíamos o camarim.
Em todos estes anos trabalhando na mesma casa, Fátima e eu acabamos ficando muito amigas e esta amizade é um grande orgulho para mim.
(foto de Fabio Bertolozzi)

Em 2001, eu estava em Campos de Jordão com o Caetano, meu marido, para passar o final de ano. Hospedados no Hotel Orotur, íamos todas as noites ao bar do hotel ouvir o maestro Julio Cesar Figueiredo tocar e cantar. Estávamos lá quando essa senhora aí da foto se aproximou de mim e disse:
- Isabel! Eu tinha certeza que ia ter conhecer pessoalmente! Eu sou a Leda Cunha, telespectadora que sempre participa do teu programa fazendo perguntas.
Foi assim que começou uma grande amizade entre a Leda, seu marido Milton e nós.
Ficamos todos tão próximos que é na casa deles que, atualmente, Caetano e eu almoçamos no dia de Natal.
Adriana e Alessandra Mazzoni
Um dia o Caetano, meu marido, me disse: "Você precisa levar as minhas dentistas ao seu programa". Ele as conhecera porque tinham consultório pertinho da empresa onde ele trabalhava. São duas irmãs dentistas: Adriana (foto à direita) e Alessandra Mazzoni. (foto à esquerda)
Ambas,
por coincidência (mas coincidências não existem) haviam sido discípulas daquele
que era meu dentistas desde que eu tinha 9 ou 10 anos de idade: Dr. Sérvio Túlio
Negrão.
Bom, eu respondi, se elas foram discípulas do Negrão, devem ser ótimas.
E as convidei. Isso foi em 2002.
De lá para vá, Adriana e Alessandra passaram a ser figuras obrigatórias nos meus programas de TV. Porque elas conquistaram isso. Com sua competência, com sua simpatia, com sua facilidade de comunicação. Muita gente pensa que são gêmeas, mas não são.
Nesses
anos de convivência, as duas irmãs conquistaram não só o meu público, mas,
principalmente, o meu coração.
Alessandra é mais reservada.
Adriana transborda carinho.
Mas, as duas irmãs, a quem eu passei, com o tempo, a chamar de "as minhas meninas", se tornaram muito, muito minhas amigas, muito queridas, muito amadas. Adriana até me substituiu, neste ano, algumas vezes na apresentação do Só Saúde, quando meu marido esteve doente e precisou mais da minha dedicação.
As minhas meninas são lindas, competentes, generosas, muito humanas, muito bem educadas... são pessoas especiais, um dos meus privilégios nesta vida é a convivência com elas.
Alessandra tem uma carreira acadêmica, é esforçada. Adriana divide seu tempo com o palco, como atriz de teatro. E é uma ótima atriz.
Sou uns 20 anos mais velha que elas. Por isso as chamo de meninas. É o meu jeito de explicitar o enorme carinho que elas geraram em mim. E quando eu digo "as meninas", quem me conhece bem sabe de quem eu estou falando...

Esta simpatia aí da foto é a minha amiga Raquel Biorke.
Nós nunca nos vimos pessoalmente.
Ela mora em Campinas e ainda não tivemos a oportunidade de nos encontrarmos.
Raquel, porém, era presença constante em meus programas Saúde Feminina da Rede Mulher de TV, através da perguntas que fazia aos médicos convidados, por telefone. E é presença constante também hoje através do chat da ALL TV em meu programa Só Saúde.
Raquel trabalhou muito, em janeiro de 2006, pela minha eleição de melhor jornalista da Internet e eu lhe sou muito grata por isso e também pelo enorme carinho que se criou entre nós.
A super gata aí ao lado é a Norma Portal.
Norma mora em Lisboa e nos conhecemos em agosto de 2007, através do chat da ALL TV.
Mas já estamos desconfiadas, nós duas, que nos conhecemos mesmo há muito, muito mais tempo, de outras vidas, tal é a nossa afinidade.
Norma
já me prestou várias e comoventes homenagens. Criou um lindo vídeo sobre mim e
colocou no Youtube, mandou presentes e discos maravilhosos de fado, que eu amo.
