Nesta página breves biografias e fotos das mulheres que marcaram os dias do ano.
09 de Fevereiro
1909, nasceu Carmen Miranda
Carmen
Miranda, a atriz e cantora, foi e ainda é um dos maiores mitos brasileiros,
a primeira e a única—até agora—superstar nacional em Hollywood.
Toda vez que você vê alguém com uma fruteira na cabeça, sapatos de plataforma, todo cheio de balangandans e com os olhos bem pintados, revirando as mãozinhas assim, o que é que você diz? Carmen Miranda.
Mas, além de estrela, Carmen era uma mulher de comportamento moderno e avançado para o tempo em que viveu.
Maria
do Carmo Miranda da Cunha nasceu dia 9 de fevereiro de 1909 em Portugal,
em Marco de Canavezes,
distrito do Porto. Veio para o Brasil com a família quando tinha apenas dez
meses de idade.
Uma de suas irmãs, Olinda, ensinou a ela, ainda criança, o amor pela música e pela costura.
Quando,
em 1925, a família montou uma pensão, administrada pela mãe, Carmen começou
a trabalhar como vendedora e a criar lindos chapéus.
(Outra
famosa que começou uma carreira criando chapéus foi a Coco Chanel. Talvez
Carmen pensasse em ser estilista de moda, em vez de cantora... Na verdade
ela criou os seus próprios trajes, os sapatos– de altíssimos saltos
plataforma— e as bijuterias – chamadas de balangandans— e estes
fizeram escola na moda e foram copiados nos Estados Unidos, no Brasil e na
Europa.)
Foi
em 1928 que ela cantou em público pela primeira vez, numa festa beneficente.
Em 1929, faz enorme sucesso com a gravação da música “Taí”.
Em 1932 já era uma das maiores estrelas brasileiras.
Era
ousada e estava na frente, uma pré-Leila Diniz. Ruy Castro, seu biógrafo,
afirma que ela transava os namorados, numa época em que "mulher direita" não
podia ter sexo, e mesmo assim todo mundo a respeitava.
Absoluto
sucesso nas décadas de 1930 e 40, descoberta então pelo empresário americano
Lee Schubert, foi fazer também sucesso nos Estados Unidos, em Hollywood,
brilhando nas telas de lá depois de ter brilhado aqui nos cassinos, no rádio
(não existia TV) e no cinema nacional.
Com
o acompanhamento do Bando da Lua, conquistando também os americanos, Carmen
virou a “brazilian bombshell”.
Quando, em 1940, ela voltou ao Brasil, a pedido de Darcy Vargas, a irmã do ditador Getúlio Vargas, para uma temporada no Cassino da Urca, os brasileiros torceram o nariz para ela.
É
que, naquele tempo, imperava no país um forte sentimento nacionalista e o
povo daqui achava que o sucesso de Carmem nos EUA era uma ofensa. Hoje
parece muito engraçado e irônico que muitos cantores brasileiros só alcancem
reconhecimento aqui dentro quando fazem sucesso lá fora...
Carmen, em resposta à enxurrada de críticas que recebeu então, cantou “Disseram que Voltei Americanizada”, fazendo dupla com o também famosíssimo ator Grande Otelo. (clique aqui para ouvir)
Continuou
vivendo e trabalhando nos Estados Unidos, convivendo com astros e estrelas
hollywoodianos em sua mansão em Beverly Hills e se tornou a primeira artista
latino americana a imprimir suas mãos na calçada da fama de Hollywood.
Há
quem diga que foi o sucesso americano que fez mal a ela, que a máquina da
indústria cinematográfica a destruiu. Assim como aconteceu com Judy Garland,
foi por incentivo dos estúdios de cinema que ela começou a tomar drogas.
Judy tomava anfetaminas para emagrecer. Carmen, barbitúricos. Como Marilyn
Monroe, chegou a aquele ponto em que tomava calmantes para dormir e
estimulantes para acordar. Além disso, fumava e bebia bem.
Veio
novamente ao Brasil em dezembro de 1954, depois de 14 anos de sua última
estadia aqui. Passou quatro meses em tratamento para dependência quimica,
“internada” numa suite do hotel Copacabana Palace. Voltou para os Estados
Unidos em abril de 1955.
E morreu lá, com apenas 46 anos, depois de participar do programa de TV de Jimmy Durante, no auge do sucesso, em 5 de agosto. Tinha tido um pequeno desmaio no programa, mas cantou e dançou para os amigos, mais tarde, em sua casa. Quando se preparava para dormir, teve um colapso cardíaco. Foi encontrada pela empregada.
Seu corpo voltou para o Brasil e seu enterro, aqui, reuniu tanta gente quanto, um ano antes, reunira o enterro do presidente Getúlio Vargas.
Desta vez o povo não tinha críticas para ela. Só aplausos.
No YouTube tem um vídeo muito lindo da Carmen:
http://www.youtube.com/watch?v=ERYKzez97lA
04 fevereiro
1921, Nasceu Betty Friedan
2006, Morreu Betty Friedan
A
escritora americana Betty Friedan ganhou fama mundial em 1963 quando
publicou o livro A Mística Feminina.
Nessa obra ela denunciava a síndrome da dona-de-casa e seus efeitos no psiquismo das mulheres. Betty reivindicava o direito das mulheres a outras oportunidades na sociedade, onde elas pudessem desenvolver todo o seu potencial como seres humanos.
Nascida
Elizabeth Goldstein em Illinois, nos EUA, em 4 de fevereiro de 1921, ela se
graduou na famosa Smith College, casou-se e se tornou mais uma dona de casa.
Em 1963, aos 42 anos de idade, resolveu botar a boca no mundo e publicou o livro “A Mística Feminina”, onde analisava o papel das mulheres na sociedade. O livro foi um sucesso no mundo inteiro, era tudo o que as mulheres e os homens dos revolucionários anos 60 queriam ouvir. Logo, os conservadores começaram a atacá-la, dizendo que ela era feminista apenas porque era uma mulher muito feia.
São
mais de quatro décadas desde a publicação desse livro que realmente foi
decisivo para a consciência da verdadeira condição em que vivia o então
chamado "sexo frágil".
De lá para cá ninguém pode negar que as mulheres realmente vêm ocupando uma outra posição na sociedade. Mas, naquele tempo, o único destino aceito para a mulher era o de mãe e esposa. Com raras exceções nem sempre bem vistas.
Três
anos depois, Betty fundou a NOW – Organização Nacional das Mulheres, para
lutar pelos direitos femininos. A Now está viva e é atuante até hoje e você
pode saber mais acessando seu site na Internet.
Apesar
de xingada de feia e mal amada, Betty, em seus livros e artigos, sempre
afirmou que as mulheres deviam ser livres e ter direitos iguais na
sociedade, mas sem perder a feminilidade.
“Iguais,
na diferença”, tornou-se um lema para as feministas sérias do mundo.
Betty morreu em 4 de fevereiro de 2006, exatamente no dia em que completava 85 anos de idade.
25 de janeiro
1533, Ana Bolena casa-se com Henrique VIII
Uma
das sete esposas do rei Henrique VIII, da Inglaterra, Ana Bolena, fez tanta
política e tanta intriga para conseguir se casar com o rei e acabou sendo
morta, decapitada, aos 36 anos, vítima também de políticas e intrigas
contrárias a ela. A história, trágica e fascinante, de Ana já rendeu
inúmeras obras: óperas, peças teatrais, romances e mini-série.
Existe
uma espécie de rosa batizada com seu nome e uma indústria de brinquedos
criou a boneca Ana Bolena.
Ana
Bolena, nasceu em 1507, filha de Thomas Boleyn, Conde de Wiltshire e de
Isabel Howard, filha do Duque de Norfolk. Foi educada nos Países Baixos, na
corte de Margarida, Arquiduquesa da Áustria.
Adolescente, foi para a França onde se tornou uma das aias da rainha Cláudia de Valois, mulher de Francisco I.
Aprendeu a falar francês e apaixonou-se pelas regras de etiqueta e da moda, tornando-se uma mulher sofisticada.
Foi
em janeiro de 1522 que Ana, por ordem de seu pai, voltou à Inglaterra para
servir à rainha, Catarina de Aragão, primeira esposa do rei Henrique VIII.
A irmã de Ana, Maria Bolena, era nessa época a amante do rei. Ana, por sua vez, conheceu, na corte, o filho do Conde de Northumberland, Henry Percy, e viveu com ele um romance tórrido. Mas seu pai fez de tudo para impedir o casamento de Ana com Henry e acabou por afastá-la da corte por 3 anos.
Em
1525, Ana estava de volta.
Maria, sua irmã, tivera um filho do rei, mas este, por ser bastardo, jamais poderia herdar o trono.
E o grande problema de Henrique VIII era justamente não ter herdeiros. Com Catarina, sua esposa legítima, tivera uma filha e depois um filho, que morreu ainda criança.
Ana
resolveu seduzir o rei. Mas não pretendia, como aconteceu com sua irmã
Maria, tornar-se apenas mais uma amante oficial. Ela queria o trono. E
Henrique, por outro lado, queria também se ver livre de Catarina do Aragão,
que já estava velha demais para ter filhos e não lhe daria outro herdeiro.
Mas, politicamente, a coisa era bem complicada. Catarina tinha o apoio de
seu irmão, rei da Espanha.
Em 1527, Henrique VIII pediu Ana Bolena em casamento, embora já fosse casado com Catarina.
Ana
negava-se a tornar-se amante do rei e ele começou as negociações para
conseguir a anulação de seu casamento com Catarina. Durante 6 anos o papa
Clemente VII se opôs à anulação.
Mas Henrique não desistiria.
Casou-se em segredo com Ana em 25 de janeiro de 1533, no Palácio de Whitehall, e, quatro meses depois, conseguiu que o Bispo de Catenbury declarasse a anulação de seu casamento com Catarina.
Aí, o rolo estava armado. A desobediência do Bispo ao Papa Clemente VII, e mais um montão de intrigas palacianas e religiosas, fizeram com que a Igreja da Inglaterra se separasse definitivamente da Igreja Católica Romana.
Daí,
Ana Bolena pode ser considerada o pivô do surgimento da Igreja Anglicana.
Mas enquanto o rei Henrique VIII tramava suas brigas com o Papa, o poder de Ana aumentava muito. Ela se tornou influente na diplomacia, graças à sua amizade com o embaixador francês, Monsieur de la Pommeraye, que estava perdidamente apaixonado por ela. Outro diplomata, John Barlow, também meio caído pela moça, fazia às vezes de seu espião no Vaticano.
Em
1532, Henrique VIII a fez marquesa de Pembroke, tornando-a assim, também, a
primeira mulher a receber diretamente um título de nobreza (as outras, até
então, tinham títulos por serem casadas com homens nobres). Seu pai ganhou o
Condado de Ormonde e seu irmão, George, tornou-se Visconde Rochford.
Enquanto Ana colecionava as glórias de poder na corte, o povo a detestava, pois sabia que ela tomaria o lugar da legítima rainha, Catarina. Em 1531 oito mil mulheres saíram às ruas de Londres para protestar contra a ascensão de Ana Bolena e apoiar a rainha Catarina.
Finalmente,
em 1 de junho de 1533, Ana Bolena foi coroada Rainha da Inglaterra, sob os
protestos do povo que fez questão de boicotar as celebrações. Henrique VIII
foi excomungado pelo Papa Clemente VII no dia 11 de julho.
Em setembro, Ana deu à luz. Mas, para sua desgraça, era uma menina e não o sonhado herdeiro do rei.
Ironicamente, essa menina seria, mais tarde, a famosa rainha da Inglaterra, Elizabeth I, a arqui-inimiga de Mary Stuart.
“Ana dos Mil Dias”, assim ficou conhecida Ana Bolena, pois seu reinado durou apenas mil dias.
Nesse
período, porém, ela tratou de introduzir muitos aspectos da cultura francesa
na corte da Inglaterra, indicou a maioria dos bispos para a recém criada
Igreja Anglicana, continuou poderosa mas... não conseguia dar ao rei o seu
sonhado herdeiro. Engravidava, abortava. Quando conseguiu levar a gravidez
até o fim, o bebê nasceu morto.
Em janeiro de 1536, a ex-rainha Catarina morreu. Ana Bolena foi às cerimônias funerárias de vestido amarelo, quando toda a corte vestia luto.
Ana se tornava cada vez mais impopular e o rei, já que ela não conseguia dar-lhe o sonhado filho, começava a se desinteressar dela. Henrique VIII voltou então suas atenções para Jane Seymour, uma das damas de Ana.
A história se repetiu. Jane se tornou amante do rei e começou a tecer intrigas contra Ana, a rainha.
A
corte, que antes a bajulara, começava agora a falar mal dela.
Ana foi então acusada de vários adultérios, de incesto com o próprio irmão, de bruxaria. Ela teria usado a feitiçaria para conquistar o rei e outros amantes. E a intriga e o falatório foram crescendo.
Finalmente, em 2 de maio de 1536, depois de cerca de mil dias de reinado, Ana Bolena foi presa, na famosa Torre de Londres, sob a acusação de traição, incesto e prática de bruxaria. Cinco homens foram presos também, entre eles seu irmão e Lord Rochford. Os homens foram barbaramente torturados para que admitissem que Ana praticara adultério com eles, que fizera amor com seu próprio irmão e que era uma bruxa, tramando contra o rei.
O romance de Philippa Gregory, levado às telas, mostra Ana propondo ao irmão que façam amor, como uma solução para conceber o filho homem tão sonhado por Henrique VIII e, meses depois, ela acaba abortando um feto monstruoso e deformado.
Baseado nas confissões obtidas sob tortura, o Parlamento condenou Ana por traição no dia 15 de maio.
Dois dias depois, o casamento dela com o rei foi anulado.
Em
19 de maio de 1536, Ana Bolena foi decapitada.
Apenas onze dias depois, Henrique VIII casou-se com Jane Seymour.
Muitas lendas correm sobre Ana Bolena. Uma delas, diz que Ana teria seis dedos numa das mãos. Outra, diz que ela, antes de morrer, teria dito ao carrasco, sobre seu próprio pescoço: “Ele é pequeno, não? Muito pequeno”.
19 de janeiro
1982, morreu Elis Regina
1942, nasceu Nara Leão
Duas
grandes cantoras brasileiras marcam o 19 de Janeiro:
Nara,
a grande musa inspiradora da bossa-nova, com uma voz pequenina e afinada.
Elis,
a inesquecível, com seu vozeirão maravilhoso . Ambas, Nara e Elis, tiveram
interpretações sensacionais, únicas e inigualáveis, de uma fase áurea da
nossa música.
Clicando na foto da Nara vc assiste Nara e Erasmo na TV há 30 anos passados.
Clicando na foto da Elis, vc assiste um trecho da Elis com a Maria Rita (pequenininha) no programa TV Mulher de 1980.
19 de janeiro
1982, morreu Elis Regina

Elis
é uma das maiores cantoras do século XX. Para mim, é a maior. Muita gente
pode achar que é a Piaf, ou a Ella Fitzgerald, ou a Kiri Te Kanawa, ou a
minha também querida Dinah Washington. Gosto de Gal, de Bethânia, de Nara,
de Nana Caymmi. Mas, me perdoem, pra mim, ninguém, ninguém mesmo pode se
igualar à voz e à interpretação de Elis.
Quando,
há alguns anos, ouvi pela primeira vez a Maria Rita, filha de Elis,
cantando, chorei como criança. Maria Rita tem a voz da mãe, por um milagre
da genética. Mas a genética não faz tudo e, embora eu goste muito das
interpretações de Maria Rita... As de Elis são únicas e, todas,
maravilhosas.
Elis morreu dia 19 de janeiro de 1982, às 10 horas da manhã. Às 10 e meia, eu já sabia. Eu era redatora numa agência de publicidade e, naquele tempo, a gente nem tinha computador. Por isso os papéis que passavam pela minha máquina de escrever, naquele dia, saíam todos molhados pelas minhas lágrimas.
Elis
era uma pessoa difícil, de temperamento explosivo, às vezes beirando a
grosseria. Mas e daí? O que é um temperamento difícil diante da genialidade,
da capacidade de cantar e interpretar como mais ninguém?
Ela nasceu em Porto Alegre, em 17 de março de 1945.
Com apenas 11 anos de idade já cantava no “Clube do Guri”, programa da Rádio Farroupilha da sua cidade.
Com
14 anos assinou seu primeiro contrato profissional na Rádio Gaúcha. Com 15,
gravou seu primeiro disco: um compacto simples (pra quem não sabe, compacto
era um vinil um pouco maiorzinho que um CD e tinha uma música de cada lado).
O primeiro LP (vinil grandão, com média de 12 músicas) aconteceu aos 16, em
1961. Chamava-se Viva a Brotolândia e a gravadora Continental queria fazer
dela a rival de Celly Campello. Mas a praia da Elis seria bem outra.
Elis
tinha 19 anos quando chegou, com seu pai, ao Rio de Janeiro, disposta a
tentar uma carreira nacional.
Um contrato com a TV Rio a colocou no programa Noites de Gala, que tinha outros estreantes, Simonal e Jorge Benjor, e o consagrado Trio Iraquitan. Cantava também no badalado “Beco Das Garrafas”.
Em
abril de 1965, ela encantou o Brasil, ao vencer o Primeiro Festival de
Música Brasileira da TV Record cantando “Arrastão” de Edu Lobo e Vinícius de
Moraes.
Daí
para frente, só sucesso. Logo surgiu a parceria com Jair Rodrigues e os dois
comandaram um programa de TV que fez história: “O Fino da Bossa”.
Vieram os discos, vieram os festivais, vieram as apresentações internacionais, sucesso na França e em Portugal.
Elis
virou a cantora número 1 do Brasil.
Nas gravadoras, impunha, podia impor, pois vendia muito. E, se impondo, lançou novatos que, sem ela, talvez não tivessem grande chance.
Ivan Lins. Milton Nascimento. Chico Buarque. Gilberto Gil. Caetano Veloso. Todos tiveram interpretações inesquecíveis na voz de Elis.
Ela
se casou, no fim dos anos 60, com Ronaldo Bôscoli e com ele teve seu
primeiro filho: João Marcelo Boscôli, hoje diretor da produtora Trama.
Nos palcos, teve outros parceiros marcantes, além de Jair Rodrigues. Brilhou ao lado de Miéle. E, na França, no festival de Montreux, viveu um dos melhores momentos de sua vida profissional, com o genial Hermeto Paschoal.
Com
Tom Jobim, em 1974, nos Estados Unidos, gravou um dos melhores discos da
MPB, onde está uma faixa tocada até hoje: “Águas de Março”.
Na década de 70, gravou todos os compositores importantes da música brasileira.
Antológico também é o programa “Ensaio” que ela gravou para a TV Cultura em 1973, acompanhada, ao piano, por César Camargo Mariano, que seria, mais tarde, o seu segundo marido. Com César, Elis teve dois filhos. Ambos, hoje, cantores: Pedro Mariano e Maria Rita.
Antológicos
também os seus dois penúltimos shows: Falso Brilhante e Saudades do Brasil.
A vida de Elis, ao lado de César e dos filhos, em sua casa em São Paulo, no bairro da Cantareira, parece ter sido a sua fase mais feliz. Pelo menos ela deixou transparecer isso em sua entrevista à Marília Gabriela, no programa TV Mulher, da Rede Globo, programa de estréia em 1980, quando disse que a última coisa que queria era sair daquela casa.
Dois
anos depois, morando num apartamento, separada de César, namorando um
advogado, Elis morreu. Supostamente de uma overdose de cocaína, ela, que, no
meio artístico, era conhecida por ser “careta” (gíria que classificava quem
não usava drogas).
Foi
velada no Teatro Bandeirantes e enterrada com uma camiseta da bandeira
brasileira onde, no lugar de Ordem e Progresso, estava escrito seu nome. Uma
multidão a acompanhou. Uma multidão e as minhas lágrimas. As mesmas que,
neste momento, 28 anos depois de sua morte, ainda inundam meus olhos, quando
falo nela.
A
música brasileira nunca mais foi a mesma depois da morte de Elis. Falta, até
hoje, quem se disponha a lutar pelos novos compositores, como ela lutou.
Falta, até hoje, quem se disponha a sentir a riqueza da nossa música como
ela sentiu. E falta a sua maravilhosa interpretação.
Saudades de Elis. Sempre.
19 de janeiro
1942, nasceu Nara Leão
Nara
Leão nasceu em 19 de janeiro de 1942. Foi uma das musas da Bossa Nova e, em
seu apartamento no Rio, no começo dos anos 60 se reuniam os papas da MPB da
época, de Roberto Menescal, um dos primeiros namorados de Nara, a Vinicius e
Tom Jobim e Carlinhos Lyra.
Nelson Mota, em seu livro, Noites Tropicais, conta essas histórias.
Ronaldo
Bôscoli (que também chegou a ficar noivo de Nara e casou-se com Elis) e João
Giberto trataram de consolidar a Bossa Nova. O que era um movimento da
garotada musical de então, acabou se tornando o grande sucesso internacional
da música brasileira.
E Nara virou a “Musa da Bossa Nova”.
Nara Leão ficou famosa cantando A Banda, de Chico Buarque, num festival da TV Record nos anos 1960. Ela foi o exemplo da importância da interpretação e não mais do vozeirão na música brasileira.
Depois
do golpe militar, em 1964, a mocinha meio tímida que reunia artistas em sua
casa, passou a ser malvista pelos militares e quase foi enquadrada na lei de
segurança nacional. O grande poeta, Carlos Drummond de Andrade, dedicou a
ela um poema, onde a defendia das garras do milicos da ditadura brasileira.
Os intelectuais de então se puseram a defender a moça.
Nara
foi a estrela, ao lado de João do Vale e de Zé Kéti, de um dos shows mais
importantes da história da Música Brasileira: o “Opinião” (“Podem me
prender, podem me bater, podem até deixar-me sem comer, que eu não mudo de
opinião...). Quando fazia o show, ficou doente e escolheu a sua substituta:
Maria Bethânia. Assim, Nara, indiretamente, acabou sendo responsável pela
revelação de Bethânia, Caetano, Gil e Gal, os baianos que vieram tentar a
sorte artística no sul maravilha.
Pouco
depois, Nara estrelou outro show antológico: o “Liberdade, Liberdade”, que
logo saiu de cartaz, proibido pela censura. Nara não era só a Musa da Bossa
Nova, era também a musa do protesto. Todos os compositores importantes da
época tiveram gravações suas.
Nara fez cinema, teatro, shows.
Casada
com o cineasta Cacá Diegues, no auge da repressão da Ditadura Militar, viveu
o exílio na Itália e na França.
Teve dois filhos, Isabel e Francisco.
Foi uma das primeiras estrelas da MPB a superar o preconceito que este grupo tinha com relação ao grupo rival, o do iê-iê-iê ou a chamada Jovem Guarda, comandada por Roberto Carlos e considerada “alienada” pela turma politizada da MPB. Para escândalo de muitos, no final dos anos 1970, Nara gravou um LP (a bolacha de vinil, com seis faixas de cada lado) só com músicas de Roberto e Erasmo Carlos.
No
anos oitenta começam seus problemas de saúde. Danuza Leão, sua irmã também
famosa, fala sobre isso em um dos seus livros.
Mesmo doente, Nara continuou a carreira, fazendo sucesso no Japão, nos Estados Unidos e na Europa, em shows com seu amigo Roberto Menescal.
O câncer matou Nara Leão. Na tarde do dia 7 de junho de 1989. Mas ela continua bem viva nos seus muitíssimos discos e no coração daqueles que tiveram o privilégio de conviver com ela.
13 de janeiro
2003, morreu Marisa Raja Gabaglia
Ela
começou sua carreira como repórter, mas virou atriz de novela. Trabalhou
quase duas décadas na Rede Globo, mas ficou realmente nacionalmente
conhecida quando foi jurada no programa do então famosíssimo Flavio
Cavalcanti, na TV Tupi.
Suas opiniões eram sempre polêmicas, ousadas e corajosas.
Mas,
quando se tratava de luta política das mulheres, ela era apenas mais uma
reacionária quadrada.
Jogou tudo pro alto, carreira, emprego e fama, para viver um amor com um badalado cirurgião plástico que frequentava a alta sociedade do Rio mas acabou sendo preso e condenado a mais de 20 anos por diversos crimes.
Marisa
Raja Gabaglia nasceu no Rio de Janeiro em 1942.
Foi repórter e colunista dos jornais Última Hora e Diário de São Paulo e foi para a TV nos anos 1960.
Como atriz, participou de algumas novelas, inclusive do grande sucesso que foi Pigmalião 70, onde Betty Faria e Tônia Carrero eram as estrelas e lançaram um corte de cabelo que virou mania e recebeu o mesmo nome da novela.

Marisa
era também escritora e lançou nove livros, um deles de grande sucesso: Milho
Para Galinha Mariquinha.
Em 1981 se apaixonou pelo cirurgião plástico Hosmany Ramos, que era um dos assistentes de Ivo Pitanguy, o mais badalado plástico do Brasil, e vivia nas altas rodas da sociedade carioca.
Marisa e Hosmany estavam juntos havia 6 meses quando ele foi preso. As acusações: roubo, assassinato e tráfico de drogas.
Marisa perdeu o emprego por causa da prisão dele. Perdeu também as amigas (que certamente eram “amigas”, ou amigas da onça).
Preso e condenado a mais de 20 anos, Hosmany ficou mais famoso do que antes. Escreveu vários livros na cadeia, alguns publicados também no Exterior. E quando, em 2007, recebeu o indulto de natal convocou a imprensa para dizer que fugiria e não voltaria para a prisão e que queria denunciar as péssimas condições dos presídios. Tem um site na Internet, onde se lança como candidato à Presidência da República e diz que sua prisão foi uma armação da ditadura militar.
Em 1982 Marisa publicou o livro “Meu Amor Bandido”, sobre seu envolvimento com Hosmany.
Quando a obra da famosa feminista americana Betty Friedan foi lançada no Brasil, a editora convidou Marisa para falar.
Surpreendentemente, ela embarcou no discurso machista de acreditar que as reivindicações de Betty só aconteciam porque ela era feia.
Marisa não era feia e certamente não desconhecia a condição feminina nos anos de 1960 e 1970, quando as mulheres ocidentais apenas começavam a, timidamente, dar seus primeiros passos em direção à liberdade da qual podemos hoje desfrutar. Quando eram consideradas, pela Lei, incapazes e passíveis de tutela, como as crianças e os índios. Quando não tinham direito ao prazer sexual e raras eram aquelas que conquistavam uma carreira e independência econômica.
De opiniões avançadas para o seu tempo mas, mesmo assim, comungando das idéias machistas da nossa sociedade, ela foi, acima de tudo, uma mulher de coragem.
Marisa Raja Gabaglia deixou duas filhas ao morrer de leucemia em 13 de fevereiro de 2003, com apenas 61 anos de idade.
09 de Janeiro
1908, nasceu Simone de Beauvoir

Muito
mais do que um escritora de renome internacional, La Beauvoir é a mãe do
existencialismo, a grande inspiradora do mais moderno pensamento feminista
em todo o mundo e viveu, com o não menos famoso filósofo Jean Paul Sartre,
uma grande história de amor, numa relação aberta, sem casamento formal, e
que durou 51 anos, até a morte dele.
Simone de Beauvoir estava muitos passos à frente do tempo em que viveu e, até hoje, é muito mais moderna do que a maioria das mulheres. É exemplo e inspiração para todo o sexo feminino.
Simone
Lucie Ernestine Marie Bertrand de Beauvoir nasceu em Paris, em 9 de janeiro
de 1908 e tornou-se uma das maiores filósofas, escritoras e feministas da
França.
Para
ela, a morte justificava a vida. Seu personagem imortal, o Conde Fosca, do
livro “Todos os Homens São Mortais” é a síntese de sua filosofia.
É
dela também o maior clássico da literatura feminista do século XX: “O
Segundo Sexo”, onde, muito antes da americana Betty Friedan, ela
contestava os valores femininos que resultavam no confinamento das mulheres
aos limites do universo do lar.
Beauvoir
e Sartre se conheceram quando estudavam na Sorbonne e ela tinha apenas 21
anos de idade.
Ela
formou-se em filosofia, deu aulas em universidades de 1931 a 1943 e, em 45,
fundou com Sartre a famosa revista Les Temps Modernes.
O casal foi inspiração e referência para a intelectualidade do planeta na segunda metade do século XX.
Jean
Paul Sartre morreu em 15 de abril de 1980, depois de ter vivido com ela uma
relação que durou 51 anos, e ela publicou, em 1981, A Cerimônia do Adeus,
onde narra os últimos anos de vida dele.
Simone de Beauvoir morreu em 14 de abril de 1986, aos 78 anos de idade, em Paris.
03 de janeiro
1984, morreu Ivete Vargas
Em
1950 a lei brasileira ainda considerava a mulher um ser inferior comparada
aos selvagens e às crianças (como se selvagens fossem inferiores e as
crianças, idiotas).
Mas Ivete Vargas, uma gaúcha arretada, sobrinha neta do ditador Getúlio Vargas, meteu a cara no mundo dos homens e se tornou uma das primeiras parlamentares brasileiras, tendo sido eleita deputada federal por vários mandatos.
Entre outras coisas, quebrou o pau com Leonel Brizola, disputando com ele o comando do PTB, foi cassada pela ditadura militar e – coisa que pouca gente sabe – viveu um caso de amor com Afonso Arinos.
Cândida
Ivete Vargas Tatsch nasceu em São Borja, em 17 de julho de 1927, filha de
Newton Tatsch e Cândida Vargas Tatsch, que era sobrinha de Getúlio Vargas.
Diferentemente das meninas da sua geração, aos 15 anos não estava pensando apenas em vestidos de baile ou artistas de Hollywood mas escrevendo artigos políticos para o jornal Brasil-Portugal.
Estudou na Universidade Católica, PUC, do Rio de Janeiro e diplomou-se em História, Geografia e Letras Neo Latinas.
Em 3 de outubro de 1950 foi eleita deputada federal, por São Paulo e pelo Partido Trabalhista Brasileiro, o famoso PTB.
Em
1951, seu tio avô, Getúlio Vargas, depois de ter sido ditador, era novamente
presidente do Brasil e enfrentava uma oposição brava de gente importante da
época, como Carlos Lacerda e Afonso Arinos, que era o líder oposicionista na
Câmara.
Ivete tinha 24 anos e estava no seu primeiro mandato como deputada federal. Afonso Arinos era uma velha raposa política, com mais do dobro da idade dela. Mesmo assim, eles viveram um escandaloso caso de amor, com direito a grandes brigas e constantes suspeitas de gravidez, o que deixava Arinos em pânico. (Naquele tempo não havia pílula).
Em 1953, Ivete foi nomeada representante brasileira na ONU e se mudou para Nova Iorque.
Foi embaixadora especial na condecoração do presidente do Líbano e, em 1956, chefiou a delegação de parlamentares brasileiros que visitaram países socialistas.
São Paulo foi responsável por sua reeleição pelo PTB como deputada federal em 1957. O Rio, em 1962, desta vez com o PTB coligado ao partido socialista.
Em 1964 aconteceu o golpe militar que derrubou o então presidente João Goulart e Ivete, que então era presidente do PTB, teve que se filiar ao PMDB (que se chamava MDB), já que a ditadura militar só permitia a existência de dois partidos: o deles e o dos outros. O deles era a Arena (Aliança da Renovação Nacional). O dos outros, MDB (Movimento Democrático Brasileiro).
Ivete foi eleita em 1966 para um novo mandato como deputada federal e, dois anos depois, quando os milicos baixaram o AI5 (Ato Inconstitucional número cinco), cassaram o mandato dela, junto com o mandato de todos aqueles que ousavam incomodar o regime militar.
Esperou quase 10 anos para conseguir começar a reerguer o velho PTB. Mas não era só ela que queria ser a “dona” do antigo partido trabalhista brasileiro. Outra velha raposa política disputava com ela: Leonel Brizola.
Ivete
venceu, na Justiça Eleitoral, em 1980, tornando-se presidente do partido, e
Brizola fundou então o PDT.
Em 1982 Ivete foi um dos deputados federais mais votados em São Paulo, 276 mil votos, e assumiu a liderança da bancada em Brasília.
Vítima do câncer, Ivete Vargas morreu em 3 de janeiro de 1984, com apenas 56 anos de idade.
28 de dezembro
1889, morreu a Imperatriz Teresa Cristina
O
nosso Imperador D.Pedro II se casou com ela por procuração e, quando
finalmente ela chegou ao Brasil, ele ficou tão decepcionado que pensou em
anular o casamento. A nova imperatriz era feia, baixinha e manca.
Mas
acabou por revelar-se uma grande incentivadora da cultura, tendo trazido com
ela, para o nosso país, músicos, botânicos, professores e artistas.
O imperador também era interessado em assuntos culturais e eles viveram bem, tendo 3 filhos e ficando juntos por 46 anos.
Teresa
Cristina Maria Josefa Gaspar Baltazar Melquior Januária Rosália Lúcia
Francisca de Assis Isabel Francisca de Pádua Donata Bondosa André d'Avelino
Rita Leodegária Gertrudes Venância Tadéia Espiridião Roca Matilda de
Bourbon-Sicílias e Bragança ou simplesmente Teresa Cristina Maria das
Duas Sicílias nasceu em Nápoles no dia 14 de março de 1822, filha do rei
Francisco I das Duas Sicílias.
Aos 20 anos se casou com o imperador do Brasil e se tornou a terceira e última imperatriz do nosso país.
Apesar
de D.Pedro II manter a amante, Luísa Margarida de Portugal e Barros, a
condessa de Barral e Pedra Branca, Teresa e Pedro II tinham uma relação
amável e desenvolveram um sólido companheirismo durante as 4 décadas em que
viveram juntos. Ela enriqueceu a cultura e a ciência em nosso país, fazendo
vir de Portugal artistas, cientistas e até obras de arte.
A
imperatriz era uma excelente cantora e musicista e promoveu inesquecíveis
saraus. Foi também uma mãe carinhosa paciente e dedicada para seus quatro
filhos, Afonso, Leopoldina, Pedro e a famosa Princesa Isabel, chamada A
Redentetora, responsável pela Lei Aurea (que libertou os escravos) e que,
por três vezes, foi regente do país.
Quando,
em 15 de novembro de 1899, foi proclamada a República no Brasil e a família
real foi banida e teve que embarcar às pressas num navio, de volta a
Portugal, a imperatriz Teresa perguntou ao embaixador da Áustria se ele
tinha idéia do motivo pelo qual os republicanos vencedores estavam tratando
a família real como se esta fosse composta por criminosos.
Durante
toda a viagem, Tereza Cristina se mostrou inconformada com a maneira pela
qual havia sido rudemente expulsa do país que aprendera a amar.
A
tristeza e o choque foram demais para seu coração.
Instalada num hotel simples, na cidade do Porto, ela teve um ataque cardíaco e morreu em 28 de dezembro de 1899, aos 67 anos de idade.
Em homenagem a ela foram batizados os municípios brasileiros de Teresópolis, no Rio de Janeiro; Teresina, capital do Piauí; Cristina, em Minas Gerais; Imperatriz, no Maranhão e Santo Amaro da Imperatriz, em Santa Catarina.
19 dezembro
1915, nasceu Edith Piaf
Anetta
Gassion deu à luz a uma menina, na rua, debaixo de um poste, num bairro
pobre de Paris, na noite de 19 de dezembro de 1915. Anetta vivia perseguindo
o sucesso, cantando nos cabarés com o pseudônimo de Line Marsa, e deu à
filha o nome de Edith. O pai da menina, Louis Alphonse, sobrevivia fazendo
acrobacias nas ruas, em troca de alguns centavos e mal conheceu a filha já
foi convocado para lutar na Primeira Guerra Mundial.
Nenhum dos dois desconfiava que a menina seria uma das maiores cantoras do mundo.
Edith,
negligenciada pela mãe, foi criada pela avó. Quando seu pai voltou da guerra
ela se uniu a ele para cantar e fazer acrobacias nas ruas.
Aos 17 anos se apaixonou, engravidou e teve uma filha que morreu de menigite aos dois anos de idade.
Foi
logo depois da morte da filha que Edith foi descoberta, cantando nas ruas,
por um empresário da noite parisiense, Louis Leplée, dono de um famoso
cabaret na Champs Elysées. Foi ele quem começou a chamá-la de “la môme piaf”,
que signica “pequeno pardal” e fez um auê tão grande quando da estréia dela
que até Maurice Chevalier estava na platéia para conferir o talento da moça.
Dois anos depois Leplée morreria assassinado em sua própria casa e Edith foi
envolvida na investigação policial porque os assassinados dele eram
conhecidos dela, do tempo em que vivia nas ruas.
Mas
ela já era um sucesso. Um ano depois da estréia havia lançado um disco que
fora um absoluto sucesso. No LP havia uma música composta por aquela que se
tornaria sua melhor amiga por toda a vida:Marguerite Monnot.
Seu próximo empresário – e depois amante – foi Raymond Asso que acabou consolidando o nome artístico que a imortalizaria: em vez de Mome Piaf, Edith Piaf.
Os dez anos seguinte foram só sucesso. Em 1944 ela conheceu Yves Montand, que se tornaria uma ator mundialmente famoso. Apaixonaram-se. Mas ele a deixou assim que se tornou tão conhecido quanto ela. Há quem diga que ela foi a sua escada para o estrelato.
Logo depois de perder Yves, ela vê os pais morrerem.
É
nessa época que começa a compor e, em 1945, escreve uma das músicas mais
famosas do mundo de hoje: La Vie em Rose.
Edith Paif já é uma estrela internacional de primeira grandeza. No começo dos anos 1950 tem um caso de amor com Charles Aznavour e o torna famoso, ao levá-lo numa tourné pela América.
Em
1951 as sequelas de um acidente de carro começam a torná-la dependente de
morfina.
Está
lutando com a droga quando conhece aquele que ela própria declarou ser o
grande amor de sua vida:o boxer Marcel Cerdan e ele acaba morrendo num
acidente de avião.
Tanta tragédia pode ter
contribuído para a morte prematura de La Piaf, que se vai, aos 48 anos, em
10 de outubro de 1963.
Aqui no Brasil, Piaf foi magistralmente interpretada nos palcos pela atriz Bibi Ferreira.
Neste ano de 2011 a Editora Leya lançou uma biografia de Edith, promovida como "a definitiva".
16 de dezembro
1973, nasceu a cantora Mariza
(clique na primeira foto para ouvir Mariza)
A
menina que, aos cinco anos de idade, cantava fado no restaurante da família,
em Lisboa, hoje recebe um cachê de 30 mil euros por hora de apresentação.
Morou quase um ano no Brasil e se apaixonou pela nossa música.
Grava
com o maestro brasileiro Jacques Morelenbaum (que também faz arranjos para
Caetano Veloso) e, na adolescência, cantava jazz, blues e rock, porque achava que o fado
era cafona.
Mas antes de completar 30 anos de idade já era considerada a sucessora de Amália Rodrigues, a grande dama do fado.
Mariza
Reis Nunes nasceu na cidade de Lourenço Marques, então capital de Moçambique
(quando ainda era colônia de Portugal) em 16 de dezembro de 1973, filha de
José e Isabel Nunes.
Prematura de apenas seis meses, o próprio pai disse que ela era o bebê mais feio que ela já vira.
Seu
pai dirigia uma loja portuguesa de eletrodomésticos em Moçambique quando
estourou a revolução da independência, em 1977, e ele teve que fugir para
Lisboa, levando a filha pequena e a mulher moçambicana.
Na
Mouraria, um bairro típico da capital portuguesa, a família abriu o
restaurante Zabala, onde Mariza começou a cantar. Lá, imperava o fado. Assim
como na casa da família, onde quase nunca se ligava uma TV e sempre se ouvia
música.
Mariza
cantou por toda a vida.
Em 1997 se apaixonou pelo filho da dona do bar onde cantava, João Pedro Ruela, e ficou casada com ele até 2008. Mas até hoje ele é o seu empresário.
Foi no Brasil que Mariza fez as pazes com o fado. Veio cantar aqui, em 1996, e acabou ficando por vários meses. Adorava a música brasileira, mas os brasileiros pediam a ela que cantasse fado. E ela cantou.
Hoje, Mariza é considerada a maior cantora de fado do mundo.
08 de dezembro
1913, Casamento do Presidente Marechal Hermes da Fonseca com Nair de Teffé.
Nair
de Teffé era caricaturista, num tempo em que as mulheres, em sua maioria,
eram apenas donas de casa.
Quando ela se casou com o nosso Presidente da República, o Marechal Hermes da Fonseca, tinha 27 anos e ele, 58.
Fazer
sucesso, no Brasil e no Exterior, com as suas caricaturas, ainda não era o
bastante para ela, que também era pintora, cantora, pianista e atriz de
teatro.
No entanto, ela largou tudo para se tornar a Primeira Dama Brasileira. Mas continuou ousando e escandalizando no Palácio do Catete.
Filha
dos barões de Teffé, Nair nasceu no Rio de Janeiro em 10 de junho de 1886 e
estudou em Paris.
Começou a publicar seus trabalhos no Brasil em 1909, na então famosa revista Fon Fon.
Como seria de se esperar, Nair era amiga de outra mulher que desafiava os costumes da época: Chiquinha Gonzaga. Foram as duas que levaram o violão – instrumento considerado vulgar – para os saraus que promoviam no Palácio do Catete.
Ruy
Barbosa, que perdera a eleição presidencial para Hermes, saiu falando
horrores dela, que ela estava desrespeitando o protocolo do palácio do
governo, que não tinha a compostura necessária para o cargo de primeira dama
e por aí afora. Nair não teve dúvidas: publicou uma caricatura
ridicularizando o então senador e o intelectual mais badalado do país, o
“Águia de Haia”.
Aliás,
no colégio de freiras onde ela estudava quando criança, na Bélgica, já tinha
feito a mesma coisa. Seu espírito libertário desagradava a madre superiora e
Nair, para se vingar de um castigo recebido, desenhou a madre com um
quilométrico nariz, que era realmente o que a religiosa tinha de mais feio.
Casou furor também quando apareceu numa festa onde estavam os mais
importantes políticos, vestindo uma saia em cuja barra estavam desenhadas as
caricaturas de todos os Ministros de Estado.
E, ainda, quando já era velhinha e o imposto de renda andava atrás dela, em plena ditadura militar, ela devolveu à receita o formulário, que haviam enviado, em vez de preenchido, desenhado: lá estava a caricatura do então Ministro da Fazenda, Delfim Neto.
Hermes
da Fonseca governou o Brasil de 1910 a 1914. Depois disso o casal passou
cinco anos na Europa. De volta ao Brasil, o Marechal (como ela sempre o
chamara) se envolveu em conspirações militares e acabou passando cinco anos
na prisão. Ele morreu em 1923, deixando Nair viúva e com apenas uma herança
paterna que não era lá essas coisas e mais meia pensão, já que metade dela
era para o filho dele (com a primeira esposa) que tinha problemas mentais.
Mas
como ela era mesmo uma mulher à frente do seu tempo, tratou de investir num
negócio, abriu um cinema no Rio de Janeiro. Seu sócio era o distribuidor de
filmes Luiz Severino. A sociedade durou até 1946 quando Nair decidiu ir
morar em Niterói com seus três filhos adotivos e seus animais de estimação.
Dizem que o que restava da herança paterna, ela perdeu nas mesas de jogo.
Em 1959 voltou a desenhar profissionalmente.
Morava numa pequena casa em Niterói, pagando aluguel.
Quase foi despejada nos anos 1970. Foi salva pelo gongo quando morreu o filho do Marechal e ela passou a receber integralmente a pensão.
Nos
anos 1960 e 1970 aparecia na TV de vez em quando, era fã da Jovem Guarda,
aprovava a mini saia (que causava enormes polêmicas na sociedade) e
participava das cerimônias comemorativas do Dia Internacional da Mulher, ao
lado de feministas históricas. Enfim, era uma velhinha arretada!
Nair de Teffé morreu no dia em que completava 95 anos de idade, 10 de junho de 1981.
Foi sepultada ao lado do marido, no cemitério de Petrópolis.
03 de dezembro
1931, morreu Francisca Praguer Fróes
Nome
de rua no Bairro da Barra, em Salvador, ela foi uma das primeiras mulheres
formadas em Medicina no Brasil, pela Faculdade de Medicina da Bahia, em
1893.
Foi também jornalista, unindo a informação da saúde feminina e dos direitos da mulher.
Euclides da Cunha, impressionado por sua força e caráter, dedicou a ela um poema.
Francisca oi uma das precursoras da luta sufragista na Bahia e no Brasil. E ainda escrevia poesias!
Francisca Barreto Praguer nasceu em 21 de outubro de 1872, filha de Henrique, imigrante crota de origem judaica e de Francisca Rosa Barreto Praguer, na cidade de Cachoeira que, naquele tempo, tinha uma importante vida cultural.
Aos 16 anos matriculou-se na Faculdade.
Formada, depois de enfrentar preconceitos de colegas e professores que não admitiam mulheres médicas, passou a ter uma grande participação nos debates políticos e médicos, ressaltando a condição feminina.
Em 1899 casou-se com João Américo Garcez Fróes, ex-colega de faculdade, com quem teve dois filhos. Ele vinha de uma tradicional família baiana e ela causou escândalo, defendendo publicamente o divórcio, quando nenhuma outra mulher ousaria.
Foi a primeira mulher em seu estado a dirigir uma clínica obstétrica. E era redatora na Gazeta Médica da Bahia, a mais importante publicação de saúde.
Dona de uma vasta contribuição jornalística, Francisca defendia a abertura de todas as escolas médicas para a inclusão de alunas (que raramente eram aceitas nas faculdades), defendia a educação igualitária para os sexos , o direito ao voto e à propriedade.
Em 1931 tornou-se presidente da União Universitária Feminina, entidade ligada ao movimento criado, em 1922, pela bióloga Bertha Lutz, feminista brasileira pioneira.
E morreu, em 3 de dezembro de 1931, no Rio de Janeiro, onde participava do II Congresso Internacional Feminino.
26 de novembro
1886, nasceu Dra. Ermelinda Vasconcelos
O
nosso Imperador, Dom Pedro II, havia ajudado a jovem Maria Augusta Estrela a
ir para os Estados Unidos estudar Medicina, já que, a partir da formatura da
primeira médica, em 1848, só naquele país era possível para uma mulher
cursar a faculdade de medicina.
Por isso, em 1888, o Imperador prestigiou – no colégio que hoje leva seu nome, no Rio de Janeiro – a formatura da segunda mulher a conseguir um diploma de médica no Brasil: a gaúcha Ermelinda Vasconcelos, a primeira fôra Rita Lobato.
A família real brasileira (foto) era progressista e tanto D.Pedro como sua esposa Thereza Christina e sua filha, a Princesa Isabel, muitas vezes se colocaram em posições contrárias à discriminação das mulheres.
Mas a conquista do diploma de médica ainda não significava o rompimento do preconceito. Se estudar Medicina para uma mulher era difícil e custoso, pois ela enfrentava barreiras colocadas por professores, colegas e a sociedade em geral, exercer a profissão era outra batalha.
Quando se formou, Ermelinda foi alvo de muitas críticas, inclusive a do historiador e jornalista Silvio Romero (que hoje é nome de praça no bairro do Tatuapé em São Paulo) que publicou uma crônica sobre ela com o título de “Machona” que continha a seguinte frase: "Esteja certa a doutora que os seus pés de machona não pisarão o meu lar".
Ironicamente, alguns anos depois, quando a Dra. Ermelinda já estava à frente de uma grande clínica de obstetrícia, foi ela quem fez, na casa de Silvio Romero, o parto da mulher dele.
Ermelinda Lopes Vasconcellos nasceu em 26 de novembro de 1866 no Rio Grande do Sul e foi para o Rio de Janeiro com a família quando ainda era criança.
Em 1881 começou a trabalhar como professora na mesma escola onde se formara, em Niterói e, apaixonada pela Medicina, comprava todos os livros que podia e os estudava.
Seu pai – que já não gostava de ver a filha trabalhando num século em que mulheres só trabalhavam como domésticas, professoras e operárias e, mesmo assim, só quando não podiam sobreviver sem seu próprio trabalho – não queria nen ouvir falar na filha ingressando numa faculdade. E ainda mais de Medicina, coisa realmente reservada aos homens. Onde já se viu – pensava-se na época – uma mulher manipulando o corpo de alguém?
Mas Ermelinda não era de desistir. Com a ajuda do político gaúcho Lopes Trovão, a quem seu pai admirava e respeitava, acabou conseguindo que o pai a deixasse ir para a faculdade.
Era a segunda mulher a cursar Medicina numa escola brasileira.
No começo, os colegas e professores a discriminavam.
Mas diferentemente da primeira médica que estudara no Brasil, a também gaúcha Rita Lobato, Ermelinda não precisava de proteção para andar nas ruas à caminho da faculdade.
Ao contrário. No final do curso, ao defender brilhantemente a tese “Formas Clínicas da Meningite na Criança”, foi carregada pelas ruas do centro do Rio, cumprimentada por gente importante como Ruy Barbosa e Quintino Bocayúva e até pelo próprio Imperador.
Quintino era o editor chefe do jornal “O Globo” e dedicou a ela uma grande reportagem.
Mas, depois de formada, exatamente como aconteceu com todas as médicas pioneiras (Elizabeth e Emily Blackwell nos EUA e Maria Augusta Estrela e Rita Lobato no Brasil) teve que se especializar no atendimento apenas a mulheres e crianças.
No entanto, Ermelinda Vasconcellos conseguiu mesmo, com o seu trabalho, montar uma clínica obstétrica e trabalhou duramente até a sua morte, em 1952, aos 86 anos de idade.
19 novembro
1988, morreu Christina Onassis
Mãe
da mais rica herdeira do mundo, Athina (que se casou em 2005 com o
brasileiro Doda Miranda), ela foi também a mais rica herdeira do mundo, no
seu tempo, e nasceu em berço de ouro, filha do arquimilionário grego
Aristóteles Onassis.
Mas dinheiro nem sempre é garantia de felicidade.
A
vida da Christina mais parece uma tragédia grega, com uma história de
obesidade, drogas para emagrecer, muita bebida e muita droga ilícita. Pra
coroar, casamentos fracassados e toda a família morta antes que ela
completasse 25 anos.
Christina morreu com 37 anos de idade. Oficialmente, por causa de um aneurisma. Extra oficialmente, por causa do abuso de drogas. Certamente, por infelicidade.
Christina
Onassis nasceu em Nova Iorque no dia 11 de dezembro de 1950, filha de
Aristóteles Onassis e da primeira esposa dele, Athina Livanos, com quem o
milionário se casara em 1944 e que se divorciou dele em 1959, por não
aguentar as seguidas traições do marido.
Numa época em que só mulheres velhas e muito ricas faziam cirurgia plástica, Christina, com apenas 17 anos, já estava modificando o nariz e já sofria por estar muito acima do peso ideal. Mas tomava 30 garrafas de coca cola por dia. (E não existia refrigerante diet...).
Enquanto
seu pai mantinha seu famoso caso de amor com Maria Callas, a diva da ópera,
para Christina estava tudo bem. Ela se entendia com a cantora famosa. Mas
quando Onassis resolveu casar-se com a viúva do presidente dos Estados
Unidos, Jackie Kennedy, Christina detestou a idéia. Acreditava que seu pai
estava, mais uma vez, magoando a mulher que o amava, exatamente como fizera
com sua mãe e estava agora fazendo com Maria Callas.
Jackie
foi morar em Atenas e Christina deu um jeito de passar a maior parte do
tempo, então, longe da casa do pai.
Aos 20 anos, casou-se com um homem de 48, com quatro filhos, divorciado duas vezes. Os filhos dele eram mais velhos que ela. O casamento durou seis meses.
Christina tinha 23 anos quando seu único irmão e grande companheiro, Alexandre, morreu num acidente de avião, deixando Onassis desesperado. Um ano depois, em 1974, sua mãe, Athina, se suicidou e em março de 1975 morreu seu pai. Assim, aos 24 anos, Christina herdou a maior fortuna do planeta.
Depois
da morte do pai e já podre de rica, Cristina casou-se com Alexandre
Andreadis, ele também um rico herdeiro na Grécia. O casamento durou pouco.
Seu terceiro marido foi Serguei Kauzov, um russo pobretão e com fama de ser agente da KGB. Menos de um ano depois se separaram e ele levou uma fortuna com o divórcio.
Então, milionária, sozinha, enganada, frustrada e gorda, Christina tentou se matar. Foi salva. Era 1980.
Cinco
anos depois ela se casou com Thierry Roussel, o pai da sua famosa filha
Athina. Roussel também era rico e sua família, dona de uma das maiores
indústrias farmacêuticas do mundo da época. Athina – a quem ela deu o nome
da mãe suicida – nasceu depois de uma série de tentativas frustradas de
gravidez e com o auxílio das então recentes técnicas da reprodução
assistida. A menina tinha seis meses de idade quando Christina descobriu que
o marido não precisara de técnicas para ter outro filho, um menino, com a
amante. A amante de Roussel era uma modelo sueca e, antes dele se divorciar
de Christina, ela teve mais um filho.
Em 1987, depois de apenas dois anos de casamento, Christina e o marido se divorciaram. Ele saiu da história levando 75 milhões de dólares do patrimônio dela.