Ela é fera no computador e faz montagens de imagens muito lindas.
Nos falamos sempre por telefone e por e-mail.
Clique na montagem à direita para ver o vídeo.
Telespectadoras muito queridas:

Tem também as telespectadoras que estão sempre prestigiando a gente, sempre enviando mensagens de apoio e de amizade. Aqui, duas delas:
Sonia Mine, à esquerda e
Vera Camolesi, à direita.
Cássia de Araújo Cordeiro (foto à esquerda) é uma telespectadora muito querida e que me ajudou muito na campanha para me eleger a melhor jornalista da Internet.
Ela esteve nos estúdios da All TV para que pudessemos nos conhecer pessoalmente. A foto foi feita lá.
Algumas Mulheres Maravilhosas que conheci na TV:
Minha atividade na TV me proporcionou a alegria e o privilégio de conhecer algumas mulheres realmente maravilhosas. Algumas famosas, outras atuando nos bastidores, mas todas sensacionais. Em breve, elas estarão todas aqui nesta página. Mas já vou contando quem são algumas delas: Alda Marco Antonio, Cristina Jatene, Maria Alice Maluf, Mona Zen,
Maria Aparecida de Laia,
Zulaiê Cobra Ribeiro, Ligia Kogos, Angelita Gama... e mais.
Dra. Albertina Duarte
Conheci a Dra.Albertina em 1985, quando reuni lideranças feministas (e femininas, como queriam alguns grupos) para estruturar o meu programa Condição de Mulher, que estreou na TV Gazeta no dia 8 de dezembro daquele ano.
Foram as mulheres dos movimentos que me apresentaram a aquela médica que, como todas diziam, lutava pela visão integral da saúde da mulher na Medicina. Isso viria a se chamar "atenção integral à saúde da mulher" e seria objeto de muita briga por médicos ilustres como o Dr. José Aristodemo Pinotti. Naquele tempo, há mais de duas décadas, a mulher, para os médicos, era pouco mais que um útero e só se pensava na saúde feminina como sinônimo de maternidade sadia.
Albertina, em 1985, tinha 12 anos de
formada, já trabalhava no HC e já era conhecida por suas posições progressistas.
Como ainda vivíamos com a sombra da ditadura militar, para muita gente, ser
progressista era ser perigoso e, ao mesmo tempo, corajoso.
Em todos esses anos, Albertina foi ficando conhecida, apareceu bastante na mídia, publicou vários livros e participou de inúmeros encontros e eventos feministas.
Quem convive com ela sabe que o telefone pode tocar no meio da madrugada. Pra ela, a madrugada foi feita para atender trabalhadoras no seu consultório de ginecologia. O dia, para dar expediente normal no HC, onde realiza um maravilhoso trabalho com adolescentes.
Neste ano de 2007, na Secretaria de Estado da Saúde, Albertina inventou a Balada da Saúde.
O evento acontece às segundas feiras e é mesmo uma balada, com Djs, rock e também atendimentos ginecológicos, psicológicos, além de palestras e grupos de discussão.
Albertina é um exemplo do médico dos nossos sonhos: alguém que cuida do nosso corpo e da nossa alma, ao mesmo tempo. Alguém compreendendo que a emoção também é química e que o contexto social onde nos inserimos muitas vezes é o responsável pelas nossas queixas físicas. Albertina trabalha por um mundo melhor.
Elis Regina
Tive o
privilégio de conhecer Elis Regina pessoalmente, em 1973, quando ela foi gravar
um especial na TV Globo Bahia, onde meu irmão Alvan era responsável pela
programação e eu, por coincidência, estava passando minhas férias lá em
Salvador. Fiquei quietinha, no fundo do estúdio, admirando o trabalho dela e
surpresa com os muitos cigarros que ela fumava. Naquele tempo ninguém tinha nada
contra os cigarros, mas eu imaginava que eles poderiam prejudicar aquela voz
maravilhosa.