Alguns
meses depois Christina estava de férias na fazenda de amigos, na Argentina e
morreu de repente, numa cabine telefônica, em Buenos Aires.
Seu corpo foi enterrado na Grécia, na ilha de Skorpios e nunca a opinião pública soube quais foram exatamente as circunstâncias de sua morte.
O
famoso e badalado iate que leva seu nome, a embarcação “Christina”, que foi
berço de algumas das mais colunáveis festas e dos mais badalados cruzeiros,
tendo à bordo a fina flor do Jet set internacional, palco das cerimônias de
casamento de Grace Kelly com o Príncipe de Mônaco, do casamento próprio
Onassis com Jackie Kennedy; do encontro histórico entre John Kennedy e
Winston Churchill, passou anos enferrujando no porto de Atenas. Hoje,
recuperado, pode ser alugado por quem quiser fazer cruzeiros com o conforto
de seus 99 metros de comprimento, 18 quartos, biblioteca, heliporto,
piscinas, pista de dança e salão de beleza.
Em 1990 o cantor espanhol Joaquin Sabina dedicou à Christina Onassis uma música que chamou de “Pobre Christina”, numa triste e irônica alusão ao destino da mulher que fora a mais rica do mundo.
12 de novembro
Americana,
foi uma das mais importantes sufragistas da nossa história, tendo lutado por
muitos anos pelos direitos das mulheres.
É quase impossível falar nela sem falar também em sua grande companheira de luta, Susan B. Anthony.
Em 1840 Elizabeth Cady casou-se com Henry Stanton e foi com ele para Londres onde ele participaria da Convenção Mundial Anti Escravatura. Lá, Elizabeth conheceu outra importante lutadora: Lucrecia Mott.
Da
união dessas mulheres batalhadoras e mais Jane Hunt, nasceu a primeira
convenção feminista da história: a Seneca Falls, que aconteceu em 1848 e
firmou em muito o movimento das mulheres pela igualdade social.
Elizabeth Cady nasceu em 12 de novembro de 1815, em Johnstown, Nova Iorque. Era a oitava de onze filhos de Daniel Cady e Margaret Livingston Cady. Cinco de seus irmãos morreram ainda crianças e outro deles, na juventude. Apenas Elizabeth e mais quatro irmãs alcançaram a maturidade.
Daniel
Cady, pai de Elizabeth, foi um importante advogado e juiz e introduziu sua
filha no mundo das leis e da justiça e, logo cedo, ela percebeu que as leis
favoreciam os homens e prejudicavam as mulheres, que tinham que passar suas
propriedades para o homem com quem se casavam, não tinham direitos sobre os
filhos, não podiam votar, nem falar em público.
Elizabeth Stanton, diferentemente das mulheres de seu tempo,recebeu uma educação primorosa e formal, aprendendo, inclusive, grego e latim. Seus pais haviam perdido todos o filhos homens e, um dia, diante do sucesso intelectual de Elizabeth, o juiz Cady disse a ela: Oh, minha filha, eu gostaria que você fosse um rapaz.
Em 1830, ela queria ir para a mesma universidade que aceitara seu irmão, pouco antes dele morrer: a Union College, mas lá só eram aceitos alunos do sexo masculino. Assim, ela foi para o Troy Female Seminary, que depois se tornaria Emma Willard School, em homenagem à sua fundadora,Emma.
Em
1840, Elizabeth casou-se com Henry Brewster Stanton, um jornalista que
militava nos movimentos anti escravagistas. Entre 1842 e 1856 eles tiveram
seis filhos. E, em 1859, quando ela já tinha 44 anos, veio o sétimo e
inesperado filho.
Quando se casaram, Elizabeth e Henry foram passar sua lua de mel na Europa. De volta aos Estados Unidos, Henry começou a estudar direito com seu sogro, o que fez até 1843, quando o casal se mudou para Boston. Elizabeth e Henry frequentavam os círculos intelectuais e entre seus amigos estavam a escritora Louisa May Alcott e o filósofo Ralph Waldo Emerson.
Embora discordassem na questão do voto feminino, Elizabeth e Henry viveram um casamento feliz, até a morte dele em 1887. Foram 47 anos de vida em comum.
A grande amizade de Elizabeth Cady Stanton e Susan B. Anthony começou em 1851, três anos depois da primeira convenção feminista, em Seneca Falls, em julho de 1848.
Ao
trabalho social de Lucretia Mott, Susan B. Anthony e Elizabeth Cady Stanton,
se uniram, com o tempo outras mulheres que ficaram também famosas na luta
sufragista, como Lucy Stone, Elizabeth Blackwell (a primeira médica formada)
e Julia Ward Howe. Apesar de haver diferenças e discordâncias entre elas e
as associações das quais faziam parte, elas afirmavam que o preconceito
contra as mulheres era o mesmo que o preconceito racial.
Elizabeth se tornou conhecida por seu trabalho social internacionalmente e fez várias conferências na Europa, onde, inclusive viveu sua filha e também feminista Harriot Stanton Blach.
Embora ela não tenha conseguido cursar uma Universidade, duas de suas filhas o fizeram: Margaret e Harriot se graduaram pelas Universidades de Vassar e Columbia.
Elizabeth Cady Stanton morreu em 26 de outubro de 1902, dezoito anos antes das americanas conseguirem o direito de votar.
11 de novembro
1880, morreu Lucretia Mott
Imagine,
se for capaz, o que era nascer mulher nos anos de 1800.
Nenhum direito, nenhum estudo, se herdasse algum bem este seria automaticamente do homem que se casasse com ela, sem prazer sexual, sem opinião, sem voz, sem nada. Os maridos tinham plenos poderes sobre elas. Quando as esposas incomodavam eles as mandavam para o convento ou para o hospício. E, se alguma delas ousasse pedir a separação judicial, os filhos ficavam com os maridos.
Uma
das primeiras mulheres a ousar erguer a voz contra essa humilhante condição
feminina foi a americana Lucretia Mott.
Ela falava também contra a escravatura e era tão incisiva que foi apelidada de “o tigre do abolicionismo”.
Aos
47 anos atravessou o Atlântico para participar de uma convenção
internacional contra a escravidão, em Londres. Mas foi barrada na porta por
ser mulher. Outra americana passou pelo mesmo constrangimento: Elizabeth
Stanton. Ficaram amigas.
Lucretia, Elizabeth e Susan B.Anthony foram responsáveis, oito anos depois, pela primeira convenção de mulheres da História: a Sêneca Falls.
Lucretia
Coffin Mott nasceu em 3 de janeiro de 1793 em Nantucket, Massachusetts. Sua
família era Quaker e ela foi a segunda filha de Thomas Coffin e Anna Folger.
Aos 13 anos foi estudar numa escola onde, mais tarde, se tonaria professora. Foi aí que ela descobriu que os professores homens ganhavam duas vezes mais que as professoras mulheres. Mesmo assim, casou-se com um deles, James Mott, quando tinha apenas 18 anos de idade.
James e Lucretia eram radicalmente contra a escravidão e se recusavam a consumir qualquer produto em cuja produção houvesse mão de obra escrava, como roupas de algodão ou cana de açucar.
Com
as companheiras Elizabeth Stanton, Susan B. Anthony e Lucy Stone, Lucretia
Mott (as três, no monumento ao lado)passou para a história como pioneira na
luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres nos Estados Unidos.
Em 1850 Lucretia escreveu “Discursos de Mulher”, uma obra onde ela analisa todas as restrições que a lei de seu país impunha ao sexo feminino e reivindica duramente o direito das mulheres à educação.
Ela se tornou a primeira presidente da Associação Americana pela Igualdade de Direitos, que lutava pelas mulheres e pelos negros.
Lucretia Mott morreu em 11 de novembro de 1880, aos 87 anos de idade.
03 de novembro
1867, morreu Marquesa de Santos
Amante
do nosso imperador D.Pedro I, a Marquesa de Santos, aos 30 anos de idade,
pensou que finalmente seria a imperatriz, quando D.Leopoldina, esposa de
D.Pedro, morreu.
Mas casamento de nobre é sempre casamento de conveniência e, assim, a corte decidiu que a próxima imperatriz seria Amélia, uma princesa européia.
A
Marquesa de Santos então deixou a corte e se instalou em São Paulo, sua
terra natal, onde seu solar ficou famoso por abrigar artistas e
intelectuais, e lá eram promovidos inesquecíveis saraus.
A casa existe até hoje e está aberta à visitação pública.
O
verdadeiro nome da Marquesa era Domitila de Castro e ela nasceu em São
Paulo, capital, em 27 de dezembro de 1797, filha do Visconde João de Castro
Canto e Melo e de Escolástica Ribas.
Tinha apenas 16 anos quando foi dada em casamento a Felício Pinto Coelho de Mendonça, com quem teve 3 filhos.
A
maternidade no entanto não diminui-lhe em nada a beleza e o marido morria de
ciúmes dela e eles viviam brigando por causa dos olhares gulosos que os
rapazes viviam dando a ela.
Domitila estava grávida do terceiro filho, em 1819, quando, no auge de uma briga, Felício acabou dando duas facadas na perna dela e fugiu.
Foi
por isso que ela foi à corte, para pedir a Dom João VI que lhe concedesse o
divórcio e a deixasse ficar com os filhos.
Dom Pedro a viu na Corte e apaixonou-se instantaneamente. Por isso ela passou a viver no Rio, como amante oficial do imperador. Foi ficando cada vez mais poderosa.
Em
1824 a imperatriz Leopoldina fez dela sua primeira dama de companhia. Era
melhor ter a amante do marido debaixo do seu nariz do que longe e com todo
aquele poder.
O imperador acabou dando a ela o título de Marquesa e acrescentou “de Santos” para irritar José Bonifácio, que era santista.
Politicamente,
Domitila era liberal e foi ela quem influenciou nesse sentido muitas das
decisões do Imperador. Ela teve mais cinco filhos com ele, mas um, em 1823,
nasceu morto.
A Marquesa de Santos já vivia na corte há oito anos quando a imperatriz morreu e ela, então, sonhou em, finalmente, transformar-se na mulher mais poderosa do Brasil.
Mas
a vida foi exatamente na contramão dos seus sonhos. Com a chegada da
princesa Amélia, para se casar com D.Pedro, os inimigos da Marquesa
conseguiram pressionar o Imperador para livrar-se da amante.
Foi assim que Domitila voltou para sua cidade natal, cheia de dinheiro, mas sem o antigo poder.
Em 1833 ela tornou-se amante de um dos homens mais ricos de São Paulo, Rafael Tobias de Aguiar. Em 1842, casou-se com ele.
Sua
casa tornou-se um ponto de encontro de maçons, artistas e intelectuais e ela
recuperou grande parte da influência política que tivera na Corte.
Ficou conhecida por sua grande generosidade para com os pobres e pela enorme ajuda que dava aos estudantes de Direito da Faculdade do Largo de São Francisco.
Muitas
atrizes brasileiras viveram a Marquesa dos Santos: Em 2009, no teatro, Ana
Paula Vieira; Luana Piovani em 2002 na minisérie Quinto dos Infernos; Rejane
Santos em 2001 na minisérie Entre o Amor e a Espada; em 1987 a cantora
Marlene na novela Helena; em 1984 Maitê Proença na minisérie Marquesa de
Santos; em 1972 por Glória Menezes no filme Independência ou Morte e em 1917
por Luiza Lambertini no filme O Grito do Ipiranga.
A Marquesa morreu em 3 de novembro de 1867, aos 70 anos de idade e foi sepultada no Cemitério da Consolação, cujo terreno foi doado por ela a São Paulo.
29 de outubro
1905, nasceu Adalgisa Nery
Linda,
Poderosa, Moderna e Esquecida.
O Brasil também tem mulheres notáveis e avançadas na sua História. Mas como somos um país sem memória, a enorme contribuição social dessas mulheres vai se perdendo pelo caminho. Adalgisa Nery é um bom exemplo disso.
Ela nasceu no começo do século passado, em 29 de outubro de 1905 mas viveu a liberdade que ainda vão viver as meninas que nasceram em 2005, um século depois dela.
O poeta Carlos Drummond de Andrade a chamava de “a deusa”.
Era famosa, invejada e lutadora.
O
também famoso pintor Ismael Nery foi seu primeiro marido e pintou inúmeros
retratos dela.
Era cronista, jornalista, poeta e trabalhou na televisão.
Era politicamente de esquerda, do partido socialista. Mas casou-se e viveu 14 anos com o chefe da repressão da Ditadura de Getúlio Vargas.
Aliás, dizem que ela também foi amante do ditador. Chegou a dar, como seu endereço postal, o endereço do Palácio do Catete, no Rio, então sede do governo federal.
Morreu com 74 anos, numa casa de idosos que o apresentador de TV Flávio Cavalcanti pagava para ela.
Adalgisa
Maria Feliciana Noem Cancela Ferreira nasceu numa família pobre do Rio de
Janeiro. Sua mãe morreu quando ela estava com apenas 8 anos de idade e seu
pai a internou num colégio de freiras, onde havia vagas beneficentes.
Adalgisa
sentiu então, pela primeira vez, o peso da discriminação. Era uma órfã
pobre, estudava por caridade e tanto as colegas como as freiras não deixavam
que ela esquecesse disso.
No entanto, como já habitava nela o espírito da justiça social, começou a protestar contra o tratamento discriminatório que recebia e, por isso, foi expulsa da escola.
Seu primeiro amor aconteceu aos 15 anos: apaixonou-se perdidamente por um vizinho. Era Ismael Nery, que seria um dos mais famosos pintores do Brasil e integrante do movimento Modernista de 1922. Ela casou-se com ele em 1921 e começou a frequentar a intelectualidade do Rio de Janeiro. O casal viveu dois anos na Europa e teve 7 filhos, dos quais apenas 2 sobreviveram.
Ismael,
embora fosse um gênio das artes plásticas, era um tremendo machista e vivia
espancando a esposa. Por isso, foi um alívio para ela a morte dele em 1934.
Viúva antes do 30 anos de idade, com dois filhos, ela foi trabalhar na Caixa Econômica Federal e depois no Conselho do Comércio Exterior, no Itamaraty. Poucas mulheres trabalhavam naquele tempo. Mas Adalgisa não era uma mulher qualquer.
Seu primeiro livro de poesia foi lançado em 1937.
Adalgisa era conhecida no meio intelectual carioca como socialista e surpreendeu todo mundo ao se casar com um legítimo representante da direita, o advogado e jornalista Lourival Fontes, diretor do DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda – que era o braço repressor da ditadura de Getúlio Vargas, o equivalente ao que foi o DOPS na ditadura militar, especialista em torturar cruelmente qualquer inimigo político.
Lourival
virou embaixador e Adalgisa viveu com ele em Nova Iorque, onde ele serviu
por dois anos, e no México, em 1945. Nesse país, ela fez o maior sucesso,
ficou amiga de Frida Khalo e Diego Rivera, que admiravam o seu talento
literário.
De volta ao Brasil, em 1953, Lourival se apaixonou por outra mulher e separou-se de Adalgisa, que ficou arrasada.
Mas já era uma mulher famosa no Brasil e no Exterior, especialmente na França, onde seus livros vendiam muito.
Escrevia crônicas nos jornais do Rio e traduzia obras para a editora José Olympio. Então foi trabalhar com Samuel Weiner, num dos mais importantes jornais da época, a Última Hora.
Seus artigos eram nacionalistas e ela batia de frente com grandes nomes da elite brasileira, inclusive Assis Chateaubriand, o famoso fundador da TV no Brasil e do Museu de Arte de São Paulo, o MASP. Ele a odiava e, certa vez, escreveu sobre ela a chamando de “cinquentona devassa, infiel ao corpo, à alma e à decência conjugal.”
No entanto, ele estava apenas dando voz aos seus preconceitos machistas, já que Adalgisa sempre foi uma mulher sexualmente livre, enquanto ele é quem tinha um comportamento moralmente duvidoso na condução de suas empresas de comunicação.
Adalgisa
Nery se tornou uma das mais bem sucedidas escritoras brasileiras quando, em
1959, publicou um romance autobiográfico – A Imaginária – que virou um best
seller de primeira. No livro ela escancarava uma questão que ninguém tinha
coragem de discutir naquele tempo: a violência doméstica, contando todo o
terror que vivera nas mãos de seu primeiro marido, o consagrado Ismael Nery.
Adalgisa foi duas vezes deputada, primeiro pelo Partido Socialista e depois pelo MDB (atual PMDB). Em plena ditadura militar, ela continuava desafiando os costumes conservadores e foi um dos políticos cassados, em 1969, pelo AI-5 (Ato Institucional n.5 do governo militar que acabou de vez com os direitos políticos dos cidadãos brasileiros).
Adalgisa tornou-se uma figura “perigosa” e ninguém queria saber de dar-lhe um emprego. Ela foi ficando deprimida. Foi salva pelo então famoso apresentador de TV Flávio Cavalcanti, que a colocou como jurada em seu programa de calouros.
Flávio, naquela época, tinha a fama de “dedo duro” da Ditadura Militar. No entanto, foi ele quem abrigou inúmeros artistas e intelectuais que se tornaram “malditos” por sua oposição ao regime. Foi ele quem, inclusive, escondeu a musa Leila Diniz, depois da famosa e escandalosa entrevista que ela deu ao “Pasquim”, e a livrou de ser presa.
No meio da década de 1970, Adalgisa foi viver na casa de campo que Flávio tinha em Petrópolis, sozinha e longe da badalação do mundo intelectual que ela sempre frequentara.
Mas ainda assim, nessa época, publicou dois livros de poesia, dois de contos e um romance.
Em 1976, a própria Adalgisa resolveu ir viver numa casa de idosos em Jacarepaguá. Flavio pagava as despesas.
Em 1977 teve um derrame e ficou hemiplégica.
Adalgisa Nery, mulher corajosa, à frente do seu tempo, escritora e jornalista poderosa e invejada morreu, aos 74 anos de idade, em 7 de junho de 1980,na miséria e na solidão. E caiu no esquecimento.
De: "Juvenal Azevedo"
PARA: "Isabel Vasconcellos" <isabel@isabelvasconcellos.com.br>
Assunto: Re: Poderosa e esquecida.
Data: sexta-feira, 21 de outubro de 2011 17:33
Bel, parabéns pelo artigo sobre a Adalgisa Nery, realmente uma das predecessoras do feminismo no Brasil.
Só gostaria de fazer um reparo quanto ao Lourival Fontes.
Você, corretamente, fala que a função dele era de diretor do Departamento de Imprensa e Propaganda, que respondia basicamente pela censura e pela divulgação do governo.
Mas atribui a ele um papel nas prisões e torturas que ele não teve. Quem respondia pela Polícia Política (depois Dops) e foi responsável pelos casos de tortura era o Felinto Muller (não consigo botar o trema no nome dele). Felinto Muller tinha tal notoriedade, que o David Nasser fez um artigo na extinta revista O Cruzeiro (que chegou a tirar 1 milhão de exemplares nos anos 50), sobre ele, com o expressivo título “Falta alguém em Nuremberg”, o famoso julgamento dos criminosos nazistas de guerra.
Lourival só tinha “as mãos sujas de sangue das canções” que ele proibia, como cantou depois Maria Betânia.
Abração, Juva
Algumas Obras de Adalgisa:
Poemas, 1937
O Jardim das Carícias, 1938
A mulher ausente (poemas), 1940
Og (contos), 1943
Ar do deserto (poemas), 1943
Cantos de angústia (poemas), 1948
As fronteiras da quarta dimensão (poemas), 1952
A imaginária (romance), 1959
Mundos oscilantes (poemas) 1962
Retrato sem retoque (crônicas), 1966
22 menos 1 (contos), 1972
Neblina (romance), 1972
Erosão (poemas), 1973
Leia:
“Pensamentos Que Reúnem um Tema” e "A gargalhada" - texto extraído do livro "Contos de escritoras brasileiras"
17 de outubro
1847, nasceu Chiquinha Gonzaga
Mais inovadora do que muita mulher de hoje, a maestrina Chiquinha Gonzaga
foi o músico responsável por incorporar a música popular ao repertório da
elite brasileira.
Ela foi a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil e a primeira compositora: Chiquinha compôs mais de duas mil músicas e escreveu setenta e sete peças trilhas para peças de teatro.
Na
política, era republicana e abolicionista. Mas não gostou da República e
escreveu uma música contra o Marechal Floriano Peixoto. Quase foi presa.
Foi fundadora da SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais), em 27 de setembro de 1917, uma entidade que existe e atua até hoje. (Eu sou sócia...kkkk).
Chiquinha era independente, corajosa, sincera e talentosa. Num tempo em que a maioria absoluta das mulheres não podia ser nada.
Francisca Edwiges Neves Gonzaga nasceu no Rio de Janeiro em 17 de outubro de
1847. Era filha de um general do exército – José Basileu Gonzaga – com uma
mulher de origem humilde, Rosa Maria de Lima. Seu padrinho de batismo foi o
Duque de Caxias e ela teve uma educação primorosa, o que não era muito comum
naquele tempo, mesmo entre as moças de classe alta, como era ela.
Com
apenas treze anos de idade, Chiquinha casou-se com o oficial da Marinha
Mercante Jacinto Ribeiro do Amaral. Tiveram cinco filhos e ela detestava sua
vida no navio onde o marido servia, revolta-se contra as ordens dele que não
queria que ela se dedicasse à música.
Por tudo isso, Chiquinha resolveu enfrentar a sociedade, que condenava as mulheres descasadas e deixou o marido e quatro filhos, pois só o mais velho – João Gualberto – a acompanhou.
Sobreviveu com professora de piano e apresentando-se em lojas de
música,uniu-se aos grupos de choro e, em 1877, emplacou o seu primeiro
sucesso: a polca “Atraente”.
Foi para o teatro, tornou-se conhecida do público e todas as suas composições, impressas, viravam sucesso.
Escrevia polcas, valsas, tangos e causou furor e escândalo na imprensa ao compor maxixes, ritmo então proibido pela polícia.
Em
1897 o Brasil inteiro conhecia seu trabalho.
Em 1899 compôs a primeira marcha carnavalesca, cantada até hoje: O Abre Alas.
Tinha 52 anos quando se apaixonou por João Batista Fernandes Lage, com quem viveria 35 anos, até o dia de sua morte. Mas ele tinha apenas 16 e Chiquinha o adotou como filho, o que fez com que duas de suas filhas – Maria do Patrocínio e Alice Maria – mais tarde, movessem um processo contra ela, para destituir João Batista de seu direito à herança.
Desiludida com os rumos do primeiro governo da república, Chiquinha foi para
a Europa, onde viveu de 1902 a 1910, fazendo sucesso em Portugal.
De volta ao Brasil, em 1911 viveu o seu maior sucesso no teatro com uma opereta, Forrobodó, que teve mil e quinhentas apresentações.
Em
1934, aos 87 anos, escreveu a partitura da opereta Maria.
A nossa pioneira da música foi homenageada por escolas de samba e foi personagem no cinema e na TV.
Em 1985 ela foi enredo da Mangueira com “Abram Alas que Eu Quero Passar”; em 1997 o enredo da Imperatriz Leopoldinense foi “Eu Sou da Lira Não Posso Negar”.
No
mesmo ano, Rosamaria Murtinho viveu o papel de Chiquinha no teatro.
Em 1999, dirigida por Jayme Monjardim, a Rede Globo exibiu a minissérie que levou o nome da compositora que foi vivida na telinha por Regina Duarte, na maturidade e pela filha de Regina, Gabriela, na juventude.
Em
2006, no filme Brasília 18%, de Nelson Pereira de Souza, Bete Mendes fez o
papel de Chiquinha e Malu Galli, no filme Xangô de Baker Street.
Chiquinha Gonzaga morreu em 28 de fevereiro de 1935 deixando não apenas o seu legado artístico mas também o exemplo de independência feminina que, no seu tempo, as mulheres estavam longe de conquistar.
12 de outubro
1810, nasceu Nísia Floresta
Uma
das primeiras vozes brasileiras a reivindicar os direitos das mulheres,
Nísia Floresta baseou-se no trabalho da chamada “mãe do feminismo”, a
inglesa Mary Wollstonecraft, para escrever o seu primeiro livro, publicado
em 1832, e que fala do direito das mulheres ao trabalho e à independência.
Nesta época, nenhuma brasileira ousaria sequer contrariar o marido, quanto mais contestar em público, com fez Nísia, a autoridade dos homens sobre as mulheres.
Em
12 de outubro de 1810 nasceu Dionísia Gonçalves Pinto, ou Nísia Floresta
Brasileira Augusta, no Rio Grande do Norte.
O município onde ela nasceu se chamava Papari e hoje tem o nome dela.
Filha de Dionísio Gonçalves Pinto, um advogado português e de Antônia Clara Freire.
Nísia
tinha 13 anos de idade quando se casou com Manuel Seabra de Melo. Mas a
garota não gostou da brincadeira e, apenas alguns meses depois do casamento,
voltou para a casa de seus pais.
Em 1824 o Rio Grande do Norte estava à beira de uma guerra civil e a família dela resolveu se mudar. Em 4 anos, moraram em vários cidades: Recife, Olinda e Goiânia. Mas o pai de Nísia acabou morrendo assassinado, em 17 de agosto de 1828 e ela foi viver com um estudante de direito, Manuel Augusto de Faria Rocha. Tiveram uma filha em 12 de janeiro de 1830. Essa filha, Lívia Augusta, se transformaria em fiel escudeira da mãe nas viagens que fizeram à Europa e também traduziria suas obras.
Um
ano depois do nascimento de Lívia, Nísia começou a escrever para um jornal
feminino, o “Espelho das Brasileiras”.
Trinta artigos seus, analisando a condição das mulheres no Brasil e no mundo, foram publicados por este jornal.
Em 1832, com apenas 22 anos de idade, publicou seu primeiro livro: “Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens”, baseado na obra publicada 40 anos antes por Mary Wollstonecraft, “A Vindication of the Rights of Woman”, mas enfocando os inúmeros preconceitos sofridos pelas brasileiras e adotou o pseudônimo com o qual ficou famosa, Nísia Floresta.
Logo depois da publicação do livro, foi morar em Porto Alegre onde dirigiu um colégio para moças.
Seu segundo filho nasceu em 12 de janeiro de 1833, Augusto Américo e neste mesmo ano, em 29 de agosto, seu companheiro morreu subitamente, aos 25 anos de idade.
Como
acontecera na sua juventude, mais uma vez foi a guerra que fez com que Nísia
e seus filhos se mudassem para o Rio de Janeiro, em 1837, fugindo da
Revolução Farroupilha.
No Rio, Nísia fundou mais um colégio para moças.
Seu primeiro livro estava sendo um sucesso, já estava na terceira edição e ela publicou então aquele que viria a ser o seu livro mais traduzido: “Conselhos à Minha Filha”.
A condição da mulher brasileria e a exploração e exterminação dos nossos indígenas – numa época em que quase ninguém se preocupava com essas questões – foram os temas desenvolvidos por Nísia, que lançou mais quatro livros de 1845 a 1849.
No início de 1850 Nísia, com seus filhos, estava morando na Europa. Vendera as terras que herdara do pai para financiar sua estadia no Velho Mundo e fez amizade com intelectuais importantes, entre eles Victor Hugo, George Sand e Augusto Conte. Conheceu todo o continente euroupeu e também o Oriente. Estudou em Londres, Paris e Roma.
Mas mesmo longe de sua terra continuava a publicar livros e a escrever para os mais importantes jornais brasileiros.
Era abolicionista e lutava contra todos os preconceitos.
Publicou seus livros na França, depois na Itália e na Inglaterra.
Passou quinze anos na Europa e só voltou ao Brasil em 1872.
Seus
filhos ficaram lá, ambos já trabalhando.
Nísia ficou mais 3 anos no Brasil, dando conferências, escrevendo e falando contra a escravatura, pelos direitos dos negros e das mulheres.
Depois foi encontrar-se com seus filhos em Lisboa e nunca mais voltou ao Brasil. Continuou a escrever e a ser publicada em diversos países.
Nísia Floresta morreu na França, aos 75 anos de idade, em 24 de abril de 1885 e seus restos mortais so vieram para a sua cidade natal – que já tinha então o seu nome – em 1954.
08 de outubro
1807, nasceu Harriet Taylor-Mill
Imagine
a ousadia: uma mulher querer se intitular filósofa numa época em que se
acreditava que mulher sequer pensava, quanto mais filosofava; numa época em
que mulher raramente era alfabetizada (pra que, né? já que elas não
pensavam...), não podia falar em público, nem ter prazer sexual e muito
menos ser dona de seu dinheiro ou de qualquer bem que porventura herdasse,
já que tudo passava automaticamente ao marido, quando ela se casava.
Pois
Harriet não só escandalizou a sociedade britânica ao se apaixonar e viver um
caso de amor com um homem que não era o seu marido como também ao
desempenhar, reconhecidamente, uma enorme influência no trabalho intelectual
dele, principalmente nas obras que analisavam a condição social das
mulheres. O homem em questão era John Stuart Mill.
Harriet
Hardy nasceu em Londres em 8 de outubro de 1807 e aos 18 anos casou-se com
John Taylor e, com ele, teve três filhos. Mal acabara de lar a luz ao mais
novo quando conheceu John Suart Mill.
Eles se apaixonaram instantaneamente e passaram a ter um caso de amor acintoso, aparentemente com a conivência de John Taylor que parecia não se importar a mínima com isso. Ele saía à noite para seu clube sabendo que Mill chegaria para ficar com sua esposa. Se isso até hoje seria meio estranho, imagine na supostamente puritana sociedade Vitoriana.
Harriet foi membro da Kensigton Society, que produziu a primeira petição pela instituição do voto para as mulheres.
Também defendeu a participação da mulheres na vida política.
Harriet
acabou se separando de John Taylor em 1833 e levou com ela apenas a filha.
Os dois meninos ficaram com ele.
Casou-se com Mill somente depois da morte de Taylor. Ele morreu de câncer em 1849 e Harriet e Mill se casaram em 1851, depois de terem vivido juntos por 21 anos.
Harriet morreu em 1858 , com apenas 51 anos de idade, em 3 de novembro, por tuberculose.
Sua
filha, Helen, concluiu uma das suas obras inacabadas – The Subjection of
Women – junto com Mill.
Sobre ela, John Stuart Mill escreveu: “Da minha capacidade de interpretar o mundo, a metade dos grandes pensamentos e nobres sentimentos, foram enterrados junto com ela.”
06 outubro
1917, nasceu Fannie Lou Hamer
Se
hoje
vivemos a era Obama, isso só foi possível graças à militância política de
negros corajosos que enfrentaram a violência da discriminação nos Estados
Unidos.
Fannie Lou Hamer foi uma deles e nasceu no pior lugar para os negros americanos, no Mississipi, onde o preconceito e a intolerância eram maiores do que no resto do país.
Ela era neta de escravos e se tornou uma das mais conhecidas militantes na luta pela igualdade racial na América.
Fannie
Lou Towsend nasceu em Montgomery County, Mississipi, em 6 de outubro de
1917.
Tinha 19 irmãos e era a filha caçula.
Trabalhava na lavoura desde os 12 anos de idade e, no campo, aos 24 anos, conheceu o motorista de trator Pap Hamer e casou-se com ele.
Mas
foi só nos anos 1950 que Fannie uniu-se ao movimento afroamericano e sua
militância política era cristã. Tinha uma bela voz e cantava no coro da
Igreja.
Os negros, assim como as mulheres, já tinham direito ao voto no estado do Mississipi. Mas o voto, nos EUA, é facultativo. Então, os negros que se atrevessem a ir às urnas nas eleições passavam a ser perseguidos, perdiam o emprego e não conseguiam mais trabalhar.
Era
contra essas práticas e outras manifestações do racismo que o reverendo
Martin Luther King lutava.
No começo dos anos 1960 Fannie foi esterilizada, sem saber, por um médico que participava de um programa governamental destinado a diminuir o número de negros pobres no estado.
Fannie
foi ainda a primeira pessoa a se apresentar como voluntária quando Martin
Luther King se propunha a liderar um grupo de luta pelo direito real de voto
para os negros. No dia seguinte, perdeu o emprego e recebeu ameaças de morte
da Ku Klux Kan. Mas não desistiu.
Foi presa e torturada em 1963, sob uma falsa acusação.

Em 1964 tornou-se vice presidente do Partido Democrático da Liberdade do Mississipi, onde negros e brancos, que queriam o fim da discriminação racial tanto fizeram que conseguiram fazer com que o presidente Lyndon Johnson convocasse uma coletiva de imprensa para tentar se opor às acusações de Fannie Hamer.
O tiro do presidente saiu pela culatra. As TVs e rádios americanas deram tanto espaço a ela que a fizeram instantaneamente famosa em todo o país.
Em 1964 e 1965 ela concorreu às eleições para o Congresso.
Em
1968 era a delegada de Mississipi na Convenção do Partido Democrata e falava
contra a Guerra do Vietnã. E até o fim de sua vida continuou na luta pela
igualdade racial e pela paz.
Fannie Lou Hamer morreu de câncer de mama em 14 de março de 1977, com apenas 59 anos de idade.
No seu túmulo está escrito: “I am sick and tired of being sick and tired” (estou doente e cansada de estar doente e cansada).
01 de outubro
1847, nasceu Annie Besant
Antes
de Margaret Sanger, nos Estados Unidos e de Marie Stopes, na Europa, Annie
Besant foi a primeira mulher a falar em controle da natalidade.
Ela
era inglesa, mas escolheu viver na Índia (na foto à direita, com Ghandi).
Era também feminista e, em 1877, também foi presa, como Margaret anos depois, por divulgar “literatura obscena”, ou seja, folhetos que explicavam às mulheres os poucos métodos contraceptivos disponíveis na época.
Annie Besant era também mística e substituiu Helena Blavatsky na presidência da Sociedade Teosófica, quando esta morreu.
Foi ainda uma das
responsáveis pelo ressurgimento da Ordem Rosacruz na Inglaterra.
Annie Wood (Besant) nasceu em Londres em 1 de outubro de 1847.
Tinha 20 anos quando se casou com um religioso, o reverendo Frank Besant, com quem teve um casal de filhos e de quem se separou apenas 6 anos depois. Na separação, como era comum naquela época, ele ganhou a custódia dos filhos e Annie teve que se separar também das crianças.
Annie
queria que as mulheres tivessem os mesmos direitos dos homens, queria que
pudessem decidir quando ter ou não ter filhos, queria que os trabalhadores
tivessem saúde e segurança.
O primeiro sucesso do movimento socialista na Inglaterra foi dela: em 1888 foi ela quem liderou uma bem sucedida greve dos operários das fábricas de fósforos.
Mas
foi apenas em 1899, quando encarregada de escrever sobre o livro “A Doutrina
Secreta” de Madame Blavatsky, que Annie se encantou com a teosofia e
tornou-se imediatamente membro da Sociedade Teosófica.
Em
1903 foi morar na Índia e, em 1908, com a morte de Helena Blavatsky,
tornou-se presidente internacional da Sociedade Teosófica.
Comprou um jornal diário, participou da criação de uma importante Universidade e, com Marie Russal e James Wedgwood, fundou a Ordem Rosacruz da Inglaterra, mantendo estreito contato com Harcey Spenver Lewis, o americano responsável pelo ressurgimento da Ordem Rosacruz no moderno mundo ocidental
Mas
Annie não ficava muito tempo longe das confusões. Acabou em prisão
domiciliar, por ordem das autoridades colonialistas inglesas, já que ela se
posicionava o lado dos que lutavam pela liberdade da India, ainda sob o jugo
dos ingleses.
Aos 70 anos, porém, ela se tornou a primeira mulher a presidir o Congresso Nacional indiano, o título honorário mais alto daquele país.
Afastada
dos próprios filhos, Annie adotou um menino indiano que era considerado,
pelos teósofos, com a reencarnação de um mestre Krishnamurti.
Annie
Besant deixou várias obras como: Brahmavidya, Introdução ao Yoga, A Doutrina
do Coração, A Vida Espiritual, Cristianismo Esotérico e Os Mistérios do
Karma e Sua Superação.
Morreu
em Madras, a 30 de setembro de 1933, um dia antes de completar 86 anos.
24 de setembro
1862, nasceu Júlia Lopes de Almeida
Na
época em que ela nasceu, escrever não era coisa para mulher. Como tantas
outras atividades, a carreira de escritora era considerada imprópria para as
mulheres.
Mas,
mesmo assim, ela começou profissionalmente na Gazeta de Campinas, com apenas
19 anos e se tornou uma das mais importantes escritoras brasileiras e teve
filhos que também seguiram o mesmo caminho.
Feminista e abolicionista, Júlia foi uma das colaboradoras da famosa revista “A Mensageira” que reuniu as mulheres brasileiras de vanguarda do fim do século XIX e começo do século XX.
Júlia
Valentim da Silveira Lopes nasceu no Rio de Janeiro em 24 de setembro de
1862, filha do Dr. Valentim José da Silveira Lopes, médico e professor, e de
Adelina Pereira Lopes.
Passou a infância e a juventude na cidade de Campinas, no interior do estado de São Paulo e desde muito pequena queria ser escritora. Estreiou escrevendo no jornal em 1881.
Em 28 de novembro de 1887, casou-se, em Lisboa, com o escritor portugues Filinto de Almeida. Ele era editor da revista “A Semana”, no Rio de Janeiro, onde Julia escreveu por muitos anos.
Por
mais de três décadas ela escreveu regularmente também para o jornal “O
País”, onde começou várias campanhas em defesa dos direitos da mulher.
Júlia Lopes de Almeida publicou mais de 40 livros, romances, contos, literatura infantil, teatro, jornalismo, crônicas e obras didáticas. Foi a primeira brasileira capaz de viver apenas de seus escritos, fato raro até os dias de hoje. Reconhecida também fora do Brasil, recebeu homenagens em Paris, Lisboa e Buenos Aires.
Em 1885 foi morar numa chácara, a Santa Tereza, no Rio de Janeiro, local que se tornou um ponto de encontro de intelectuais e cientistas daquela época.
Em
1919 tornou-se presidente da Legião da Mulher Brasileira.
Ela participou também das reuniões para a criação da Academia Brasileira de Letras, mas não pode tornar-se membro da Academia por ser mulher.
Júlia Lopes de Almeida morreu em 30 de maio de 1934, aos 72 anos de idade. Deixou os filhos Afonso, Albano e Margarida, todos escritores.
16 de setembro
1977, morreu Maria Callas
Ela
foi a mais importante cantora lírica do século XX, seu estilo de cantar foi
uma revolução no mundo da ópera.
Menina
pobre, obrigada pela mãe a estudar e a aperfeiçoar sua voz, acabou se
tornando o grande amor do arqui milionário grego Aristóteles Onassis, por
quem ela deixou o marido.
Onassis, porém, apesar de ter se divorciado por causa dela, nunca quis se casar com ela e acabou se casando, por razões comerciais e políticas, com Jackie Kennedy, a charmosa viúva do Presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, assassinado em 1963.
Cecilia
Sophia Anna Maria Kalogeropoulos ou Maria Callas, nasceu em 2 de dezembro de
1923 em Nova Iorque. Filha de gregos, voltou para a Grécia com os pais em
1937.
Em 1942, com apenas 19 anos, começou a brilhar nos palcos.
Casou-se
com o homem que a empresariava, Giovanni Meneghini. Por 10 anos viveram
juntos até que, Onassis convidou o casal para um cruzeiro em seu iate,
querendo impressionar um príncipe árabe, com quem tinha grandes negócios no
transporte marítimo de petróleo. O príncipe era fã absoluto da Callas.
O que não estava nos planos era a paixão.
Onassis
tinha muitas amantes, mas com Callas foi diferente.
O amor dos dois fez com que ela se divorciasse, esperando casar-se com o milionário armador grego.
Para
ele, o caso com Callas fez com que sua mulher pedisse o divórcio, o que não
foi bom para os negócios dele, já que o sogro era também poderoso no mundo
dos transportes marítimos.
Callas e Onassis viveram um tórrido caso de amor por 9 anos, de 1959 a 1968. Estavam nas mais badaladas colunas sociais de todo o planeta, ela super estrela e famosa e ele um dos homens mais ricos do mundo.
Ela
o deixou quando ele casou-se com Jackie Kennedy, um dos casamentos também
mais comentados e badalados da década de 1960.
Onassis, abalado pelo casamento de conveniência com Jackie, pela morte acidental de seu único filho e pelos imensos problemas psicológicos e afetivos de sua filha Cristina, longe de Callas porque ela não o queria mais, acabou morrendo em 1975.
Dois
anos depois, em 16 de setembro de 1977, um ataque cardíaco matou Maria
Callas, de manhã, em sua casa em Paris.
Ela tinha apenas 53 anos de idade.
Em 1979 suas cinzas foram espalhadas no mar da Grécia.
10 de setembro
Ela
é a mãe de uma outra Mary, certamente mais conhecida do que ela: Mary
Shelley, a autora do inesquecível livro “Frankstein”.
Mary Wollstonecraff porém é considerada, pelas mulheres de vanguarda, uma escritora mais importante do que sua filha, pois é a primeira feminista da história.
Publicada em 1790, sua obra “Reivindicação dos Direitos do Homem” lançou as bases do pensamento feminista e marcou o início da luta das mulheres pela igualdade de direitos entre os sexos. Direitos estes que, no mundo ocidental, duzentos e doze anos depois da morte de Mary Wollstonecraft ainda não estão plenamente garantidos.
Ela
nasceu numa família de classe alta, em Londres, a 7 de abril de 1759.
Seu pai era um homem temerário, que gostava de negócios arriscados e acabou ficando pobre. Mas era também violento e espancava a mulher e as filhas.
Era Mary, na família, que tentava proteger as irmãs, Everina e Eliza, da fúria paterna.
Na
juventude, Mary trabalhou como dama de companhia de uma senhora de
temperamento difícil, Mrs.Dawson, e tinha duas amigas que, segundo ela
própria, a ajudaram a formar seus ideais: Fanny Blood e Jane Arden. Juntas,
elas frequentavam palestras e conferências e liam muito.
Foi a sua dura experiência com Mrs. Dawson que a inspirou a escrever o livro “Thoughts on the Education of Daughters” (Pensamentos sobre a Educação das Filhas).
Mary
deixou o emprego para viver com um homem mais velho e viúvo e em 1780 o
deixou também para voltar para casa e cuidar se sua mãe que estava à beira
da morte.
Enterrada a mãe, voltou a trabalhar como governanta, desta vez na Irlanda. Novamente, a vivência profissional, que desta vez incluía criança, a fez escrever “Original Stories from Real Life”, cuja primeira edição saiu em 1788.
Mas Mary não era mulher de se acomodar.
Em
1784 abriu uma escola num subúrbio de Londres, com sua irmã Eliza e uma
amiga. Acabou ficando próxima de Richard Price, ministro anglicano líder de
um grupo chamado “Dissidentes Racionais” que negava alguns dogmas de sua
própria religião, como o pecado original e o juízo final e publicara um
livro, em 1758, onde pregava que a consciência deveria ser o único juiz.
Price era amigo do editor Joseph Johnson que se entusiasmou com as idéias
avançadas de Mary e se dispôs a publicar seu primeiro livro.
Assim,
em 1786, saiu a primeira obra dela aquela que falava da educação das filhas
e analisava as restrições impostas às meninas para mantê-las ignorantes e
dependentes, de aparência dócil e espírito conformado.
Revoltada pelas poucas oportunidades que o mercado de trabalho oferecia às mulheres pobres, sempre em funções serviçais, Mary decidiu tentar viver da carreira de escritora em Londres.
Trabalhando
como assistente do editor J.Johnson, aprendeu o francês e o alemão, virou
tradutora, depois crítica e passou a frequentar a intelectualidade londrina
e conheceu gente importantes como Thomas Paine, Rosseau, Voltaire e William
Godwin.
Com este último, ela vivia brigando e acabaria, mais tarde, se casando.
Mas, nesta época estava apaixonada por um homem casado: o artista plástico Henri Fuselli. Foi apenas uma aventura.
Sua
irmã Eliza estava casada e o marido batia nela. Foi Mary quem a incentivou a
se separar numa época em que isso era um verdadeiro escândalo. Eliza teve
que se submeter aos trabalhos mais humildes, então, para garantir sua
sobrevivência.
Em 1790 Mary lançou o seu “Vindication of the Rights of Men” e ficou instantaneamente famosa. Dois anos depois, publicou “Vindication of the Rights of Woman”.
Estava
em Paris, divulgando seus livros e suas idéias sobre os direitos da mulher
quando conheceu o americano Gilbert Imlay, por quem se apaixonou. Ela queria
casamento. Ele, sexo (acho que já ouvi essa história antes...kkkk...). Em
maio de 1794 nasceu a primeira filha de Mary e ela lhe deu o nome de Fanny,
em homenagem à sua grande amiga na juventude. Agora eram duas irmãs a
escandalizar a sociedade do século XVIII: uma separada e a outra mãe
solteira.
Em 1794 publicou “Historical and Moral View of the French Revolution”. França e Inglaterra entraram em guerra. Mary escapou de ser presa porque passava por esposa de Imlay, embora, em Londres, suas irmãs e seus amigos julgassem que ela tivera o mesmo destino de todos os ingleses residentes em Paris: atrás das grades ou guilhotinados.
Com medo, Mary voltou para seu país e Imlay nem sequer se preocupou em escrever para ela.
Em maio de 1795, Mary tentou o suicídio. Depois, viajou com a filha e uma empregada para a Escandinávia, onde Imlay fora fazer negócios. A viagem a inspirou a publicar “Letters Written During a Short Residence in Sweeden, Norwy and Dennamark”, em 1796. Mas sua relação com Imlay estava irremediavelmente acabada.
Desesperada, voltou para Londres e tentou novamente se matar atirando-se no rio Tâmisa. Foi salva antes de se afogar.
Então ela foi retomando suas antigas amizades, conheceu Sarah Siddons, a maior atriz dramática da época e reencontrou William Godwin. Ele havia lido todos os livros de Mary e passara a admirá-la. Apaixonou-se por ela. Casaram-se, mas moravam em casas separadas pois queriam continuar independentes. Ela dizia que o casamento era uma espécie de prostituição legal.
Em 30 de agosto de 1797 Mary teve sua segunda filha: a Mary que se casaria com o grande poeta Shelley e escreveria um dos livros mais lidos e filmados do mundo, Frankstein.
Mary
Wollstonecraft, a primeira feminista, morreu vítima do descaso e da
ignorância com relação à saúde da mulher. Naquele tempo, nos hospitais, os
médicos faziam o exame de toque numa fileira de grávidas e não lavavam as
mãos entre um exame e outro. Mary pegou uma infecção e morreu apenas 11 dias
depois de dar a luz à sua filha, em 10 de setembro de 1797.
No Brasil a primeira tradução das obras de Mary foi feita pela feminista Nísia Floresta, ainda no final do século XIX.
Nos anos de 1960, quando o feminismo começou a frequentar as universidades, Mary Wollstonecraft foi redescoberta pela intelectualidade e considerada então uma pensadora muito à frente de seu tempo que, 70 anos antes das primeiras manifestações sufragistas, já afirmava que as mulheres têm a mesmíssima capacidade que os homens e que, portanto, devem ter os mesmos direitos.
06 de setembro
1966, morreu Margaret Sanger
Até
hoje ela é criticada por setores de ultra direita que costumam classificá-la
como genocida.
Tudo
isso porque ela foi a grande pioneira da luta pelo direito das mulheres à
contracepção.
No começo do século passado, em Nova Iorque, ela começou a divulgar os poucos métodos contraceptivos disponíveis.
Foi presa, processada e exilada. Mas acabou vencendo.
Margaret Louise Higgins nasceu em 14 de setembro de 1879, no estado de Nova Iorque, nos EUA.
Era
filha de irlandeses e, quando sua mãe morreu, com apenas 50 anos de idade,
Margaret, que tinha 11 irmãos, atribuiu a morte da mãe ao excesso de
gravidezes e partos a que esta fora submetida.
Naquele tempo, as mulheres tinham como única perspectiva de realização, a constituição da família. É claro que já existiam aquelas que exerciam alguma outra atividade ou profissão e, no começo do século XX, muitas e muitas mulheres se dedicavam à luta sufragista e pela igualdade social entre os sexos. Mas eram todas exceções.
Em 1900, Margaret já era enfermeira. Em 1902, casou-se com William Sanger. Na década de 10, o casal Sanger vivia na cidade de Nova Iorque e freqüentava seus altos círculos intelectuais.
Em
1912 ela começou a escrever para um importante jornal uma coluna intitulada
“O que toda mulher deveria saber”, onde falava da necessidade da educação
sexual e das práticas (poucas, é verdade) disponíveis para se controlar a
natalidade. Ela acreditava que nenhuma mulher poderia ser livre se não
controlasse seu próprio corpo. A partir de 1914 iniciou a publicação de um
panfleto intitulado “Mulher Rebelde”, onde enfocava temas como a luta pelos
direitos femininos e também a contracepção.
Foi perseguida, acusada de divulgar a pornografia, presa e condenada. Teve que se exilar na Inglaterra, para fugir à prisão e passou um longo ano longe do marido e dos filhos.
Ora,
o movimento feminista, nessa época, era realmente muito forte na Inglaterra,
berço de Mary Wollstonecraft (a mãe da Mary Shelley, autora de Frankstein, e
considerada também a mãe do feminismo moderno) e Margaret logo se uniu às
militantes inglesas, aprendendo ainda mais com elas.
Quando voltou aos EUA foi imediatamente presa. Mas seus escritos tinham alcançado uma aceitação tão grande entre as mulheres de todo o país, que a própria primeira dama escreveu ao promotor, interferindo em favor de Margaret. Resultado: ela foi absolvida de todas as acusações.
Foi
presa outras vezes depois. Em 1916 fundou uma clínica de controle da
natalidade.
E, por toda a sua vida, lutou para que as mulheres tivessem o direito de decidir se queriam ou não ter filhos.
Margaret dicorciou-se de William Sanger em 1920 e se casou, dois anos depois, com Noah H. Slee.
Em
1921 ela fundou a Liga Americana de Controle da Natalidade (rebatizada em
1942 como Federação Americana de Planejamento Familiar).
Em 1923 ela teve a sua primeira vitória, quando o Congresso americano aprovou uma lei que autorizava os médicos a informar suas pacientes sobre métodos contraceptivos.
De 1920 a 1930 Margaret viajou pela Europa e pela Ásia, dando palestras defendendo suas idéias.
Na década de 1920 ela conheceu a bióloga e feminista Katharine McCormick. Ficaram muito amigas e eram companheiras na busca de soluções para que as mulheres não ficassem à mercê de gravidezes indesejadas. Katharine era milionária e, por influência de Margaret, resolveu financiar a pesquisa da pílula anticoncepcional. Foi ela quem investiu nas pesquisas de dois cientistas que culminaram na descoberta da pílula, Drs. Gregory Pincus e John Rock.
A
pílula anticoncepcional surgiu no começo dos anos 60, quando Margaret já
tinha mais de 80 anos de idade. Mas só em 1965 os americanos reconheceram
legalmente o direito ao planejamento familiar.
Margaret Sanger morreu em 6 de setembro de 1966, poucos meses depois de ver suas idéias finalmente reconhecidas.
Ela
estava com 86 anos de idade.
Se hoje podemos ir tranqüilamente ao ginecologista e escolher um, entre os muitos disponíveis, método contraceptivo; se hoje podemos ser donas de nossos corpos e não precisamos mais, como as nossas mães, recorrer aos abortos clandestinos e cruéis, devemos isso também às mulheres corajosas e idealistas que muito lutaram, como Margaret Sanger.
27 de agosto
1934 nasceu Sylvinha Telles
Quase
ninguém se lembra,
mas Sylvinha Telles foi a primeira cantora a embarcar totalmente na onda da
Bossa Nova.
Gravou
mais de 50 músicas de Tom Jobim.
Mãe da cantora Claudia Telles e irmã do cantor e poeta Mário Telles, Sylvinha era um tremendo sucesso quando, aos 32 anos, morreu estupidamente num acidente de carro numa rodovia do estado do Rio de Janeiro, próxima à cidade de Maricá.

Ela nasceu carioca da gema, em 27 de agosto de 1934.
Tinha 20 anos quando começou a cantar profissionalmente.
Foi ela a estrela do show com Carlos Lyra onde, pela primeira vez, se falou em “Bossa Nova”. O ano era 1958.
Nessa
época era namorada de João Gilberto e foi fazer o espetáculo às escondidas
dele, que não queria ver a amada no palco (bem ao contrário dos homens de
hoje... kkkk...)
Seu primeiro LP foi lançado em 1957 (LP = “bolacha” de vinil, pra quem não sabe, pai do CD, chamava-se “long player” e rodava nas antigas vitrolas, em 33 rotações por minuto, tinha 12 músicas de cada lado. O avô do CD era um vinil bem mais duro e quebrável e tinha apenas 1 música de cada lado, rodava em 78 rpm).
Mas
o seu primeiro mega sucesso veio com o disco Sylvia, de 1959. Em 1961
– época em que isso não era comum – foi gravar nos Estados Unidos.
Claudia
Telles, a atual cantora, nasceu do casamento de Sylvinha com Candinho, um
violonista que gravava com ela.(foto)
O casamento acabou quando a filha deles tinha apenas 3 meses de idade.