Elis é uma das maiores cantoras do século XX. Para mim, é a maior. Muita gente pode achar que é a Piaf, ou a Ella Fitzgerald, ou a Kiri Te Kanawa, ou a minha também querida Dinah Washington. Gosto de Gal, de Bethânia, de Nara, de Nana Caymmi. Mas, me perdoem, pra mim, ninguém, ninguém mesmo pode se igualar à voz e à interpretação de Elis.
Quando,
há 4 anos passados, ouvi pela primeira vez a Maria Rita, filha de Elis,
cantando, chorei como criança. Maria Rita tem a voz da mãe, por um milagre da
genética.
Mas
a genética não faz tudo e, embora eu goste muito das interpretações de Maria
Rita... As de Elis são únicas e, todas, maravilhosas.
Elis
morreu dia 19 de janeiro de 1982, às 10 horas da manhã. Às 10 e meia, eu já
sabia. Eu era redatora numa agência de publicidade e, naquele tempo, a gente nem
tinha computador. Por isso os papéis que passavam pela minha máquina de
escrever, naquele dia, saíam todos molhados pelas minhas lágrimas.
Elis era uma pessoa difícil, de temperamento explosivo, às vezes beirando a grosseria. Mas e daí? O que é um temperamento difícil diante da genialidade, da capacidade de cantar e interpretar como mais ninguém?
Ela
nasceu em Porto Alegre, em 17 de março de 1945.
Com apenas 11 anos de idade já cantava no “Clube do Guri”, programa da Rádio Farroupilha da sua cidade.
Com 14
anos assinou seu primeiro contrato profissional na Rádio Gaúcha. Com 15, gravou
seu primeiro disco: um compacto simples (pra quem não sabe, compacto era um
vinil um pouco maiorzinho que um CD e tinha uma música de cada lado). O primeiro
LP (vinil
grandão,
com média de 12 músicas) aconteceu aos 16, em 1961. Chamava-se Viva a
Brotolândia e a gravadora Continental queria fazer dela a rival de Celly
Campello. Mas a praia da Elis seria bem outra.
Em 1964, Elis desembarca no Rio de Janeiro, acompanhada do pai, para tentar a carreira profissional que ela merecia e acabou tendo.
Logo
assinou contrato com a TV Rio e participava do programa Noites de Gala, ao lado
de outros estreantes como Simonal, Jorge Benjor e Trio Iraquitan. Pelas mãos do
baterista Dom Um Romão, vai parar no Beco das Garrafas, fazendo shows que até
hoje são lembrados.
A consagração nacional vem em abril de 1965, quando Elis venceu o Primeiro Festival de Música Brasileira da TV Record. Cantava “Arrastão” de Edu Lobo e Vinícius de Morais.
Daí
para a frente, só sucesso.
Ainda em 65, começa sua parceria com Jair Rodrigues e a dupla ganha um programa de TV inesquecível: “O Fino da Bossa”.
Vieram os discos, vieram os festivais, vieram as apresentações internacionais, sucesso na França e em Portugal.
Elis
virou a cantora número 1 do Brasil.
Nas gravadoras, impunha, podia impor, pois vendia muito. E, se impondo, lançou novatos que, sem ela, talvez não tivessem grande chance.
Ivan
Lins. Milton Nascimento. Chico Buarque. Gilberto Gil. Caetano Veloso. Todos,
tiveram interpretações inesquecíveis na voz de Elis.
Ela se casou, no fim dos anos 60, com Ronaldo Bôscoli e com ele teve seu primeiro filho: João Marcelo Boscôli, hoje diretor da produtora Trama.
Nos
palcos, teve outros parceiros marcantes, além de Jair Rodrigues. Brilhou ao lado
de Miéle. E, na França, no festival de Montreaux, viveu um dos melhores momentos
de sua vida profissional, aclamada ao lado do genial Hermeto Paschoal. Com Tom
Jobim, em 1974, nos Estados Unidos, gravou um dos melhores discos da MPB, onde
está uma faixa tocada até hoje: “Águas de Março”.
Na
década de 70, gravou todos os compositores importantes da música brasileira.
Antológico também é o programa “Ensaio” que ela gravou para a TV Cultura em 1973, acompanhada, ao piano, por César Camargo Mariano, que seria, mais tarde, o seu segundo marido. Com César, Elis teve dois filhos. Ambos, hoje, cantores: Pedro Mariano e Maria Rita.