Aloysio de Oliveira, o famoso produtor que tinha sido um dos integrantes do “Bando da Lua”, a banda de Carmen Miranda que fez sucesso com ela nos Estados Unidos, foi o segundo marido de Sylvinha.
Completamente
engajada no movimento da Bossa Nova, ela foi a primeira a gravar todos os
papas desse gênero musical que acabaria por conquistar o mundo: Vinicius de
Moraes, Tom Jobim, Tito Madi, Carlos Lyra...
No
entanto, afirma Claudia Telles, a participação de sua mãe na Bossa Nova é
frequentemente esquecida quando se conta a história da MPB.
No auge do sucesso da Bossa Nova, havia uma rivalidade mortal entre a Música Popular Brasileira e a turma da Jovem Guarda, o iê-iê-iê. A primeira era a predileta dos moços politizados do anos 1960 que acreditavam que a turma do iê-iê-iê fosse um bando de burguesões alienados politicamente.
Só
alguns anos mais tarde, nomes importantes da bossa nova e da MPB, como Elis
Regina, Nara Leão e Maria Bethânia, romperam a briga gravando canções de
Roberto e Erasmo Carlos.
Mas Sylvinha não tinha preconceitos. Foi a primeira cantora do lado “politizado” a gravar o “alienado” Roberto Carlos.
Foi ela também quem recebeu o então desconhecido Caetano Veloso, que vinha para o sul tentar construir uma carreira.
Em
1966, Sylvinha e Edu Lobo foram se apresentar na Alemanha e estavam se
preparando para voltar aos palcos americanos quando ela morreu (como 11 anos
depois morreria Maysa) num acidente de automóvel (ou máquina de moer carne),
no dia 17 de dezembro de 1966.
21 de agosto
1889 nasceu Cora Coralina
Como
todos os escritores de verdade, Cora Coralina começou a escrever quando
ainda criança.
No
entanto, foi só em 1965, aos 76 anos de idade, que ela publicou seu primeiro
livro. E foi somente em 1979, aos 90 anos, que alcançou o reconhecimento da
crítica, quando Carlos Drummond de Andrade, o grande poeta, escreveu a ela:
“Admiro e amo você como alguém que vive em estado de graça com a poesia;
seu livro é um encanto, seu lirismo tem a força e a delicadeza das coisas
naturais.”
Ana
Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, ou Cora Coralina, nasceu em Goiás, na
Vila Boa, em 21 de agosto de 1899. Seu pai, Francisco Lins do Guimarães
Peixoto, era desembargador, tendo sido nomeado para o cargo pelo nosso
Imperador D.Pedro II.
A
casa onde nasceu foi construída nos anos 1700 e comprada por sua família no
início do século XIX. Ainda está lá e hoje abriga o centro cultural dedicado
à memória da poeta.
Cora tinha 14 anos quando publicou seu primeiro conto no Anuário Histórico Geográfico e Descritivo de Goiás: “Tragédia na Roça”. Foi então que começou a assinar com o pseudônimo de Cora Coralina.
Aos
21, Cora se casou com Cantídio Tolentino Barros, um advogado, e foi para São
Paulo, tendo morado em algumas cidades do interior e, em 1924, se mudado
para a capital.
Foi
na cidade de São Paulo que seu marido morreu, deixando Cora com 3 filhos
para criar. Naquele tempo, poucas eram as oportunidades de emprego para
mulheres e ela resolveu sobreviver primeiro vendendo livros e depois
cozinhando, fazendo linguiças, banha de porco e doces. Foi morar no
interior de São Paulo onde viveu, em várias cidades, até 1956, quando voltou
para Goiás.
Mas,
durante toda a sua vida, escrevia.
A editora José Olympio publicou seu livro de estréia, em 1965 - Poemas dos Becos de Goiás. Cora tinha 76 anos de idade. O segundo livro só veio 11 anos depois – Meu Livro de Cordel – e o terceiro em 1983 – Vintém de Cobre.
Foi eleita, neste mesmo ano, pela União Brasileira de Escritores, a Intelectual do Ano e foi a primeira mulher a ganhar o Prêmio Juca Pato.

“Que
eu possa dignificar minha condição de mulher – escreveu ela – aceitar suas
limitações e me fazer pedra de segurança dos valores que vão desmoronando”.
Cora Coralina morreu, aos 95 anos, em 10 de Abril de 1985. Duas obras póstumas suas foram publicadas.
16 de agosto
1930, nasceu Glauce Rocha
Ela
foi uma das mais importantes atrizes brasileiras, mas, desde criança,
sonhava em ser médica.
A vida, no entanto, a levou por caminhos bem diferentes.
Glauce Rocha se tornou atriz numa época politicamente difícil do Brasil, em plena ditadura Getúlio Vargas, quando as atrizes eram consideradas, oficialmente, prostitutas e recebiam, dos órgãos do governo, a mesma “carteirinha” de identificação.
Glauce foi uma das primeiras atrizes a lutar pelo reconhecimento da sua profissão.
Glauce
Elddé Araújo Rocha nasceu em 16 de agosto de 1930, na cidade de Campo
Grande, filha de Leopoldino de Araújo Rocha, migrante alogoano e soldado do
exército, e de Edelweiss Ilgenfritz Rocha, gaúcha criada em Campo Grande;
era a caçula de quatro irmãos.
O pai de Glauce morreu assassinado quando ela tinha apenas 5 anos de idade. Mas por toda a vida ela pode se lembrar, com detalhes, desse acontecimento.
Glauce
era estudiosa e sempre se saiu bem na escola. Adolescente, foi mandada para
Minas, num internato católico, dirigido por freiras. Com 17 anos voltou para
Campo Grande para continuar seus estudos.
Com
19, foi morar com os avós, em Porto Alegre, para se preparar para o
concorrido vestibular de Medicina. Lá, foi colega de classe do futuro ator
Walmor Chagas. Depois, foi para o Rio para fazer o exame para a faculdade.
Não passou. Morava num pensionato e aceitou o convite de uma amiga para ir a
um curso de línguas. No mesmo prédio, funcionava o Curso Prévio de Teatro.
De
repente, Glauce abandonou o cursinho pré vestibular, esqueceu a Medicina e
se apaixonou pela arte de interpretar. Matriculou-se no Conservatório
Nacional de Teatro.
Começou a carreira em 1950, fazendo peças infantis.
Em
1952, estava na Companhia Alda Garrido e, ainda nesse ano, alcançou sucesso
de crítica e de público.
Foi para a TV e para o cinema.
E se tornou conhecida, no meio artístico, pela incrível capacidade de trabalho. O dia inteiro na TV, à noite no teatro e ainda conseguia tempo para fazer cinema, lutar politicamente pela regulamentação da carreira de ator e contra a censura (que tanto na ditadura de Getúlio quanto na ditadura militar campeava solta nos meios de comunicação do país).
Acontece
que para fazer tudo isso, Glauce tomava remédios para dormir e remédios para
acordar. Fumava muitíssimo. Abusava da saúde.
Também não era feliz no amor. Casou-se com o ator Milton Costa em 1952 e logo se separou dela. Teve vários companheiros e nenhuma relação ia para a frente. Seu último companheiro foi o médico psiquiatra Joaquim da Silva Nunes.
Muito
presente no Cinema Novo, Glauce teve vários problemas com a censura.
Participou de clássicos como Rio 40º, de Nelson Pereira dos Santos, em 1955
e Terra em Transe, de Glauber Rocha, em 1967.
Em 1970, sua mãe morreu de infarte.
E Glauce que, como a mãe, era uma fumante inveterada, começou a colecionar artigos sobre as doenças do coração. Seus camarins viviam cheios de cinzeiros e de caixinhas de remédios. E ela continuava trabalhando demais.
Estava
fazendo a novela da TV Tupi, o Hospital, quando, em 12 de outubro de 1971,
um ano depois da morte de sua mãe, o infarte a pegou. Morreu na Unidade
Cardiológica da Alameda Santos, em São Paulo, às cinco da tarde. Tinha
apenas 41 anos, era famosa, mas pobre.
Filmes de Glauce Rocha:
1972
- Cassy Jones, o magnífico sedutor
1971 - Um homem sem importância
1970 - Roberto Carlos e o diamante cor-de-rosa
1970 - O dia marcado
1970 - Navalha na carne
1969 - Incrível, fantástico, extraordinário
1969 - Tempo de violência
1968 - Na mira do assassino
1968 - Jardim de guerra
1967 - Terra em transe
1966 - Engraçadinha depois dos trinta
1966 - A derrota
1965 - O beijo
1963 - Marafa (inacabado)
1962
- Quatro mulheres para um herói
1962 - Sol sobre a lama
1962 - Cinco vezes favela
1962 - Os cafajestes
1961 - Mulheres e milhões
1959 - Helena (inacabado)
1959 - Um caso de polícia
1958 - Traficantes do crime
1957 - O noivo da girafa
1955 - Rio, 40 graus
1954 - Rua sem sol
1952 - Aventura no Rio
1952 - Com o diabo no corpo
1950 - Aviso aos navegantes
11 de agosto
1253, morreu Santa Clara, Padroeira da TV.
Ela
é a imagem feminina dos franciscanos. É o ideal de São Francisco na versão
das mulheres. Em 14 de fevereiro de 1958, o papa Pio XII a transformou na
santa padroeira da televisão, já que, um ano antes de morrer, ela,
impossibilitada de sair do leito, teve a visão de tudo o que estava
acontecendo numa missa celebrada em seu convento e narrou as imagens, com
precisão, para as Clarissas, suas discípulas.
Nascida em berço de ouro, a menina Clara deixou para trás todas as riquezas para ir viver literalmente numa pobreza franciscana, unindo-se ao grupo de São Francisco de Assis.
Em sua busca de um maior sentido para a vida, renunciou até aos seus longos cabelos louros, que foram cortados pelo próprio Francisco.
Caetano Veloso fez uma música para ela. Diz “Santa Clara, clareai”.
Ela
nasceu Chiara d’Offreducci.
Sua mãe, Hortolona teve uma gravidez muito complicada. Passou mal, quase perdeu o bebê, mas pediu aos céus que lhe fosse dada a graça de conceber aquele filho, que, ela sabia, com aquela intuição que só foi concedida ao sexo feminino, seria alguém muito especial e que faria diferença no mundo.
Em meio a muitas dores, finalmente, em 11 de julho de 1193, Hortolona deu à luz. Era uma menina, de límpidos olhos, e a mãe, agradeceu ao Universo, por ser ela, de gestação tão difícil, perfeita e sadia. Aquilo era uma benção! Era realmente a luz. E, por tudo isso, por sentir-se, naquele momento, agraciada e iluminada, Hortolona resolveu dar à filha o nome de Clara, para que esta viesse também a iluminar o mundo.
Clara foi criada como todas as meninas muito ricas de seu tempo. Mas, à medida que crescia, perguntava-se por que todas as meninas do mundo não tinham a mesma sorte que ela. E, por sorte, ela compreendia o grande amor que sentia em sua família, a fartura de sua mesa, a saúde, a vitalidade de seu corpo e sua beleza extrema, abençoada pelos vastos cabelos louríssimos e aqueles olhos azuis.
A
medida que ia crescendo, a menina se perguntava qual seria a razão de todas
as pessoas, no mundo, não desfrutarem de tudo aquilo que ela própria
desfrutava. Perguntava-se também, frequentemente, sobre os muitos mistérios
da vida. O que, afinal, estariam os seres humanos, as flores, os bichos e as
plantas a fazer sobre a face da terra? Que mistério era aquele de, de
repente, nascer e ter consciência (teriam as árvores e os bichos,
consciência também?) e, também de repente, morrer? Morrer e acabar? Ou
haveria alguma espécie de vida depois da morte?
Já adolescente, viu sua família animada, pensando num bom casamento para ela. Um rapaz de sua classe social, com quem ela pudesse ter lindos filhos e seguir assim o curso de prosperidade e nobreza de sua própria estirpe. Mas Clara estava mais interessada nos mistérios da vida. Ouvira falar de um grupo de pessoas que, renunciando às riquezas mundanas, dedicava suas vidas à meditação, à discussão dos mistérios, ao trabalho social e ao cuidado dos animais e das plantas. O líder deles se chamava Francisco e era um homem que, cada vez mais, tinha reconhecida publicamente a sua extrema bondade e compreensão. Também se dizia que aquelas pessoas, vivendo na maior simplicidade, traziam no rosto a alegria e nos olhos a benevolência.
Um dia, aos dezoito anos de idade, para desgosto de sua família, Clara fugiu de casa e foi se unir ao grupo de Francisco, na Porciúncula. Cortou seus lindos cabelos louros, abdicou de toda a fartura e de todos os privilégios, aos quais estava acostumada, para dedicar sua vida aos pobres, aos bichos, à reflexão e à meditação que talvez pudessem levá-la a atingir um sentido maior para a vida.
É que ela já compreendera que os seres humanos não são apenas esses indivíduos isolados que o ego nos faz crer. Ela compreendera que aquilo que acontece a um ser humano afeta a todos, que somos um grande corpo, que estamos indissoluvelmente unidos e interdependentes.
Assim,
Clara fundou o ramo feminino da Ordem Franciscana, que é também conhecido
como Damas Pobres ou Clarissas.
Houve aquele dia em que as irmãs se sua congregação saíram, como sempre, às ruas para pedir donativos para os pobres que iam ao mosteiro. Voltaram desanimadas, porque quase nada haviam conseguido arrecadar. Vendo o desânimo delas, Clara apenas disse: “Confiem em Deus”. Quando as moças voltaram para pegar a sacola onde estavam os poucos donativos que receberam, viram que já não a podiam carregar. Tudo o que estava lá dentro tinha se multiplicado.
Clara foi feliz no grupo de Francisco e lá viveu pelo resto de seus dias. Sua natural sabedoria fez com que ela se tornasse a líder feminina do grupo e suas lideradas eram então chamadas de clarissas.
Houve uma ocasião em que um bando de malfeitores sarracenos tentou atacar a sede do grupo. Clara, numa súbita inspiração, saiu à rua, onde os bandidos atacavam, carregando uma linda taça dourada que era usada em celebrações. O sol, como seu aliado, mandou seus raios diretamente para a taça e o reflexo foi tão forte, criando uma luz tão incrível, que os homens recuaram apavorados e fugiram.
Muitos anos depois, quando estava para morrer, impossibilitada de sair de seu leito, Clara lamentava não poder estar presente a um importante ritual que seu grupo celebrava. Mas, de repente, começou a ver, com absoluta clareza, tudo o que acontecia naquele momento no ritual. Narrou tudo às clarissas que a acompanhavam e elas, mais tarde, confirmaram que as visões de Clara estavam corretas.
Por isso, Clara tornou-se, em 1958, a padroeira da televisão.
Clara nasceu em 11 de julho de 1193 e morreu em 11 de agosto de 1253.
02 de agosto
1894, nasceu Bertha Lutz
Ainda
bem que aquele jornal carioca tinha um colunista machão que, em 1918,
escreveu um artigo dizendo que as brasileiras não sofreriam nenhuma
influência das lutas pelo direito ao voto para as mulheres; lutas que
explodiam, então, na Inglaterra.
Ainda bem porque, se não fosse o artigo machista, talvez Bertha Lutz não tivesse mergulhado com tanto ardor na iniciativa de reunir as mulheres brasileiras em movimentos sufragistas nacionais. Foi essa atitude que fez dela a maior líder na luta pelos direitos políticos do sexo feminino no Brasil.
Bertha
Maria Júlia Lutz nasceu em São Paulo, capital, no dia 2 de agosto de 1894,
filha da enfermeira inglesa Amy Fowler e do cientista pioneiro em Medicina
Tropical, Adolfo Lutz (com ela, na foto).
Educada na Europa, Bertha tinha apenas 17 anos quando descobriu os movimentos organizados de mulheres na Inglaterra, as sufragistas pioneiras, lideradas por Emmeline Pankhurst e suas filhas, Sylvia e Cristabel.
Berço do feminismo, a Grã Bretanha era o país natal de Mary Woolstonecraft, considerada a primeira feminista da história, nascida no século XVIII e mãe da autora de “Frankstein”, a escritora Mary Shelley.
Bertha
estudou na Inglaterra e na França, formando-se na Sorbonne em Ciências
Naturais.
Só voltou ao Brasil em 1918, prestou concurso para o Museu Nacional e se tornou a segunda mulher a trabalhar como funcionária pública no Brasil.
Foi aí que apareceu aquele artigo machista no jornal carioca e o sangue de Bertha ferveu.
Em
1919 ela fundou a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, de onde
acabaria derivando uma organização poderosa: a Federação Brasileira pelo
Progresso Feminino, da qual ela foi presidente e que liderou a campanha
sufragista (pelo direito de voto feminino) em nosso país.
Mas Bertha foi mais longe. Em 1922 foi eleita vice presidente da Sociedade Panamericana da Liga Internacional das Mulheres Eleitoras, em Assembléia realizada nos Estados Unidos.
O
escritor Lima Barreto, machista como a maioria dos homens daquela época,
ficou incomodado com a projeção de Bertha na imprensa e também na ciência.
Em 6 de maio de 1922 escreveu na então badalada revista Careta:
“Agora temos a faladora Bertha
Lutz que foi aos Estados Unidos, em Baltimore, creio, dizer que as moças do
Brasil se dedicam a ensinar crianças. Grande novidade! Uma coisa, porém, não
disse e é que as moças do Brasil se fizeram arautos do feminismo
burocrático. O que elas querem é ser escriturárias, mediante concursos
duvidosos, em que entram influências ‘brunísticas’, para que tirem os
primeiros lugares. Isto é o feminismo à Bruno Lobo, quando não é à Carlos
Chagas”
Mas Bertha continuava com sua brilhante atuação política em prol das mulheres. Em 1929 participou da criação da União Universitária Feminina.
Foi só dez anos depois do ingresso das brasileiras na Liga Internacional das Mulheres Eleitoras que um decreto lei do presidente Getúlio Vargas estabeleceu o direito das mulheres de votarem e serem votadas.
Bertha
foi eleita suplente na Câmara Federal e, em julho de 1936, assumiu a cadeira
de deputada, com a morte do titular, Cândido Pereira.
Como deputada, ela propunha mudanças na legislação do trabalho da mulher e do menor, licença maternidade (que só conquistamos nos anos 1990), redução da jornada de trabalho (que era de 13 horas) e – algo que quase um século depois ainda não temos – igualdade salarial.
Mas a alegria durou pouco. Em novembro de 1937 o presidente Getúlio Vargas se tornou ditador e fechou o congresso. Bertha perdeu o mandato mas continuou em seu trabalho público como chefe do setor de botânica do Museu Nacional, cargo que ocupou até sua aposentadoria em 1964.
“As pessoas respeitavam Bertha Lutz pelo que ela era dentro e fora do Museu Nacional. Ninguém mexia com a Dra. Bertha Lutz”, disse certa vez Esmerladino de Souza, que trabalhou como assistente dela.
Atuante
na política e na ciência, Bertha realizou inúmeras descobertas na área de
zoologia e botânica, além de preservar a herança do trabalho realizado por
seu pai, brilhante cientista como a filha.
A ONU estabeleceu o ano de 1975 como Ano Internacional da Mulher e Bertha, a convite do governo brasileiro, integrou a delegação do nosso país no I Congresso Internacional da Mulher, que aconteceu na cidade do México e reuniu as mais importantes lideranças femininas do planeta. Tinha 81 anos e este foi seu último ato público em defesa dos direitos das mulheres.
Bertha Lutz morreu no ano seguinte, 1976, em 16 de setembro.
27 de Julho
1792, nasceu Maria Quitéria
Como
é que podia ser uma coisa dessas? Todo mundo, na Bahia, lutando ferozmente
para expulsar os portugueses e tornar o Brasil um país independente e ela
não? Ela também queria entrar na briga. Mas, naquele tempo de 1821, mulher
era proibida de tanta coisa, tanta coisa... Imagine se ia poder lutar! Nem
pensar!
Maria Quitéria não era uma mocinha tola, conformada. Um dia, olhando o uniforme militar do cunhado, teve uma idéia.
Roubou a farda, vestiu-se de homem e se mandou para o campo de batalha, onde se apresentou não só com a roupa, mas também com o nome e a patente do cunhado: José Cordeiro de Medeiros.
Maria Quitéria de Jesus nasceu no dia 27 de julho de 1792 no Arraial de São José das Itaporocas na comarca de Rosário do Porto de Cachoeira, atual município de Feira de Santana, na Bahia.
Era a filha mais velha de Gonçalo Alves de Almeida e Quitéria Maria de Jesus, por isso, quando sua mãe morreu, em 1803, coube a ela, com apenas 11 anos de idade, toda a responsabilidade do trabalho doméstico.
Gonçalo casou-se de novo e logo essa nova esposa morreu.
Ele então partiu para o terceiro casamento, desta vez com Maria Rosa Brito, com quem teve mais três filhos. Mas esta nova madastra não gostava nem um pouco da independência de Maria Quitéria que estudava, sabia usar armas de fogo, montava como o melhor cavaleiro e caçava como o melhor caçador.
Maria Quitéria estava noiva no ano de 1821 e a Bahia começava a se mobilizar pela independência do Brasil.
Quando a vila de Cachoeiro resolveu apoiar a regência de D.Pedro I, um navio português que estava na costa baiana abriu fogo contra a cidade. E começou a briga entre os baianos e os portugueses, que só terminaria em 2 de julho de 1823, com a expulsão definitiva dos portugueses.(Por isso, na Bahia, a comemoração da Independência acontece em 2 de julho e não em 7 de setembro, como no resto do país).
Quando a luta pela independência começou, Maria Quitéria não se conformava em ficar de fora. Fugiu de casa, alistou-se como se fosse homem, mas a brincadeira durou apenas quinze dias. Seu pai saiu à procura dela e acabou descobrindo a travessura.
No entanto no batalhão onde ela se alistara estava o avô do poeta Castro Alves, o Major José Antonio da Silva Castro. Impressionado com a determinação de Maria Quitéria permitiu que ela continuasse a lutar e até inventou um uniforme para ela, com uma saia escocesa.
E a moça foi um sucesso. Era boa de briga e competente com as armas. Recebeu homenagens do exército e quando, em 2 de julho de 1823, o Exército Libertador fez sua entrada triunfal na cidade de Salvador, Quitéria foi ovacionada pelo povo.
O
Imperador a condecorou com a insígnia dos Cavaleiros da Imperial Ordem do
Cruzeiro.
A família a recebeu como heroína e ela acabou se casando com Gabriel Pereira de Brito, e teve a única filha, Luísa Maria da Conceição.
Porém, como a memória é curta, Maria Quitéria – que tinha 31 anos quando se tornou heroína, morreu esquecida, aos 61, em 21 de agosto de 1853. Estava viúva e quase cega.
Fernando Henrique Cardoso, quando presidente do Brasil, foi quem lembrou-se dela e, em 1996, a fez Patrono do Quadro Complementar do Exército Brasileiro.
19 de julho
1967, morreu Luz Del Fuego
Ela
foi o delírio erótico de toda uma geração de brasileiros. Vedete do teatro
de revista, dançava nua, com cobras enroladas no corpo e inventou o biquini
muito antes de alguém pensar em diminuir o grande traje de banho que as
mulheres usavam naquele tempo.
Era
tão ousada que sua família, escandalizada, costumava interná-la em
hospícios, achando que ela não podia ser normal. A sociedade também pensava
parecido pois várias vezes a colocaram atrás das grades das cadeias.
Luz Del Fuego criou a primeira colônia de nudistas do Brasil, numa ilha. E a sua ilha ficou mundialmente famosa. Astros de Hollywood se hospedaram lá mas foi também lá, na sua ilha, que Luz morreu assassinada.
Dora
Vivacqua, o verdadeiro nome dela, nasceu em 21 de fevereiro de 1917 na mesma
cidade que, mais tarde, nos daria Roberto Carlos: Cachoeiro do Itapemerin,
no estado do Espírito Santo. Era a décima de um time de 15 filhos do casal
Etelvina e Antonio.
Ainda criança, mudou-se com a família para Belo Horizonte.
Também
era criança quando se deixou fascinar pelas serpentes e, adolescente, aboliu
o sutiã, muito antes das feministas queimarem os seus em praça pública.
Nesta época, ao ir de férias às praias do seu estado natal, Dora amarrava um
lenço de cabeça sobre os seios, vestia uma calcinha e desfilava assim pelas
areias, muito antes da invenção do biquini e quando as mulheres usavam maiôs
que cobriam os ombros e iam até os joelhos.
É claro que Espírito Santo e Minhas Gerais eram pouco para a ambição da menina Dora. O que ela queria mesmo era ir viver no Rio ou em São Paulo. Conseguiu.
Quando seu pai foi assassinado e ela foi viver no Rio com um de seus irmãos mais velhos, Atílio.
Aos
19 anos se apaixonou por um jovem de família tradicional do Rio de Janeiro,
José Mariano Carneiro da Cunha Neto.
Atílio, seu irmão, tentando separar o casal (porque sabia que ia dor rolo) mandou Dora de volta para Belo Horizonte.
Ela então passou a morar com Angélica, uma de suas irmãs. Também não deu certo porque, um dia, Angélica flagrou o marido na cama, com Dora.
O marido de Angélica era um empresário de renome em Minas Gerais, era um ótimo casamento. Angélica e a família preferiram colocar a culpa em Dora e a internaram num hospício onde ela passou dois meses e perdeu dez quilos.
Achiles, um de seus irmãos, tirou-a do sanatório e a levou para viver na fazenda do outro irmão, Achilau.
Também não deu certo porque Dora resolveu desfilar pela propriedade vestida de Eva, usando apenas folhas de parreira. O irmão chiou e ela jogou um vaso na cabeça dele.
Resultado? Hospício de novo, mas, agora, no Rio de Janeiro.
Mais uma vez, foi salva por uma irmã, Mariquinhas, que a tirou de lá e a levou para morar com ela, em Cachoeiro.
Ela tinha apenas 20 anos quando fugiu para o Rio e foi viver com José Mariano, sem querer se casar com ele. Brigavam muito porque Dora não queria saber de monotonia. Quis ser paraquedista. Ele a impediu. Então ela foi estudar dança na academia de Eros Volúsia, a bailarina brasileira de sucesso internacional, filha da poeta Gilka Machado.
Foi
assim que, em 1944, Dora virou Luz Divina, abalando o Rio de Janeiro com um
temporada de apresentações no Circo Pavilhão Azul, anunciada como a mais
corajosa dançarina, já que ia para o palco com Cornélio e Castorina, um
casal de jibóias de estimação que se enrolavam pelo corpo de Dora.
E ela começou a ficar famosa. Virou Luz del Fuego em 1947, por sugestão do palhaço Cascudo.
Então, no alvorecer dos anos 1950, Luz era famosa, desejada e tinha conquistado o que a maioria absoluta das mulheres de seu tempo não tinha: a independência.
Estaria tudo maravilhoso, se não fosse... a família!
Seu irmão Atílio agora era senador. Como explicar a irmã vedete? Naquele tempo, vedete e prostituta significavam rigorosamente a mesma coisa para a opinião pública preconceituosa.
Luz escreveu um livro de memórias. Atílio quase enlouqueceu. Conseguiu comprar metade da edição e botou fogo nos livros.
Nessa
época, Luz começou a falar em nudismo. Ia com amigos para as praias desertas
do Rio e todos tiravam a roupa. Foram todos presos.
Aí, ela escreveu outro livro, “A Verdade Nua”. Desta vez a família nem precisou tomar providências, porque o livro foi imediatamente censurado e recolhido pela polícia.
Só que ela não desistia. Mandou fazer uma outra edição e vendia pelo correio. Ganhou um dinheirão e conseguiu arrendar uma pequena ilha, onde fundou sua primeira colônia de nudismo.
Durante toda a década de 1950 Luz excursionou Brasil afora, em turnês cujos cachês serviam também para as muitas doações que ela fazia a instituições beneficentes.
Mas o problema era mesmo a família. Irmão senador, cunhado empresário famoso em Minas, outros irmãos donos de estabelecimentos comerciais bem sucedidos.
Cada
vez que uma revista publicava reportagens e fotos de Luz o irmão senador
saía feito louco tentando comprar todas as revistas de todas as bancas de
jornais do país.
Mesmo assim, ele perdeu as eleições para governador do Espírito Santo porque os outros candidatos viviam dizendo que ele tinha uma “irmã demoníaca” que dançava nua com cobras enroladas no corpo.
Aí então ela criou o PNB, Partido Naturalista Brasileiro. Seu irmão senador conseguiu bloquear o registro.
Namorando nada mais nada menos que o Ministro da Marinha, Luz conseguiu uma ilha maior para instalar sua colônia nudista.
Foi assim que nasceu a “Ilha do Sol”, que se tornou a grande sensação do turismo carioca. Astros de Hollywood frequentavam a ilha. Seriam hoje os Brad Pitt e Angelina Jolie da vida. Eram Lana Turner, Ava Gardner, Tyrone Power, Errol Flynn, Glenn Ford, Cesar Romero, Brigitte Bardot... e outros. Jane Mansfield foi até lá com o marido mas não deixaram que ela entrasse porque ela se recusava a ficar nua. Steve Mac Queen teve um ataque histérico ao acordar com as cobras de Luz enfiadas em sua cama.
Era o auge do sucesso.
Mas como tudo que sobe um dia desce... a fama de Luz, a beleza, o exotismo, tudo isso foi saindo da moda, principalmente com a chegada dos revolucionários anos sessenta com seus jovens rebeldes para quem Luz era apenas um exemplo da exploração do sexo feminino.
A
Ilha do Sol já não era frequentada por astros de cinema, mas por gente
comum, entre eles os irmãos Alfredo Dias e Mozart Gaguinho, os assassinos
dela.
Quem descobriu o crime, ocorrido em 19 de julho de 1967, foram dois jornalistas, um de O Dia e outro da Última Hora, respectivamente Mauro Dias e Mauro Costa.
Alfredo foi preso e confessou. Mas Gaguinho resistiu à prisão e, trocando tiros com a polícia, matou um cabo. Só então as autoridades deram importância ao caso. A morte de Luz del Fuego não era nada demais, mas a de um cabo, em plena ditadura militar, era coisa séria. Gaguinho foi para o manicômio judiciário. Seu irmão cúmplice, Alfredo, se tornou evangélico na prisão e acabou escrevendo um livro, onde narra o crime em detalhes, chamado “A Tragédia da Ilha do Sol”.
Luz tinha apenas 50 anos quando morreu.
14 de julho
1972, morreu Leila Diniz
Ela
sacudiu o país. Os homens a desejavam e as mulheres a invejavam. A esquerda
a taxava de alienada política e a direita achava que ela era comunista.
Tudo
acabou, porém, quando o avião em que ela voltava da Austrália se esborrachou
no chão. Leila tinha apenas 27 anos quando morreu.
(foto de Antonio Guerreiro: Lelia e Betty Faria, muito antes de Madona...)
Atriz de novelas da Globo, mas fazendo também cinema à sério, Leila Diniz desafiava todos os preconceitos sexuais que, na época em que ela viveu, eram muito maiores do que são hoje, apesar da suposta liberdade dos jovens dos anos 60, cujo lema era “faça amor, não faça guerra”.
Ficou
famosa, principalmente, por falar tudo o que pensava, sem dar a menor bola
para a repressão da ditadura militar brasileira que prendia e exilava todo
mundo que ousasse pensar.
Leila era tão desbocada quanto Dercy Gonçalves e foi uma entrevista dela ao jornal “O Pasquim” (sucesso absoluto na época, porque ousava enfrentar, com bom humor, a caretice da ditadura) que fez o governo baixar de vez a censura prévia à imprensa. O decreto que instituiu a presença dos censores dentro das redações de jornais, revistas, rádios e TVs, ficou então conhecido como o “Decreto Leila Diniz”.
Leila
Roque Diniz nasceu no dia 25 de março de 1945, em Niterói. Estudou para ser
professora de crianças, cursando um segundo grau que, naquela época, se
chamava “Escola Normal” e formava bandos de moças para uma das poucas
profissões toleradas para mulheres.
Aos 17 anos, porém, Leila se apaixonou por Domingos de Oliveira, um cineasta que pertencia à vanguarda intelectual carioca, e se casou com ele.
Três anos depois o casamento acabou mas Leila, que já embarcara de vez na carreira de atriz e fazia teatro, foi convidada para ser a estrela do filme “Todas As Mulheres do Mundo”, cujo diretor era o seu ex-marido.
O
filme não só fez um tremendo sucesso como se tornou um clássico das telas
nacionais. Nele, Leila contracenava com Paulo José, Flavio Migliaccio, Joana
Fomm e outros.
Do sucesso no cinema para as novelas da Globo foi apenas um passo.
Leila
fez 14 filmes, 12 novelas de TV, inúmeras peças de teatro e ganhou alguns
prêmios internacionais como melhor atriz.
Casou-se novamente com outro diretor de cinema, Ruy Guerra, o moçambicano que foi parceiro de Chico Buarque na peça e na trilha musical da peça “Calabar”. Com Ruy, Leila teve sua filha única, Janaína.
Em
1969, entrevistada pelos criadores do “O Pasquim”, Tarso de Castro, Jaguar,
Sérgio Cabral (o pai do atual governador do Rio de Janeiro) e Millôr
Fernandes, criou todo um bafafá no Brasil da ditadura e acabou tendo que ir
se esconder para não ser presa (e, naquele tempo, prisão era também sinônimo
de tortura).
Flávio
Cavalcanti, então um famosíssimo apresentador de TV, muito criticado e
caluniado, vivia dando abrigo aos artistas endividados ou perseguidos pela
ditadura militar. Foi na casa dele que Leila se escondeu.
Quando a poeira baixou, Leila voltou aos palcos para estrelar o musical “Tem Banana na Banda” onde os autores (José Wilker, Millor, Luis Carlos Maciel e Oduvaldo Viana Filho) tentavam reerguer o gênero “teatro de revista”, que tivera seu auge no Brasil dos anos 1940 e 50.
Virgínia Lane, a vedete que fora a rainha absoluta deste gênero teatral declarou então que Leila era a nova rainha das vedetes. Não colou. Pegou mais o outro reinado: em 1971, Leila foi eleita Rainha da Banda de Ipanema.

O reinado não durou até o próximo carnaval.
Em 14 de julho de 1972 o avião que trazia, entre outros, Leila e o cantor Agostinho dos Santos, de volta da Austrália, explodiu perto de Nova Delhi, na Índia.
09 de Julho
1977, morreu Alice Paul
Alice
Paul foi uma importante sufragista americana e talvez uma das mais conhecidas
popularmente.
De 1907 a 1910 ela estudou na Inglaterra, onde militou com as sufragistas européias.
Em 1913, de volta aos EUA, Alice Paul fundou o Partido Nacional das Mulheres.
Em 1920 as americanas conquistarm o voto, graças à atauação de mulheres como ela e como Lucy Burns, sua amiga e companheira de movimento, e Alice passou a trabalhar pela igualdade de direitos entre homens e mulheres tendo apresentado uma emenda sobre a questão ao congresso em 1923.
Alice
Stokes Paul nasceu em 11 de janeiro de 1885, numa família quaker na fazenda de
seus pais em Mount Laurel, New Jersey, filha mais velha de William Mickle Paul I
e Tacie Parry.
Seu pai era banqueiro e homem de negócios e foi presidente de uma importante empresa. Alice teve dois irmãos, William Mickle Paul II e Parry Haines Paul e uma irmã, Helen Paul.
Alice
cursou três universidades, formando-se em assistência social e sociologia. Em
1907, aos 22 anos de idade, mudou-se para a Inglaterra onde estudou na
Universidade de Birmingham e na London School de Economia. De volta aos Estados
Unidos, na Universidade da Pennsylvania se tornou PHD em ciências políticas,
título recebido em 1912.
Enquanto em Londres, ela foi ouvir uma conferência de Christabel Pankhurst, filha da famosa sufragista Emmeline Pankhurst. Imediatamente filiou-se a Women’s Social and Political Union, fundada por Emmeline e lá conheceu a também americana Lucy Brurns que se tornaria sua grande amiga.
Por
suas atividades políticas na união de mulheres, Alice Paul foi parar três vezes
na prisão. E, como era comum entre as sufragistas inglesas, também participou
das greves de fome que elas praticavam quando estavam na cadeia. Muitas vezes
eram alimentadas à força e muitas delas tiverem sérios problemas de saúde mais
tarde, por causa dessa violência.
Em
1912, Alice foi nomeada presidente do comitê do Congresso, pela NAWSA, National
American Women’s Suffrage Asssociation. Ela e Lucy lideravam um lobby de
mulheres que tentava fazer passar a emenda constitucional, proposta em 1878 por
Susan B. Anthony e Elizabeth Cady Stanton, que concedia às mulheres o direito de
votar.
Quando
começaram a colher os frutos de seu trabalho junto aos congressistas, Alice Paul
e suas companheiras fundaram, em 1916, o National Woman’s Party e começaram a
introduzir as práticas usadas pelas sufragistas britânicas, como passeatas,
greves de fome, enormes encontros públicos de mulheres, sempre tentando chamar a
atenção da imprensa. Publicavam também o seu próprio jornal semanal, Sufragista.
Nas eleições de 1916, o partido das mulheres fez campanha contra o presidente Wilson e pelo voto feminino. Teve até piquete na Casa Branca. Em 1917, as “piqueteiras” foram presas, sob a acusação de estar obstruindo o tráfego.
Na cadeia, Alice Paul liderou uma greve de fome e foi transferida para um manicômio judiciário, onde foi alimentada à força.
Em
janeiro de 1918, o presidente Wilson declarou que o voto feminino era uma
necessidade urgente, como uma “medida de guerra”.
Finalmente,
em 1920, o congresso americano aprovou a emenda que concedia o voto às cidadãs.
No dia da aprovação, todos, homens e mulheres, que eram a favor das sufragistas,
usaram uma flor na lapela.
Alice Paul foi a autora da proposta da Emenda de Igualdade de Direitos para a constituição de 1923.
Em
2004 a HBO Films produziu “Iron Jawed Angels”, filme que narra a luta de Alice
Paul, com Hilary Swank como protagonista.
Alice morreu em 9 de julho de 1977, aos 92 anos de idade, em Fairfield, Connecticut.
03 de julho
1860, nasceu Charlotte Perkins Gilman
Escritora
e reformista social, Charlotte
Gilman se tornou mais conhecida por seu livro “The Yellow Wallpaper”, que se
baseia na doença depressão que a vitimou por toda a vida e suas tentativas de se
livrar disso.
Foi sufragista, editora e, apesar de dois casamentos, sendo o último de mais de
30 anos de duração, teve um caso homossexual.
Sua mãe morrera, com muito sofrimento, de câncer de mama e ela, ao se descobrir portadora da mesma enfermidade, Charlotte preferiu a morte.
Charlotte Perkins Gilman nasceu em 3 de julho de 1860 em Hartford, Connecticut, EUA, filha de Frederick e Mary Perkins. Tinha um irmão mais velho e duas tias, Catherine e Isabella, que eram sufragistas. Depois dela, nasceram mais duas crianças gêmeas que morreram ainda na infância e sua mãe decidiu que não teria mais filhos. Por isso, seu pai acabou deixando a família e Charlotte, seu irmão e sua mãe passaram a viver de favor na casa de parentes, se tornando muito pobres.
Seu
primeiro livro foi lançado em 1893, In This World, uma coleção de poemas
satíricos com temas feministas.
Charlotte estudou desenho por dois anos e se casou com um artista, seu colega, Charles Walter Setson, em 1884 e, com ele, teve uma filha, Katharine. Então começou a sofrer de uma depressão que a acompanharia pelo resto de sua vida e que, inclusive, influenciaria sua obra.
Separou-se
do marido em 1888 e foi viver na Califórnia com a filha, onde se envolveu com os
movimentos sociais. Mais tarde a filha iria morar com o seu ex-marido e com a
sua segunda esposa, que era amiga de infância de Charlotte. Sobre esse fato, a
própria Charlotte disse que a amiga era uma melhor mãe do que ela, para sua
filha.
Em 1894, Charlotte se tornou editora da revista The Impress, uma publicação literária semanal da Associação de Mulheres da Imprensa e acabou se envolvendo nos movimentos de mulheres. Em 1897, escreveu “Women and Economics”, que fez muito sucesso.
Em
São Francisco, conheceu uma repórter socialista, Adeline Knapp e as duas viveram
um caso de amor.
Mas Charlotte acabou se casando novamente, com um advogado de Nova Iorque que era seu primo, George Houghton Gilman, em 1900 e viveram juntos até a morte dele em 1934.
Em junho de 1903 Charlotte foi à Berlin para o Congresso Internacional de Mulheres e viajou pela Inglaterra, Holanda, Alemanha, Áustria e Hungria.
De
1909 a 1916 Charlotte manteve seu próprio jornal feminista, The Forerunner, onde
publicou a maioria de seus contos, que se tornaram famosos e apreciados. Em
1995, foram reunidos e publicados em um volume.
Em 1915, com a feminista Jane Addams, Charlotte fundou o Women’s Peacy Party (Partido Feminino da Paz).
Em 1922, lançou His Religion and Hers.
Seu
marido morreu em 1934 e, pouco depois, ela teve câncer de mama. Sua mãe havia
morrido da mesma doença e, sem querer passar pelo mesmo sofrimento, ela se
suicidou em 17 de agosto de 1937, aos 77 anos de idade.
Sua
autobiografia foi publicada após sua morte e um romance de mistério só veio a
público em 1997.
Por mais de duas décadas, Charlotte ficou esquecida, até que os movimentos de mulheres nos Estados Unidos a redescobriram, nos anos de 1960.
29 de Junho
2003, morreu Katherine Hepburn
A
mãe dela, Katherine Martha Houghton, era feminista e lutou ao lado da pioneira
Margaret Sanger pelo direito das mulheres à contracepção.
Katherine, filha, nasceu em berço de ouro, numa família tradicionalmente rica, e seu pai – Thomas Hepburn- era um médico urologista que também ousava ao fazer a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, quando o assunto era tabu.
Katherine
Hepburn se tornou uma das mais importantes atrizes americanas, vencedora de
quatro Oscar.
Mas vivia uma independência que as mulheres só conheceriam décadas depois: tirava sarro da mistificação das estrelas e astros hollywoodianos, era feminista e sexualmente liberada.
Entre seus amores, esteve o arquimilionário Howard Hudges e ela manteve, por anos a fio, um tórrido caso de amor com Spencer Tracy, também um dos atores mais famosos de Hollywood em sua época.
Katherine
Houghton Hepbrun nasceu em Hartford, Connecticut, em 12 de maio de 1907.
Depois de famosa, quando indagada sobre sua ousadia e independência (pouco comum nas mulheres do seu tempo), ela atribuía tudo isso ao trabalho social sempre realizado or seus pais, às reuniões sufragistas que ela frequentou com sua mãe na infância e na adolescência e às muitas discussões políticas que presenciou em casa. Além disso, seus pais ainda a encorajaram a praticar esportes (o que hoje seria comum, mas há quase 100 anos passados não era) e ela praticou a natação até os 80 anos de idade.
O
ano de 1928 marcou a vida de Katherine: nesse ano ela estreiou na Broadway,
casou-se com o playboy Ludlow Ogden Smith e formou-se em Filosofia e História
pela tradicional Universidade de Bryan Mawr.
O casamento só durou até 1934, quando ela se divorciou de Ludlow, mas eles continuram amigos e ele não deixou de frequentar a intensa vida social da família dela.
Ela
passava despercebida atuando na Broadway até o dia em que, em 1932, ela entrou
em cena com muito pouca roupa, num ousado papel de amazona. Virou
instantaneamente manchete. E Hollywood, então, foi atrás dela em Nova Iorque.
Foi o produtor Leland Hayward – com quem mais tarde ela viveria um caso de amor
– que a levou para o cinema. Seu primeiro papel na telona já foi sucesso,
dirigida por George Cukor e contracenando com John Barrymore.
Em
1933 ganhou seu primeiro Oscar. Em 35, foi novamente indicada. Mas os produtores
dos grandes estúdios de Hollywood sabiam que Katherine era feminista demais,
independente demais e sincera demais para conseguir viver como uma superstar.
Para a fútil imprensa especializada, Katherine dava respostas irônicas e zombava
das perguntas que lhe faziam, julgando os reporteres nada mais que ignorantes.
Pra completar, criticava a mitificação das estrelas e astros do cinema e se
recusava a dar autógrafos.
Acabou
ganhando o apelido de “Katherine of Arrogance” (Katherine da Arrogância) numa
corruptela de “Catherine of Aragon” (rainha Catarina de Aragão).
Katherine também entrou na bravíssima concorrência entre estrelas para viver o papel de Scarlet O’Hara no filme que seria a maior bilheteria de seu tempo: “E o Vento Levou”.
Mas, apesar de perder a briga, acabou se tornando muito amiga da felizarda que estrelou o filme ao lado de Clark Gable: Vivien Leigh e foi inclusive madrinha do casamento dela com Lawrence Olivier. As duas foram amigas até a morte de Viven, em 1967.
Em
1940, Katherine estava vivendo um caso de amor com o milionário Howard Hudges e
recebeu a sua terceira indicação para o Oscar, num filme dirigida por George
Cukor contracenando por Cary Grant e James Stweart. O sucesso foi tanto que o
público esqueceu que ela era a Katherine da Arrogância.
Foi em 1942 que ela fez seu primeiro filme com Spencer Tracy, o ator com quem ela manteria um romance pelo resto da vida. Spencer era casado com Louise Treadwell de quem nunca se separou.
Katherine
Hepburn brilhou no cinema, no teatro e na TV, ganhou montanhas de prêmios,
estrelou clássicos que são exibidos até hoje; contracenou com os maiores astros
do seu tempo e foi dirigida pelos diretores mais importantes sem nunca ter se
curvado às exigências dos estúdios com relação ao estrelato, sem nunca ter se
valido das técnicas usadas pelas máquinas promocionais dos estúdios de
Hollywood.

Sem entrar na linha de produção de astros e estrelas de Hollywood, Katherine brilhou como uma das maiores atrizes de sua época.
Katherine Hepburn morreu, de velhice, aos 96 anos de idade, na propriedade da família Hepburn em Connecticut, em 29 de junho de 2003.
25 de junho
2008, morreu Sylvinha Araújo

Os
anos 1960 revelaram inúmeros talentos na música brasileira. Depois da turma da
Bossa Nova, veio a turma da chamada MPB (Elis, Caetano, Gal, Bethânia, Gil, Edu
Lobo...) que se contrapunha à turma da Jovem Guarda (Roberto, Erasmo, Wanderléa,
Ronnie, Sérgio Reis, Golden Boys...).
A TV Excelsior era líder de audiência, seguida de muito perto pela TV Record que, de repente, emplacou o programa Jovem Guarda, com Roberto Carlos no comando.
A
Excelsior não ia ficar atrás. Pra concorrer com Roberto e Wanderléa, inventou um
programa com um dos grandes nomes da Jovem Guarda: Eduardo Araújo. Mas tinha um
problema: Eduardo queria que sua parceira fosse uma cantora que ele conhecera
recentemente. A TV já tinha contratado uma cantora para comandar o programa com
ele. O que nem Eduardo nem a TV sabiam é que estavam falando da mesma cantora.
Era a Sylvinha. Eduardo acabaria se casando com ela e vivendo um dos mais
sólidos casamentos da área artística, até a morte dela, em 2008, 39 anos depois.
Silvia
Maria Vieira Peixoto Araújo nasceu na cidade de Mariana, Minas Gerais, em 16 de
setembro de 1951.
Nelson Motta, até hoje uma das maiores autoridades em crítica musical, passou a chamá-la de “Janis Joplin Brasileira”, depois de ouvir a versão soul que ela gravou da música “Paraíba”, de Luiz Gonzaga.
Ela
ainda não tinha 18 anos quando apareceu na TV pela primeira vez, no programa do
Chacrinha, o grande apresentador da época.
Logo depois veio a fama, no palco da Jovem Guarda.
Ao
lado de Eduardo Araújo comandou o programa “O Bom” e, juntos, gravaram inúmeros
sucessos.
Por alguns anos, esconderam dos fãs o seu relacionamento amoroso. E Carlos Imperial, que era empresário dos dois, queria processá-los em 30 milhões de cruzeiros por desrespeitar a cláusula contratual que estipulava que, na vigência do contrato, era proibido se apaixonar.
Mas,
quando se casaram, em 1969, a famosa igreja da Consolação, em São Paulo, foi
pequena demais para abrigar a multidão que veio prestigiar o casal.
Sylvinha
chegou na limousine de Roberto Carlos e entrou na igreja conduzida por Ronnie
Von, grande amigo do casal até os dias de hoje e padrinho de casamento. Todos os
ídolos da Jovem Guarda lá estavam.
O
casamento foi uma verdadeira “Festa de Arromba”, como queria a música de Erasmo
e Roberto.
Dos
ídolos da Jovem Guarda, só Roberto se manteve no auge por décadas e até hoje
pode ser considerado um grande sucesso. Todos os outros diversificaram suas
carreiras. Por exemplo, Sérgio Reis virou um sucesso sertanejo; Ronnie Von,
apresentador de TV.
Wanderléia
continua muito solicitada para shows e grava frequentemente, a exemplo do disco
que está lançando agora, “Nova Estação”.
Eduardo
Araújo passou pelo rock pesado, montou uma gravadora (Number One) e Sylvinha,
que foi jurada do programa de calouros do Silvio Santos nas décadas de 1970 e
80, se transformou numa das mais importantes cantoras de “jingles” do país
(gravou mais de 2 mil), tendo gravado poucos discos, mas todos os que gravou são
verdadeiras maravilhas, como o CD “Suave É a Noite”, de 2001.
Ronnie
Von a considera uma das vozes mais afinadas do Brasil.
Mas
Sylvinha, que nos deixou sua autobiografia, pela editora Novo Século, “Anjo
Lilás”, soube também se dedicar ao marido e aos filhos, num casamento que durou
quatro décadas, até a sua morte.
Em
1996 ela descobriu um câncer de mama, infelizmente já avançado. Foram 12 anos de
luta, sem nunca deixar suas atividades. Em 2007, Eduardo e Sylvinha lançaram o
CD “40 Anos de Jovem Guarda”.
Mas
o câncer venceu a guerra e levou Sylvinha, precocemente, aos 56 anos de idade,
no dia 25 de junho de 2008. Ela estava internada, havia 21 dias, no
Hospital 9 de Julho e foi enterrada em Itapecerica da Serra.
Minha mais nova amiga, e uma das mais queridas, Norma Portal, que mora em Portugal, veio ao Brasil para acompanhar os funerais de Sylvinha que era também sua grande amiga.
20 de Junho
1933, morreu Clara Zetkin
Se
todo mundo hoje sabe que o 8 de Março é o Dia Internacional da Mulher e sabe
também que a data foi escolhida por lembrar as 129 operárias de Nova Iorque que
morreram queimadas por estarem fazendo a primeira greve de mulheres da história,
pouca gente sabe que sem a russa Alexandra Kollontai e sem a alemã Clara Zetkin
não haveria Dia da Mulher e a greve das tecelãs novairoquinas já teria há muito
caído no esquecimento.
Foram
Clara e Alexandra quem, no Congresso Socialista de 1910, em 26 de agosto,
propuseram a criação desse dia, o que só se concretizaria 65 anos depois, em
1975, no Congresso Internacional de Mulheres no México, realizado por ocasião do
Primeiro Ano Internacional da Mulher, decretado pela ONU.
Clara e Rosa de Luxemburgo (foto) foram as mulheres mais importantes do partido social democrata da Alemanha no século passado.
Clara
Eissner nasceu em 5 de julho de 1857 na cidade de Wiederau, província da
Saxônia, numa família de classe média.
Era estudante da Faculdade de Magistério para Mulheres, na cidade de Leipzig quando se uniu ao Partido Social Democrata de Wilhelm Liebncht e August Bebel.
Casou-se
com Ossip Zetkin, militante socialista russo. A Alemanha unificada por Bismark
perseguia então os socialistas e Clara viveu no exílio na Suiça e na França, a
partir dos anos 1880.
Em 1889 no Congresso de Fundação da II Internacional, em Paris, apresentou relatório sobre o trabalho socialista entre as mulheres e foi eleita para o Secretariado Feminino da organização.
Depois
do Congresso, de volta à Alemanha começou sua amizade com Rosa de Luxemburgo. Em
1892, Clara fundou o jornal “Igualdade”, um importante veículo para a expressão
das operárias, e foi sua editora até 1916.
Com a crescente incorporação das mulheres ao operariado, o que começara a ocorrer na década de 1870, Clara tornava-se uma das mais influentes líderes feministas de sua época.
Se
em 1910, no Congresso Socialista, Clara propunha a criação do Dia Internacional
da Mulher, em 1915, em plena Guerra Mundial, organizava e Berna, na Suiça, um
Congresso Internacional de Mulheres Contra a Guerra. Foi presa e perdeu seu
posto de dirigente socialista.
Em
1919, Clara filiou-se então ao recém nascido Partido Comunista Alemão. Dai para
frente dividiu-se entre a Alemanha e a Rússia, onde viveu por diversas ocasiões.