Antológicos também os seus dois penúltimos shows: Falso Brilhante e Saudades do Brasil.
A vida
de Elis, ao lado de César e dos filhos, em sua casa em São Paulo, no bairro da
Cantareira, parece ter sido a sua fase mais feliz. Pelo menos ela deixou
transparecer isso em sua entrevista à Marília Gabriela, no programa TV Mulher,
da Rede Globo, programa de estréia em 1980, quando disse que a última coisa que
queria era sair daquela casa.
Dois anos depois, morando num apartamento, separada de César, namorando um advogado, Elis morreria. Supostamente de uma overdose de cocaína, ela, que, no meio artístico, era conhecida por ser “careta” (gíria que classificava quem não usava drogas).
Foi
velada no Teatro Bandeirantes e enterrada com uma camiseta da bandeira
brasileira onde, no lugar de Ordem e Progresso, estava escrito seu nome. Uma
multidão a acompanhou. Uma multidão e as minhas lágrimas. As mesmas que, neste
momento, 26 anos depois de sua morte, ainda inundam meus olhos, quando falo
nela.
A música brasileira nunca mais foi a mesma depois da morte de Elis. Falta, até hoje, quem se disponha a lutar pelos novos compositores, como ela lutou. Falta, até hoje, quem se disponha a sentir a riqueza da nossa música como ela sentiu. E falta a sua maravilhosa interpretação.
Saudades de Elis. Sempre.
Luiza
Erundina
Foi quando eu era jovem, sofria ao ver o Brasil sob a mordaça da ditadura militar, ajudava no que podia, escrevia no jornal sob censura, os amigos eram todos de esquerda, simpatizantes ou militantes e os movimentos de mulheres organizadas começavam a botar a cabeça pra fora. Isso era no meio da década de 1970.
Nessa época comecei a ouvir falar numa nordestina que despontava como liderança política popular e se destacava entre as mulheres. Não podia, então, imaginar que ela seria a primeira mulher eleita para a prefeitura da cidade de São Paulo. Assim como também não podia imaginar que o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, outro nordestino barbudo, seria um dia presidente do país. No comecinho dos anos 1980, o Partido dos Trabalhadores era uma esperança para aqueles que, como eu, acreditavam que fosse possível construir um mundo mais humano e socialmente mais justo. Luiza Erundina encarnava esta esperança.
Ninguém imaginava. Mas meu irmão Alvan, com aquela sua perspicácia e sacação, me disse, um dias antes das urnas: "Bel, a Erundina vai ganhar essa eleição". As pesquisas não confirmavam. Mas ela ganhou. A festa foi aqui, bem debaixo das minhas janelas, na Paulista, com direito à choppinho grátis pra todo mundo.
Mas foi apenas nos anos 1990 que eu a conheci pessoalmente.
Foi numa entrevista, na Rede Mulher de Televisão.
E fiquei muito, muito impressionada com seu carisma, com sua simpatia, com a sua presença marcante, única.
Ela transpira força.
É uma mulher maravilhosa.
Transcrevo aqui uma das entrevistas que fiz com ela, para o site Vote Brasil, em 2006:
A senhora foi a primeira mulher prefeita da maior cidade brasileira. Eu ainda me lembro da festa da sua eleição na Avenida Paulista. Naquele momento a combinação mulher e PT, um partido que alardeava sua postura ética, parecia uma nova esperança. Anos depois, o seu rompimento com O PT já tinha alguma coisa a ver com a crise de hoje?
Olha, Isabel, tinha. Isso já estava gravado no partido, essa cultura dos meios serem justificados pelos fins, o uso do estado para favorecer candidaturas. Então houve um estranhamento meu com o partido, que dizia respeito à minha atitude com relação a essas práticas, eu tinha críticas, era um outro comportamento. Houve estranhamento entre o meu governo e o partido, além de outras diferenças. O partido interferia muito na gestão. Era o PT no governo em vez de ser o governo do PT, e não deveria ser assim. Fomos restritos por essa cultura petista, centralizadora, hegemônica. Nem mesmo os partidos pequenos que nos apoiaram não compuseram o primeiro escalão do governo, e esta era uma atitude autoritária, gerando dificuldade da prefeita em tomar decisões, tudo tinha que ser submetido à executiva municipal; havia um patrulhamento constante, muito conflito. Tudo isso já era um viés daquilo que hoje explica essa crise, a subordinação de uma instituição a outra, do governo ao partido... Esses equívocos já ocorriam naquela época.
Ainda não apareceu nenhuma mulher política envolvida nos atuais escândalos de corrupção. As políticas são mais honestas que os políticos?
Culturalmente pela nossa formação e nossa educação (das mulheres) a expectativa é mais rigorosa, sobretudo em se tratando de função publica, e até por sermos minoria, cresce a consciência da responsabilidade e do papel social, pois somos essencialmente pedagogas. Não é diferente na política. Quando militamos, conscientemente ou não, temos uma dimensão de educadoras e é muito bom que seja assim. Estamos sub-representadas politicamente: somos menos de 9% na câmara e menos de 10% no senado, mas somos mais de 50% dos eleitores e do povo. Mas esse nosso perfil ético e transparente e de rigor no comportamento, sobretudo no exercício de mandatos, contribui muito para que se perceba a importância da presença das mulheres na vida política.
A impressão que se tem é que as mulheres fogem da vida política e mesmo que votam menos em candidatas mulheres, que os homens é que votam mais em mulheres. Assim, parece natural que sejamos a minoria no poder. A que a senhora atribuiria toda essa situação?
A mulher é mais tímida, tem muita dificuldade de se lançar, os partidos não propiciam tratamento diferenciado às mulheres. Para os partidos é mais cômodo dizer que a mulher não se interessa, já que não lhes dão tratamento privilegiado. O partido, a sociedade e o sistema educacional não nos prepararam para o exercício da política. Da deficiência da nossa educação em relação a isso, vem o viés de preferirmos escolher os homens na hora de votar, pois nós nos subestimamos, até inconscientemente. Quando a mulher escolhe eleger o homem é porque ela própria não se sente preparada para a vida política; ela se compensa psicologicamente dizendo que política é coisa de homem, de oportunistas, de corruptos e isso no fundo nos compensa e vamos deixando para os homens, que não contemplam os nossos interesses. Tanto é que existe a dificuldade que os partidos têm de cumprir as cotas de mulheres. No PSB, propus cota 30% do horário de TV e Rádio e 30% dos recursos do fundo partidário aos órgãos de mulheres, para que possamos nos treinar no uso da mídia. Se eles têm dificuldade de preencher as cotas é porque as mulheres não têm condições objetivas, ainda que algumas possam ter as condições subjetivas. Não têm meios, recursos, espaço na mídia. Era de se supor que um partido socialista fosse sensível a essas bandeiras, enquanto o congresso não aprova essas idéias, era de se esperar uma compreensão dos partidos da esquerda, que pudessem se antecipar. No entanto, fui derrotada até por voto de mulheres teleguiadas pelos homens, derrota que teve o apoio do voto feminino, delegada sob o mando de um homem.
A maioria das parlamentares estão em partidos de esquerda, pois a esquerda nos prepara mais, apesar das limitações. Os partidos de esquerda têm tradição de mais combatividade. Mas mesmo as mulheres vindas dos partidos de direita às vezes nos surpreendem.
Conquistar a nossa auto valorização é tarefa gigantesca. Nós mulheres, nossas organizações, tudo tem importância, a luta pela igualdade de participação, nossa disputa e conquista de poder para garantir os nossos direitos, mudar a cultura política. O fato de nenhuma mulher estar envolvida nos escândalos recentes é uma indicação positiva de que as mulheres se preservaram, demonstra positivamente a nosso favor e precisa ser explorada por nós.
Nenhum partido facilitou a candidatura de mulheres à presidência da Câmara. A bancada feminina ainda não atingiu a maturidade para pleitear isso: mais mulheres em espaço de poder.
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FALE COMIGO: isabel@isabelvasconcellos.com.br |
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