Ela era muito amiga de Lênin, sobre quem escreveu um livro (Recordações de
Lênin) e perdeu prestígio com a morte dele. Mas foi o seu grande prestígio
político, derivado de sua história de militância socialista, que a manteve
atuante apesar de sua oposição ferrenha ao stalinismo.
Com a ascensão de Hitler, Clara é novamente obrigada a optar pelo exílio e vai para a Rússia. É lá, alguns meses depois, que ela morre, aos 75 anos de idade, em 20 de junho de 1933.
17 de Junho
1948, morreu Eugênia Brandão
Eugênia
tinha 16 anos quando, em 15 de maio de 1914, emplacou uma estupenda reportagem
investigativa no jornal “Última Hora” do Rio de Janeiro. Foi, por isso,
considerada a primeira repórter brasileira. Naquele tempo a imprensa só admitia
mulheres atuando como escritoras de folhetins (as novelas impressas da época) ou
publicando poemas.Os jornalistas de então criaram a palavra “reportisa” para
descrever o cargo de Eugênia. Mas ela ainda se tornaria muito mais importante,
líder feminista de primeira linha e casando-se com Alvaro Moreira, escritor e
jornalista de renome. A casa dos dois, em Copacabana, era ponto de encontro de
intelectuais cariocas. Mais ou menos como era em São Paulo com Tarsila do Amaral
e Oswald de Andrade.
Eugênia
Brandão nasceu em 1898, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Mas ainda muito criança
foi com a família para o Rio de Janeiro.
Foi o jornal “A Rua” quem primeiro aceitou admitir Eugênia como repórter. Isso causou um certo espanto na provinciana sociedade carioca daquele tempo. Reportagem era coisa para homem.
Um dia, Eugênia afirmou que estava deixando o trabalho no jornalismo para entrar para um convento, o Asilo Bom Pastor. Novo espanto: por que uma mulher bonita e bem sucedida decidira se recolher ao claustro? Falava-se em uma misteriosa desilusão de amor, depressão, alma mística... Ninguém, adivinhou que era apenas uma estratégia.
Neste convento estava a irmã de uma mulher que fora brutalmente assassinada num crime muito comentado e que ficou conhecido por “A Tragédia da Rua Dr.Januzzi, 13”.
Quando
Eugênia saiu da reclusão, trazia uma matéria com detalhes e pormenores que
jornal nenhum havia conseguido sobre a tragédia. Foi matéria de capa da “Última
Hora” e o jornal bateu recordes de venda.
Começou então, usando de seu prestígio, a falar em favor das mulheres e das sufragistas. Mensalmente, promovia campanhas pelo voto feminino. Tornou-se uma das maiores portavozes da luta pela igualdade de direitos entre os sexos.
Casou-se então com o escritor e também jornalista Álvaro Moreira e viria a ter seis filhos com ele.
Nos anos 1920, Eugênia foi uma das musas do Movimento Modernista e, trabalhando ao lado de Álvaro, promoveu uma intensa renovação no teatro brasileiro.
Foi
ainda a fundadora, em 1935, da União Feminina do Brasil que acabou se unindo à
Aliança Libertadora Nacional para lutar contra o fascismo na era getulista.
Eugênia esteve à frente, ainda, do movimento para a libertação da filha de Olga
Prestes. Olga havia sido deportada, pelo governo de Getúlio Vargas e estava num
campo de concentração nazista quando nasceu a menina, Anita Leocádia. Foi
graças ao imenso barulho feito no Brasil que foi possível trazer Anita de volta
para casa.
Eugênia Brandão Moreira morreu no dia 17 de junho de 1948, com apenas 50 anos de idade.

Dia 17 de junho (2007) é também o dia da morte da minha mãe, Wanda Gonçalves de Almeida Vasconcellos.
Ela nasceu em 1912, já tinha quase quarenta anos quando deu a luz a mim. Mas a cabeça dela era bem moderna e eu me lembro dela dizendo que não tinha nada a ver um direito pros homens e outro direito para as mulheres: os direitos tinham que ser iguais.
A foto ao lado é dos anos 1930 e o garoto no colo dela é o meu primo Augustinho Bitelli, que é a cara do meu outro primo, o quase irmão, Eduardo (Vasconcellos Bitelli) Zocchi.
Caso vc queira saber mais sobre a minha mãe, ela é o segundo texto da página Memória I deste site.
Para ir lá, Clique aqui. Um texto bacana que escrevi sobre ela, ela com 18 anos e eu com 59, ela do lado de lá e eu cá, está na página Memória II. Para ler,clique aqui.
10 de junho
1922, nasceu Bibi Ferreira
Ela
é, sem dúvida, a grande dama do teatro brasileiro.
Filha
de ator consagrado e de bailarina, tinha 24 dias de vida quando, pela primeira
vez, apareceu num palco, substituindo uma boneca-bebê que o contra regra não
sabia onde tinha ido parar.
Estava escrito: o palco seria a sua vida.
Atriz, cantora, diretora, compositora e também apresentadora da TV, Bibi Ferreira vem encantando, até hoje, gerações de brasileiros.
A
certidão de nascimento de Abigail (Bibi) Izquiero Ferreira diz que ela nasceu em
Salvador, na Bahia, no dia 10 de junho de 1922. Sua mãe, a bailarina espanhola
Aída Izquierdo, dizia que ela nascera em Junho sim, mas no dia primeiro. Seu
pai, o ator Procópio Ferreira, dizia que o dia era 4.
Seus
pais se separaram quando ela era ainda um bebê e, até os 4 anos, ela viveu na
Espanha, com a mãe, que fora trabalhar numa companhia de teatro de revista.
Assim, seu primeiro idioma foi o espanhol. Português ela aprendeu ao voltar ao
Rio de Janeiro e se tornar uma festejada atriz-mirim. Pertencia ao Corpo de
Baile do Teatro Municipal do Rio e foi trabalhar na companhia de teatro de seu
pai.
Bibi
tinha 9 anos, quando o colégio Sion negou a sua matrícula por ela ser filha de
atores. Era o preconceito que a classe artística enfrentava naqueles anos de
1930. Cursou então o Colégio Anglo Americano, onde se formou no curso
secundário. Foi aperfeiçoar seu ballet no Teatro Cólon, em Buenos Aires.
Estreiou profissionalmente no palco em 1941 na peça La Locandiera.
Três
anos depois montou sua própria companhia teatral, da qual faziam parte, entre
outros, Cacilda Becker, Maria Della Costa e Henriette Morineau.
Depois passou quatro anos em Portugal, onde dirigiu peças de teatro de grande sucesso.
De volta ao Brasil, fez a peça My Fair Lady, ao lado de Paulo Autran e começou a atuar em musicais de teatro e TV. Os programas de TV comandados por ela – Brasil 60 e Brasil 61 – na TV Excelsior (então a líder de audiência) foram um absoluto sucesso.
Na
TV Tupi apresentou o programa Bibi ao Vivo, de 1968 a 1970, onde levava grandes
nomes do teatro para a telinha.
Na
década de 70, atuou e dirigiu alguns dos grandes espetáculos musicais e teatrais
do Brasil: Brasileiro, Profissão Esperança, de Paulo Pontes, onde ela dirigia a
cantora Maria Bethânia, em 1970 e, na versão de 1972, Clara Nunes; atuou, com
Paulo Autran, em O Homem de La Mancha, traduzido por Flávio Rangel e Paulo
Pontes e com versões da canções feitas por Chico Buarque e Ruy Guerra.
Em
1975, foi a inesquecível Medéia, da peça de Chico e Ruy, A Gota D’Água; do
espetáculo ficou um disco antológico, com as maravilhosas interpretações de
Bibi.
Em 1976, dirigiu mais de 50 atores, entre eles Walmor Chagas, Marília Pera e Marco Nanini, na peça Deus lhe Pague, de Joracy Camargo.
Nos
anos de 1980 dirigiu peças, atuou, dirigiu grandes nomes da nossa música,
promoveu a volta ao teatro da atriz Dulcina de Moraes e brilhou, em 1983,
vivendo Piaf, A Vida de uma Estrela da Canção, onde novamente mostrava todo o
seu talento como cantora e intérprete.
Ganhou
os prêmios Mambembe e Moliére e da Associação Paulista de Empresários Teatrais.
Piaf ficou seis anos em cartaz e teve mais de um milhão de espectadores no
Brasil e em Portugal.
Nos anos de 1990, reviveu um dos seus maiores sucessos com a remontagem de Brasileiro, Profissão Esperança.
Comemorou
50 anos de carreira. Fez shows. Ganhou o prêmio Sharp de teatro e dirigiu sua
primeira ópera, montando Carmen, de Bizet.
Em 2001 estava contando a vida da grande cantora de fado, Amália Rodrigues, em Bibi Vive Amália.
Em
2004, lançou o CD de Piaf. Em 2005, estreiou novo show.
Hoje, completando 88 anos de idade, Bibi, que nunca fez novelas e por isso talvez não seja tão popular quanto outras atrizes, é um dos maiores nomes da nossa cultura e do nosso teatro.
03 de junho
1867, nasceu Presciliana Duarte de Almeida
Lá
pela metade do século XIX as inglesas e as americanas amadureciam o pensamento e
a luta das mulheres por plenos direitos de cidadania, inclusive o direito do
votar. Eram as sufragistas que começavam a aparecer no cenário mundial.
Depois, se tornariam feministas e foram elas, as nossas antepassadas feministas que conquistaram para nós, mulheres contemporâneas, todos os direitos que temos hoje: de votar, de fazer contracepção, de estudar e aprender a ler e a escrever, de ter propriedades, trabalhar e até ter direito ao prazer.
No Brasil, algumas mulheres pioneiras começaram também a se organizar.
Entre elas, estava Presciliana Duarte de Almeida.
Ela
nasceu em Pouso Alegre, Minas Gerais, em 3 de junho de 1867, cinco anos depois
de sua prima, Júlia Lopes de Almeida, que se tornaria uma das mais importantes
jornalistas e escritoras brasileiras do século XIX, tendo sido, inclusive,
presidente da Legião da Mulher Brasileira e uma das criadoras da Academia
Brasileira de Letras.
Presciliana, como sua prima Júlia, foi também jornalista, colaboradora de várias publicações periódicas e, em 1897 fundou a revista “A Mensageira”, onde as maiores inteligências femininas nacionais escreviam regularmente, inclusive Júlia.
“A
Mensageira” discutia a condição social das brasileiras e foi tão moderna que, 90
anos depois, em 1987, o Conselho Estadual da Condição Feminina, de São Paulo,
reeditou todos os números da revista, em dois volumes, porque as reflexões ali
contidas eram – e ainda são – de grande importância para as mulheres que não
estavam – e que não estão – satisfeitas com a sua condição de inferioridade
social e cultural.
Presciliana, além de livros, publicou inúmeros
artigos em jornais e revistas e foi membro fundador da Academia Paulista de
Letras e, em 1909, ocupou a cadeira de número 8, tendo escolhida para sua
patrona a poetisa Bábara Heliodora, sua trisavó. Foi ainda uma das precursoras
da literatura infantil brasileira, junto com Olavo Bilac e Francisca Júlia.
São palavras dela: “Ora, esse desenvolvimento intelectual da mulher
brasileira não se haverá cingido unicamente ao grupo das que surgem à tona,
aparecendo na imprensa ou nos cursos de ensino superior. Havemos convir que em
seu desenvolvimento coletivo deve ter sido enorme para que tantas tenham podido
individualizar e excitar a admiração dos contemporâneos.”
Presciliana Duarte de Almeida morreu aos 77 anos, em São Paulo, em 13 de junho de 1944.
23 de maio
1810, nasceu Margaret Fuller
Para
quem nasceu há dois séculos passados, Margaret Fuller era um fenômeno. Escritora
e filósofa, numa época em que a maioria das mulheres sequer aprendia a ler e a
escrever.
Nascida numa família de nove filhos, recebeu a mesma educação que seus irmãos homens, isso porque seu pai acreditava que meninas e meninos deveriam ter formação igual para se tornarem seres humanos capazes de realizar todas as suas potencialidades intelectuais.
Com um pai desses, Margaret só poderia se tornar feminista e sufragista e ela é, até hoje, considerada como uma das grandes pensadoras da condição da mulher.
Ela
nasceu em Cambridge, Massachusetts, em 23 de maio de 1810, filha de Timothy
Fuller, que era um político importante.
Com apenas 26 anos e na sua condição de mulher era aceita pelos mais importantes intelectuais americanos e foi muito amiga de Emerson.
Aos 30, editava um jornal e organizava grupos de mulheres para discutir questões da cultura, da arte e da educação feminina.
Nestes grupos também contribuíram para a formação de algumas líderes sufragistas que deixaram sua marca na História.
O
livro mais marcante de Margaret Fuller foi publicado em 1845 com o título de
“Mulheres no Século XIX” e falava sobre a necessidade de tornar todas as
mulheres independentes.
Margaret foi a primeira mulher a trabalhar num grande jornal, o New York Tribune, e tornou-se a primeira mulher a ser jornalista correspondente quando, em 1846, o jornal a mandou para a Europa. Lá, como já acontecera nos Estados Unidos, ela frequentava as rodas intelectuais e foi amiga de George Sand.
Antes
de se casar, foi mãe solteira. O pai era um conde italiano, revolucionário, dez
anos mais novo que Margaret, Giovanni Ossoli. O filho deles, Ângelo, nasceu em
1848 e eles só se casaram um ano depois.
Margaret Fuller deixou muitas obras importantes, embora tenha morrido muito jovem, com apenas 40 anos.
Ela, o marido e o filho, estavam voltando para a América num navio que naufragou em 19 de junho de 1850. Seus corpos nunca foram encontrados.
19 de maio
1912, nasceu Diná Lopes Coelho
O
verdadeiro nome dela era Maria Ricardina.
Foi casada com o jurista Canuto Mendes de Almeida mas deixou-o para viver com aquele que ela dizia ser o grande amor de sua vida: o escritor Luis Lopes Coelho. Desquite, separação, ainda eram um certo escândalo nessa época. Mas Diná não se importou.
Na
década de 1960, Diná era o braço direito de Ciccillo Matarazzo na Bienal das
Artes, organizando essa grande exposição internacional. No pavilhão da Bienal
ela podia ser vista circulando de patins, para facilitar a locomoção.
Tornou-se, dessa forma, uma figura super importante no mundo das artes plásticas e, em 1969, criou no Museu de Arte Moderna o Panorama, uma exposição que reunia anualmente o que o Brasil tinha de melhor em artes plásticas.
Maria
Ricardina Mendes
de Almeida, ou Diná Lopes Coelho, nasceu em 19 de maio de 1912, filha de Carlos
Mendes Gonçalves e Emma Canton Gonçalves.
Aos
18 anos casou-se com Joaquim Canuto Mendes de Almeida, irmão de Paulo Mendes de
Almeida.
O marido era um jurista atuante também na cultura brasileira, na produção de cinema, na música, na publicação literária e jornalística. Era também catedrático da Faculdade de Direito São Francisco, da USP – Universidade de São Paulo.
Diná e Canuto tiveram apenas um filho, Carlos, nascido em 1932.
Mas ela também se tornou uma intelectual, tendo se formado em Letras Clássicas pela USP e depois estudou História da Arte com Sérgio Millet e Desenho com Sambonet.
Separada
de Canuto foi viver com Luiz Lopes Coelho, que ela afirmou sempre ter sido o
grande amor de sua vida. Luiz era advogado de Oswald de Andrade e Flávio de
Carvalho e frequentava as rodas boêmias intelectuais de São Paulo. Diná o
acompanhava.
Em
1962 Ciccillo Matarazzo tornou Diná a Secretária Geral da Fundação Bienal de São
Paulo.
Em
1967 Diná assumiu a direção do MAM – Museu de Arte Moderna de S.Paulo, que ela
ajudou a instalar no Parque Ibirapuera.
Lá, ela criou o Panorama de Arte Atual Brasileira. E foi batalhar obras de artistas de todo o Brasil. Diná organizava, viajava, arrumava os painéis, promovia as inaugurações, enfim, fazia tudo. A exposição era anual: num ano, desenho; noutro, pintura; noutro, escultura.
Em 1978, respondendo a um anúncio publicado no Estadão, eu fui trabalhar no MAM.
Acabei ficando muito amiga da Diná, que já estava viúva
(seu companheiro, Luiz Lopes Coelho, falecera num acidente de automóvel no Guarujá em 1975).
Juntas, circulamos pela rica vida noturna de São Paulo dos anos 1970.
Diná
morava na cobertura do edifício Santa Isabel, na Avenida São Luiz. Inúmeras
vezes terminamos nossas noites de boemia tomando café da manhã num hotel
defronte ao prédio onde ela morava.
Ela era da mesma idade da minha mãe, 39 anos mais velha do que eu. Mas a sua cabeça era talvez até mais moderna do que a minha... Diná foi uma das (pouquíssimas) grandes amigas que eu tive nessa vida e, até hoje, me vêm lágrimas aos olhos, lágrimas de saudade, quando eu falo nela.
Com
ela, aprendi a apreciar e entender a arte, muito além do que eu aprendera até
então.
No começo dos anos 1980, Diná deixou o MAM e eu também. Não queria ficar lá sem ela. Voltei a trabalhar em agências de propaganda, mas continuamos amigas, muito amigas.
Minha
mãe lamentava que a Diná tivesse a mesma idade que ela, dizia: “Se a Diná fosse
mais nova eu morreria tranquila, sabendo que ela continuaria ao seu lado, ela é
a sua segunda mãe.” Meu pai, encantado com a simpatia e a cultura dela,
disse-lhe, numa das vernissages do MAM: "Você é uma rainha!".
Mas Diná tinha mais uma coisa em comum com a minha mãe, que se chamava Wanda Gonçalves de Almeida Vasconcellos. Diná, Maria Ricardina Gonçalves Mendes de Almeida. Dois sobrenomes iguais.
Diná,
depois do MAM, passou a escrever sobre arte em importantes orgãos da imprensa.
Recebeu inúmeras homenagens, foi indicada para a direção da Pinacoteca do
Estado, foi membro da Comissão de Artes Plásticas do Conselho estadual de
Cultura e do Conselho de Administração da Fundação Bienal.
No
final dos anos 1980, Diná decidiu que não seria mais vista, a não ser por seus
netos e bisnetos que ela continuou recebendo em seu apartamento da Avenida São
Luiz, com sua fiel escudeira, a governanta Idalina. Falava comigo por telefone,
mas não queria mais que eu a visse.
As
paredes do apartamento dela eram cobertas de obras de arte e, como está escrito
no seu site, “os documentos e objetos de arte reunidos e preservados por Diná
refletem o desenvolvimento de importante período das artes plásticas no Brasil”.
Ela morreu em 2003, pouco depois de concluída a produção de um documentário sobre seu trabalho.
Em 19 de Maio de 2010, seus netos -- Lúcia, Mariângela, Cecília e Marcos Mendes de Almeida -- inauguram o Espaço Escultural, em São Paulo onde está exposta grande parte do acervo reunido por Diná.
Tenho o vídeo, feito pela TV Senac, pouco antes de sua morte. Clique aqui para ver um trecho editado desse vídeo, que dura só 3 minutos.
Mais informações estão no site:http://www.eescultural.com.br/
13 de maio
1888 Princesa Isabel liberta os escravos.
Ela foi a única mulher a governar o Brasil,
até que Lula elegeu Dilma como presidente. Filha do Imperador D.Pedro II
e da Imperatriz Thereza Cristina, na ausência do pai, assumiu por três vezes a
regência do país.
Sufragista, além de defender o direito das mulheres de votarem, também falava contra a escravatura e a favor da reforma agrária.
Ao
contrário do que acontece à maioria das princesas, casou-se com um homem que
realmente amava, o Conde D’Eu, e viveu toda a vida com ele. Deu duro para
conseguir ter filhos e os teve.
Em 13 de maio de 1988, contrariando os interesses da classe dominante, assinou a Lei Áurea, que libertava os escravos. E morreu no exílio, na França, expulsa do Brasil depois de proclamada a República brasileira, sem jamais ter conseguido voltar para o país onde nascera e que amava.
Isabel
Cristina Leopoldina Augusta Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon nasceu em 29
de julho de 1846, no Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro.
Era a segunda filha do nosso imperador D.Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina.
Foi batizada na Capela Imperial no dia 15 de novembro de 1846 pelo bispo Conde de Irajá e seu nome foi-lhe dado em homenagem à sua avó materna, a Rainha de Nápoles.
Com a morte precoce de seu irmão mais velho, Afonso, foi declarada sucessora do trono de seu pai.
Em 1847
nasceu sua irmã e grande companheira, Leopoldina. Em 1848 nasceu seu segundo
irmão, Pedro Afonso, que morreu com apenas dois anos de idade.
Tanto o imperador D.Pedro II como sua mulher, Tereza Cristina, tinham uma mentalidade aberta e avançada, muito interessados em cultivar a cultura e a educação.
Numa época em que pouquíssimas mulheres aprendiam sequer as primeiras letras, Isabel teve uma educação primorosa, estudando com os melhores professores particulares. Afinal, ela era a herdeira do trono brasileiro.
Foi a
tia da princesa, Francisca, que trouxe para o Brasil dois primos de Isabel,
sobrinhos-netos do rei Leopoldo I, da Bélgica, primos-sobrinhos da Rainha
Vitória da Inglaterra e ainda sobrinhos de Fernando II, de Portugal. Eram eles Gaston de Orleans e Ludwig August
de Saxe-Cobrugo-Gotha.
A idéia da família real era casar Isabel com Ludwig August e a irmã dela, Leopoldina, com Gaston, o conde D’Eu.
Mas Isabel e o conde acabaram se apaixonando e os casais foram trocados.
Isabel
tinha apenas 18 anos quando, em 15 de outubro de 1864, casou-se com Gaston, o
Conde D’Eu e na Capela Imperial do Rio de Janeiro. Foram passar sua lua-de-mel
em Petrópolis e depois viajaram para a Europa, onde Isabel conheceu seus sogros.
O conde, que também era príncipe, era filho de Louis Raphael, Duque de Nemours e
neto do rei da França, Luís Filipe I.
O conde
assumiu o comando das tropas brasileiras na Guerra do Paraguai e se tornou
Marechal do Exército Brasileiro.
Em 1871, D.Pedro II viajou para a Europa e Isabel assumiu o trono, com regente, aos 24 anos de idade. Assinou então a Lei do Ventre Livre (que tornava livres os filhos dos escravos) em 28 de setembro.
Porém,
uma sombra angustiava a felicidade amorosa da princesa. Ela não conseguia
engravidar. Em 1874, teve uma filha, Luiza, que nasceu morta.
Isabel procurou os melhores médicos da Europa e afinal, em 15 de outubro de 1875, quando a princesa e o conde comemoravam 11 anos de casamento, nasceu em Petrópolis, o príncipe Pedro de Alcântara. O casal teve mais dois filhos: Luiz, em 26 de janeiro de 1878 e Antonio Gastão, em 9 de agosto de 1881, que nasceu na França.
Era em Paris que a princesa recebia em sua casa dois brasileiros que passariam para a história: Joaquim Nabuco, apaixonadamente abolicionista e sua amante, a financista Eufrásia Teixeira Leite, uma brasileira da cidade de Vassouras, independente, que multiplicou a fortuna herdada do pai e jamais quis se casar, nem mesmo com Nabuco, que foi o seu grande amor.
Cada
vez mais próxima aos pensadores liberais, a princesa consolidava suas convicções
políticas, cada vez mais convicta da desumanidade do sistema escravagista, da
necessidade de se permitir o voto às mulheres e de se distribuir as terras de
maneira mais justa. Muitos escravos foram alforriados com o dinheiro da princesa
que apoiava a Comunidade Quilombo do Leblon, cujo símbolo abolicionista era a
camélia branca. Isabel tinha amigos artistas e jovens políticos e todos
conspiravam pela abolição da escravatura.
À idéia de libertar os escravos, no entanto, esbarrava sempre no conservadorismo dos fazendeiros e proprietários brasileiros, mesmo entre aqueles que adotavam posições mais liberais.
A
grande oportunidade da Princesa apareceu quando, em junho de 1887, D.Pedro II
viajou para a Europa para tratamento de saúde e começou a terceira regência da
princesa no país. Assumindo o poder, Isabel batia de frente com o gabinete dos
Ministros, que era totalmente a favor dos conservadores e da manutenção do
regime escravagista. A oposição mais dura à Regente vinha do Barão de Cotegipe.
Mas Isabel acabou achando uma maneira de demitir o Barão e todo o Ministério,
nomeando o liberal João Alfredo como conselheiro e criando assim as condições
para proclamar a abolição dos escravos.
A
votação para o projeto da abolição total aconteceu em 13 de maio de 1888, um
domingo. Isabel venceu e assinou a Lei Áurea que tornou livres todos os negros
do Império brasileiro.
Mas a elite do café não gostou nem um pouco de perder os seus escravos, que considerava como um investimento, e ainda mais sem ressarcimento por parte do governo.
Em 28 de setembro Isabel recebeu, do Papa Leão XIII, a comenda da Rosa de Ouro.
Foi seu arquiinimigo, o Barão de Cotegipe que disse a ela:
“Vossa Alteza libertou uma raça, mas perdeu o trono”.
Realmente. Pouco mais de um ano depois da abolição, os militares, apoiados pelos
fazendeiros descontentes, derrubaram o Império e instauraram a república, em 15
de novembro de 1889.
Dois dias depois, Isabel e sua família embarcaram para o exílio.
Assim, com muita tristeza, ela se tornou Chefe da Casa Imperial no exílio, que hoje é representada pelos filhos de seu neto Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, filho de Dom Luiz, o segundo na linha sucessória. O primogênito, Dom Pedro de Alcântara, renunciou para se casar com uma plebéia.
Em 5 de dezembro de 1891 D.Pedro II morreu em Paris e Isabel passou a ser considerada, pelos monarquistas, Imperatriz de jure do Brasil, Isabel I.
A princesa teve uma velhice tranquila, no castelo da família do marido, em Eu, na Normandia. Sua casa era como uma embaixada informal do Brasil e foi ela quem ajudou Santos Dummont a colocar em prática suas invenções.
Em 1920
a lei que bania a Família Imperial do território brasileiro foi revogada pelo
presidente Epitácio Pessoa.
Mas Isabel morreu sem voltar ao seu país, em 13 de novembro de 1921, aos 74 anos de idade.
A princesa foi interpretada por Ana Lúcia Torre na novela Memórias de Amor, em 1979; por Tereza Raquel na mini-série Abolição, em 1988 e em República, em 1989; por Irene Ravache na novela Sangue do Meu Sangue, em 1995 e por Rosamaria Maurtinho na mini-série Chiquinha Gonzaga, em 1999.
Teve ainda sua efígie impressa nas notas de 50 cruzeiros em 1949 e 200 cruzeiros em 1981.
Alguns historiadores dizem que os republicanos teriam suportado a presença do imperador D.Pedro II na recém instalada república do Brasil, mas não podiam suportar a idéia de uma Isabel I no país.
(Eu me chamo Isabel porque nasci em 13 de maio, num domingo, dia das Mães)
04 de maio
2000, morreu Sandra Bréa.
11 de maio
1952, nasceu Sandra Bréa.

Atriz da Rede Globo, linda e famosa, em 1993 assumiu publicamente ser portadora do vírus da Aids.
Depois disso só fez um único papel na TV, em 1997, e até o seu caseiro, José Carlos, lamentava o isolamento imposto à atriz por causa do preconceito.
Dos muitos colegas que antes a badalavam, só Ney Latorraca continuou a frequentar a sua casa e deu prosseguimento à amizade.
Sandra
brilhou em novelas e fez um tremendo sucesso num programa da Globo, dos anos
1970, onde contracenava com Miéle. Mas foi literalmente esquecida quando,
corajosamente, assumiu que estava com Aids, o que mostra, tristemente, o
preconceito que ainda existe com relação a essa doença, inclusive no meio
artístico que se julga tão de vanguarda e esclarecido. É apenas igualzinho a
todos os outros meios.
Sandra se engajou nos movimentos anti-preconceito e mostrou, que além de linda, era uma mulher de coragem e de fibra. Azar de quem a abandonou.
Ela
nasceu no Rio de Janeiro em 11 de maio de 1952.
Tinha 13 anos de idade quando começou a trabalhar como modelo. Era, portanto, o ano de 1965 e as meninas não sonhavam ainda em ser modelos e nem começavam tão cedo.
Mas Sandra era especial. Com 14, era a estrela do show “Poeira de Ipanema”, num teatro de revista e um ano depois Fernanda Montenegro e o diretor João Bittencourt a escolheram para a peça Plaza Suite.
Não deu outra: Sandra logo estava entrando na Rede Globo de Televisão, levada por Moacir Deriquém, para participar da novela Assim na Terra como no Céu.
Virou
estrela e sucesso nacional quando trabalhou em uma das novelas mais famosas da
história da TV: O Bem Amado, estrelada por Paulo Gracindo.
Fez várias novelas e shows e, foi num deles que Augusto Vanucci se inspirou num número musical dela para criar um dos mais badalados programas da Globo nos anos 1970: Sandra e Miele, onde ela mostrou-se uma atriz tão versátil quanto o próprio Miele, conhecido como um dos “one man show” das nossas terras tupiniquins.
Sandra se tornou símbolo sexual e foi parar, nua, várias vezes, na capa da Playboy.
Foi tres vezes casada, uma delas com o fotógrafo Antonio Guerreiro.
Sandra
esteve em muitas das mais importantes novelas da globo até o começo dos anos
1990. Paralelamente fez vários filmes, peças e shows. Era uma celebridade de
primeiro time.
Em 1993, corajosamente, veio a público para dizer que estava com o vírus da AIDS.
Naquele tempo isso ainda significava uma sentença de morte, sem muita esperança.
Houve
um rebuliço na imprensa
especializada e muita gente disse que ela estava mentindo, que tudo não passava
de um golpe publicitário para voltar a ocupar maciçamente as manchetes dos
principais jornais e revistas.
No
entanto, era verdade. Ela vivera um caso de amor com um fotógrafo que era
soropositivo. Outras versões da história também foram divulgadas na mídia: ela
teria se contaminado numa transfusão que recebera depois de um acidente, ela
teria compartilhado seringas ao se drogar em grupo, etc.
Sandra
Bréa morreu de câncer do pulmão. Um câncer que o próprio virus da Aids
“escondeu”, dificultando a identificação de células que se proliferam
desordenadamente e retardando um diagnóstico. Quando foi descoberto o câncer
estava num estágio avançado demais para poder ter chance de cura.
Nos 7 anos que sobreviveu ao vírus, Sandra participou de campanhas contra o preconceito que infelizmente sempre vitimou os portadores da Aids.
Um
de seus empregados domésticos declarou que Sandra passou esses anos praticamente
sozinha. Antes de adoecer sua casa era ponto de encontro de artistas,
jornalistas, gente do meio das comunicações. Depois – disse esse empregado –
“ela chamava as pessoas para virem a sua casa mas, com o tempo, como ninguém
aparecia, desistiu”.
Apenas
o ator Ney Latorraca continuou a visitá-la e apoiá-la.
Seu único filho, o adotivo Alexandre já não vivia mais com ela. O único parente era um aviador aposentado da Força Aérea Americana e sua única companhia no cotidiano, os empregados da casa.
Assim, a famosa, invejada, maravilhosa, sexy, deusa da mídia, Sandra Bréa, morreu sozinha, abandonada por aqueles que se fingiam de amigos, no dia 4 de maio de 2000, uma semana antes de completar 48 anos de idade.
“Nobody knows you, when you’re down and out”, já diria a canção de Jimmie Cox.
07 de maio
1944, nasceu Iara Iavelberg
A
hoje nossa presidente Dilma Rouseff era uma guerrilheira de codinome Vanda, quando
conviveu com Iara Iavelberg e o seu apaixonado capitão Lamarca.
(Carlos Lamarca, pra quem não sabe, é considerado, pelos de esquerda, um herói
da oposição à ditadura militar brasileira e, pelos da direita, um terrorista
guerrilheiro que deserdou do exército, roubando armas e munição)
Iara e Lamarca viveram um romance completamente clandestino.
Perseguidos pela ditadura militar, pouco podiam se encontrar, ambos se esgueirando de “aparelho” em “aparelho” (esse era o nome dos esconderijos dos militantes de esquerda, pra quem não sabe).
Lamarca apaixonou-se por Iara, mas culpava-se pela relação extraconjugal, já que tinha outra mulher (com filhos) exilada em Cuba.
Tanto Iara quanto Lamarca foram mortos pela repressão militar.
Iara
nasceu em 7 de maio de 1944, filha de David e Eva Iavelberg, na cidade de São
Paulo.
Teve uma educação comum às garotas de classe média alta, desde pequena cultivou o hábito da leitura, e, com apenas 16 anos de idade casou-se com um médico, Samuel Halberkon, nove anos mais velho que ela. Três anos depois, o casamento acabou.
Iara
tornou-se professora e foi fazer psicologia na USP.
Como a maioria dos estudantes secundaristas e universitários do seu tempo, era frequentadora da famosa Rua Maria Antonia, onde Chico Buarque começou a cantar e onde aconteceram várias “guerras” entre o pessoal da direita (Mackenzie) e esquerda (Economia da USP, que funcionava num prédio na mesma rua Maria Antonia, próximo a onde até hoje está o Mackenzie).
José
Serra (ex governador do Estado de São Paulo), Wladimir Travassos (que morreu
jovem) e José Dirceu (o ex-ministro do presidente Lula) eram líderes estudantis
que faziam as jovens politizadas, mas românticas, suspirarem de paixão.
Iara era muito bonita e conseguiu a façanha de ser namorada do Zé Dirceu.
Vivia
como todas as jovens daquela época: ligada nos movimentos culturais e políticos
do planeta, curtindo boa música brasileira e estrangeira, tendo discussões
filosóficas nos bares da vida, frequentando teatros e cinemas.
Acabou se engajando em um dos mais radicais movimentos que lutavam contra a ditadura no Brasil que pregava, inclusive, a luta armada.
Em
1968 deixou a família e caiu na clandestinidade, indo para Quitaúna, onde jovens
militantes de esquerda aprendiam as técnicas da guerrilha. Iara era uma das
professoras.
Em 1969 Lamarca deserdou e fugiu para se unir aos guerrilheiros. Foi então que ele e Iara se conheceram e se apaixonaram.
São famosas as cartas de amor que Lamarca escrevia para Iara, eles sempre separados em diferentes “missões” do movimento. Mas as cartas jamais foram lidas por Iara.
Era agosto de 1971 e Iara estava em Salvador, na Bahia, num “aparelho” na Praia da Pituba. A polícia, DOI CODI do Rio de Janeiro, chegou. E ninguém nunca conseguiu saber exatamente como Iara morreu.
A
versão oficial (que está, inclusive, no filme “Lamarca”, onde Carla Camurati
interpreta Iara) diz que ela, ao ser acuada pelos policiais, entrou num
banheiro e se matou com um tiro na cabeça, no dia 6 de agosto.
O atestado de óbito, porém, tem a data de 20 de agosto e muitos ex-presos políticos, que estavam no DOPS de Salvador naquela ocasião, afirmam ter sabido que Iara fora levada para lá e dizem ter ouvido seus gritos durante as bárbaras torturas que teria sofrido.
Cinco semanas depois do “estouro” do aparelho onde estava Iara, em 17 de setembro de 1971, Lamarca foi morto em combate.
O corpo de Iara veio para São Paulo em 22 de agosto, num caixão lacrado e com a ordem de não ser aberto em nenhuma hipótese.
Por causa da versão oficial de sua morte, Iara, que é de família judia, foi enterrada na ala dos suicidas, no cemitério israelita de São Paulo.
Depois de muita luta, a família de Iara conseguiu a exumação do corpo em 2003 e a versão do suicídio não pôde mais ser sustentada.
Finalmente, Iara pôde descansar em paz, no túmulo a que tinha direito.
Caso não tivesse sido brutalmente assassinada pelos torturadores da ditadura, Iara certamente estaria hoje, no Brasil democrático, brilhando na vida política.
29 de abril,
1985, morreu Carmen da Silva
Lançada
pela Editora Abril, em 1963, a Revista Claudia foi a primeira publicação
brasileira exclusivamente dedicada ao universo feminino. As revistas existentes,
para as mulheres, até então, eram apenas os figurinos, revistas de moda e
vestuário e que ensinavam, inclusive, a costurar.
Mas,
para a surpresa de seus editores, logo depois de lançados os primeiros números,
uma psicóloga entrou em contato com a redação para dizer que todo aquele cosmos
de lar, cozinha, relação com seu homem, criação do seu filho, estava sufocando
as mulheres. Elas queriam mais. Elas queriam ser cidadãs por inteiro,
conhecedoras de sua verdadeira natureza e de seus anseios. Estava faltando isso
na revista. Estava faltando falar da arte de ser mulher.
Assim, nasceu, pelas mãos dessa psicóloga e jornalista, a inesquecível Carmen da Silva, a mais importante e revolucionária coluna da imprensa brasileira, daquele tempo, para o mundo feminino: “A Arte de Ser Mulher”, publicada de 1963 a 1985.
Carmen
da Silva nasceu no Rio Grande do Sul em 31 de dezembro de 1919 e começou sua
carreira jornalística na década de 1940, quando morou na Argentina e no Uruguai.
Foi no começo dos anos 1960 que ela se mudou para o Rio de Janeiro e foi de lá do Rio que ela escreveu pra Revista Claudia, cuja redação era, e é, em São Paulo.
A
proposta de Carmem era escrever sobre as mulheres que estavam se transformando
em muito mais do que simples “rainhas do lar”. Era 1963. Nada, então, de falar
em feminismo. Carmen sabia que se falasse em feminismo seria afastada da grande
imprensa. Só a partir da metade dos anos 1970, depois da decretação de 1975 como
Ano Internacional da Mulher, pela ONU, a palavra feminista entrou em suas
colunas.
Em 1984, Carmen publicou sua autobiografia.
Em
1985, era a líder de uma passeata feminista, no centro do Rio, vestida de
Estátua da Liberdade.
Defendia as idéias feministas mas fazia enorme sucesso entre todas as mulheres, mesmo as mais conservadoras, porque sempre enfocou os temasda vida cotidiana feminina.
Carmen da Silva estava dando uma palestra em Volta Redonda quando, de uma hora para outra, seu ventre começou a inchar e ela brincou com a platéia: “fiquei instantaneamente grávida”. Era um aneurisma, que a matou poucas horas depois, em 29 de abril de 1985, aos 64 anos de idade.

Livros
de Carmen da Silva:
Histórias híbridas de uma senhora de respeito
(Ed. Brasiliense)
O homem e a mulher no mundo moderno
(Ed. Civilização Brasileira)
Sangue sem dono
(Ed. Civilização Brasileira)
Coletânea:
O melhor de Carmen da Silva
- Laura Civitta (org). (Ed Rosa dos Tempos).
28 de abril
1931, nasceu Nair Bello
17 de abril, 2009, morreu Nair Bello.
A
atriz e comediante Nair Bello, depois de passar cinco meses internada no
hospital, por causa de uma parada cardíaca que sofreu quando estava no
cabeleireiro, morreu no dia 17 de abril de 2007, onze dias antes de completar 76
anos de idade.
Uma
das grandes damas da TV brasileira, era amiga íntima de outras duas: Hebe
Camargo e Lolita Rodrigues.
Nair era supersticiosa, não usava marrom de jeito nenhum (igual ao Roberto Carlos) e se auto-intitulava “perua”: sempre de unhas e batom vermelhos, com acessórios enormes, brincões e colares imensos.
Sua marca era a alegria e ela fez o Brasil rir por décadas.
Nascida
no bairro do Cambuci, descendente de italianos e cercada por italianos, ela
costumava dizer: “Se tem um papel de italianona, chamam a Nair”. Nas muitas
novelas em que trabalhou, fazia sempre a mãe e a italiana. Mas era, acima de
tudo, uma comediante. “Adoro rir – dizia – e quando junta com a Hebe então,
ficamos impossíveis. Não podemos ir nem a velório”.
A
carreira de Nair Bello se iniciou na Rádio Excelsior, em 1949. Em 1950, ela era
uma das garotas-propaganda da recém inaugurada TV Tupi de São Paulo. Logo
depois, fez seu primeiro filme, contacenando com sua amiga Hebe Camargo: Liana,
A Pecadora, de Antonio Tibiriçá. Em 1952, estava de novo no cinema em Simão, O
Caolho.
Nair
afastou-se do meio artístico, por três anos, quando se casou com o publicitário
Irineu Francisco e teve seus três filhos.
Mas, em 1956, foi para a TV Record.
O sucesso veio em 1959, quando Blota Jr., que percebera seu talento para a comédia, a escalou para um programa de humor.
Nair
criou então a personagem Santinha que, contracenando com Renato Corte Real,
agradou em cheio ao público e lhe valeu um troféu Roquette Pinto, em 1961.
Aliás, ela considerava esta premiação como uma das mais alegrias de sua
carreira. Nair Bello dizia que se inspirara em Lucille Ball (I Love Lucy) e
também em Dercy Gonçalves.
Em 1962, Carlos Manga a levou para o Rio, onde, no programa de J. Silvestre, fazia o quadro O Riso é o Limite.
Só
fez teatro uma vez, em 1976, na peça Alegro Desbum, de Oduvaldo Vianna Filho.
Em 1978 fez João Brasileiro, de Geraldo Vietri, na TV Tupi.
Em 1980, outra vez o sucesso nacional, desta vez na TV Bandeirantes: sua personagem, Dona Santa, uma motorista de táxi, virou antológico na história da televisão.
Depois
disso, foi para a Rede Globo, onde fez inúmeras novelas e onde, por fim, retomou
o personagem do começo de sua carreira na TV, a Dona Santinha, no humorístico
Zorra Total.
Nair Bello, 52 anos de carreira, três filhos, quatro netos, viúva desde 1999, ria muito ao dizer que, além das italianas, só fazia papéis de mãe na TV e que nunca, na telinha, deu um beijo num galã.
Internada no Hospital Sírio Libanês, desde o dia 11 de novembro de 2006, morreu em 17 de abril de 2007.
14 de abril
1976, morreu Zuzu Angel
Zuleika
Angel Jones foi uma estilista de sucesso no exterior e vestiu estrelas como Liza
Minelli, Joan Crawford e Kim Novak. Suas criações, na moda eram tipicamente
brasileiras e tinham a marca da liberdade. O símbolo de sua confecção era um
anjo.
Zuzu Angel inspirou, em 2006, um filme de Sérgio Rezende, com Patrícia Pillar no papel principal. O filme conta a história da luta de Zuzu, contra a ditadura militar brasileira, em busca de seu filho, Stuart, preso em maio de 1971 e morto pela repressão.
Chico
Buarque compôs para ela a canção “Angélica”. Ela tinha 55 anos de idade quando,
em 14 de abril de 1976, sofreu um acidente fatal na Estrada da Gávea, na saída
do túnel Dois Irmãos.
Hoje se acredita que o “acidente” foi forjado e que ela foi assassinada. Uma semana antes de sua morte Zuzu deixara, na casa de Chico Buarque, um documento que deveria ser publicado “caso algo lhe acontecesse”.
Nascida
em Curvelo, MG, em 5 de junho de 1921 filha de Pedro e Francisca Gomes Netto,
Zuzu mudou-se ainda criança para Belo Horizonte,. Em Minas Gerais fazia roupas
para primas, quando começou a trabalhar profissionalmente como costureira nos
meados dos anos 50.
Em 1947, foi para o Rio de Janeiro onde morou até o fim de sua vida. Nos anos 70, abriu sua loja em Ipanema e fez desfiles com bastante sucesso no exterior, para onde levou a linguagem brasileira..
Seu
filho Stuart Angel Jones, militante político, foi preso, em 14 de maio de 1971,
pelos agentes do CISA. Tido como desaparecido, na verdade foi torturado e
assassinado. Segundo o depoimento de Alex Polari, encaminhado a Zuzu, Stuart foi
arrastado por um jipe pelo pátio interno da Base Aérea do Galeão, com a boca no
cano de descarga do veículo. Ele também ouviu os gritos de Stuart – numa cela ao
lado – pedindo água, dizendo que ia morrer e, pouco depois, seu corpo foi
retirado da cela.
Zuzu
Angel passou a denunciar de as torturas realizadas pela ditadura militar,
inclusive para a imprensa estrangeira. Zuzu chegou a entregar uma carta a Henry
Kissinger, na época Secretário de Estado do Governo norte-americano, pedindo
apoio, visto que seu filho também tinha a cidadania americana. Depois da morte
de Stuart, Zuzu passou a trabalhar como o que própria definia como “a primeira
coleção de moda política da história”; estampas mostravam canhões disparando
contra anjos.
Nunca encontrou o corpo de Stuart, cuja morte não foi admitida pela repressão militar.
Zuzu
morreu em um acidente de automóvel muito estranho. Testemunhas afirmam que havia
um jipe do Exército, logo após o acidente, na saída do túnel Dois Irmãos. Ela
própria anunciou as ameaças que vinha recebendo: "Se eu aparecer morta, por
acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho".
Sua filha, Hidelgar Angel, jornalista, fundou uma ONG que divulga e forma estilistas de moda, inspirada em Zuzu.
Existe
um site na Internet que contesta a versão de assassinato, diz que não há provas,
que a versão não se sustenta. Mas quem viveu a ditadura militar brasileira sabe
que acidentes de automóveis eram sempre muito convenientes para sumir com as
pessoas “indesejadas” pelo regime.
O filme “Zuzu Angel” -- dirigido por Sérgio Rezende e com Patrícia Pillar como Zuzu -- trouxe, novamente, para as discussões cotidianas o caso da morte não esclarecida desta brasileira de sucesso e de coragem. Por causa das polêmicas geradas pelo filme, escrevi um artigo para o site www.votebrasil.com , que reproduzo aqui, abaixo.
Zuzu
Angel e os Idiotas
Adriana de Castro, maravilhosa jornalista, com quem eu tive a honra de trabalhar na Rede Mulher de TV (ela era a apresentadora do Jornal da Rede e eu, do Saúde Feminina) me surpreendeu muitíssimo. Ela me contava que assistiu ao filme sobre a Zuzu Angel.
Zuzu, como todo mundo sabe, lutou muito para descobrir o paradeiro de seu filho, preso pelo regime militar nos negros tempos da década de 70. Zuzu foi uma espécie de Clarice Herzog mal sucedida. Clarice conseguiu provar que seu marido fora assassinado nos porões da ditadura e mobilizou o país. Zuzu percorreu o mesmo caminho de luta mas acabou morrendo em circunstâncias misteriosas num acidente de carro mal explicado.
Eu era jovem nos anos setenta e lutava, com a única arma que tenho até hoje,- as letras- , contra a ditadura. Escrevia num jornal paulistano de grande circulação, crônicas assinadas, e tive várias delas censuradas. Virei a rainha das fábulas e das metáforas, tentando enganar o pouco discernimento dos censores e passar aos meus leitores alguma coisa da nossa indignação com aquele estado totalitário, arbitrário, assassino mesmo. Assassino não só de corpos mas, pior, de cérebros. Nunca é demais lembrar que, além dos horrores da repressão militar, como a tortura de gente inocente e idealista, foi durante a Ditadura que se desmantelou o ensino público no Brasil que, até a metade dos anos sessenta, era de qualidade excelente e de mestres respeitados; que exilou muitas das melhores mentes, tanto entre acadêmicos quanto produtores culturais.
Pois bem, a minha linda, doce e inteligente Adriana de Castro, a propósito do filme da Zuzu, exclama, para a minha perplexidade:
- Isabel, como é que alguém podia, naquela época, ser idiota a ponto de tentar lutar contra a ditadura? Não sabiam que poderiam morrer, ser torturados, ver sua família destruída?!
Quase caí da cadeira. Idiotas. Aquela jornalista maravilhosa estava chamando aos heróis da minha juventude de idiotas!
Poderia esperar tudo menos isso! Eu ri, um riso de gente bem vivida, quase idosa, como já sou. Expliquei (ou tentei explicar a ela) que a minha geração era idealista. Nós crescemos no clima do Brasil de JK, no clima do Brasil dos anos cinqüenta. Aprendemos, nas escolas, que este seria de fato, o país do futuro. Aprendemos que no nosso país não tinha discriminação de raça, de cor (tinha, mas era dissimulada). Aprendemos que o Brasil era um celeiro de riquezas naturais, de bom clima, sem furações, sem tornados, sem vulcões. A terra onde se plantando, ia dar. Cresceríamos 50 anos em apenas 5. Carmen Miranda conquistara Hollywood e agora era vez de Vinicius, Tom, João Gilberto, os moços da genial bossa nova, que estavam levando (e efetivamente levaram) a nossa música ao reconhecimento internacional. Tínhamos Manuel Bandeira, Drummond, Villa Lobos, Niemayer, Portinari e tantos outros!
Um dia, num primeiro de abril dos piores, acordamos amordaçados sob os tanques militares.
Um de meus amigos, anos depois, se enforcou na árvore mais frondosa do quintal da casa pequeno burguesa de seus pais porque sabia que seria preso e sabia que, sob tortura, delataria seus companheiros de movimento estudantil.
Ouvindo Chico e Caetano, escondidos em algum apartamento, os jovens da minha geração se reuniam (reunião era proibido!) para ouvir os relatos de quem “caíra” (fora preso) e de quem não resistira e delatara fulano ou beltrano, sob as mais bárbaras torturas, e de como faríamos para ajudar fulano ou beltrano a fugir, a se esconder e até a se exilar.
Não. Não éramos idiotas. Nos nossos sonhos de “faça amor, não faça a guerra”, na ingenuidade de nossos sonhos por um mundo de mais justiça social, menos desigualdade, menos preconceitos, mais amor e mais tolerância, fomos até muito, muito corajosos!
- Mas não eram todos comunistas? – perguntou Adriana.
Não, claro que não! Bastava se opor à ditadura e você era logo de tachado de “lacaio de Moscou”. Eu, por exemplo, sempre fui uma burguesona, desfrutando dos privilégios de classe média alta da minha família, mas não podia, nem poderia hoje em dia, concordar com a censura, com a tortura (repare: as duas rimam!), com aquele brutal e estúpido cerceamento das liberdades democráticas, pelas quais a humanidade tanto lutou e ainda luta! Como se calar? Como se omitir?
Compreendo perfeitamente que a minha amiga querida, essa moça tão brilhante no exercício da sua profissão, esteja muito distante dos nossos ingênuos sonhos juvenis. Ela é de outra geração. Não contaram a ela. (Mas filmes como Zuzu estão contando...)
Hoje em dia, decepcionada com alguns dos meus heróis de juventude que, chegando ao poder, se mostram tão ou mais corruptos que políticos da velha guarda; hoje em dia, decepcionada com essa idéia atrasada do PT de que “os fins justificam os meios”; hoje em dia, decepcionada por ver que os nossos sonhos foram apenas ingênuos e babacas, ainda assim, não posso me calar.
Vou gritar contra as tentativas do governo Lula de amordaçar jornalistas, seja pela criação de conselhos que serão novas agências de censura, seja por uma lei que restrinja ainda mais a liberdade de qualquer cidadão criar um pasquim, um jornalzinho do sindicato, um jornalzinho na escola, no condomínio... Hoje em dia, além das letras, tenho uma outra arma: o meu voto. E não o darei a deputados metidos em escândalos. E se tivermos a infelicidade de ver outra ditadura (será da esquerda, desta vez?) tentando se instalar no país eu falarei contra ela. Falarei por metáforas. Por fábulas. Driblarei, como já o fiz, todos os censores, até os meus internos.
Porque foi assim, lutando, que a humanidade conseguiu ir saindo das trevas da escravidão (mas não totalmente: metade do mundo ainda é escravo), da ignorância, da injustiça, do desamor, da falta de solidariedade.
Como você pode ver, minha querida Adriana, nasci idiota e continuo idiota.
Com muito orgulho.
06 de abril
1921, nasceu Cacilda Becker
Era
a Ditadura Militar e Maria Bethânia estrelava o show “Tempo de Guerra”, no
Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo. Um censor apareceu por lá querendo
proibir alguma coisa e Plínio Marcos começou a bater boca com ele: Acabou preso.
De repente apareceu Cacilda Becker, a então grande dama do teatro nacional, e simplesmente ordenou a um dos guardas que soltasse o Plínio. E ele, diante da autoridade que emanava daquela mulher, concordou.
O representante da cruel e arbitrária Ditadura Militar Brasileira, cedia à força e ao prestígio de Cacilda.
Cacilda
Becker Iáconis nasceu em Pirassununga em 6 de abril de 1921, filha do imigrante
italiano Eduardo Iáconis.
Tinha apenas 9 anos quando seus pais se separaram e ela e suas duas irmãs (uma delas, Cleide Yáconis, também atriz) foram criadas pela mãe, que se mudou para Santos, no litoral paulista.
A
mãe, professora, mal conseguia sustentar a família e Cacilda, que aprendeu a
dançar descalça, só pode ter seu primeiro sapato aos 14 anos de idade.
Jovem, Cacilda frequentou os boêmios de vanguarda até vir para a capital tentar a sorte no teatro amador.
Em 1948, a atriz Nídia Lícia recusou um papel na peça Mulher do Próximo, de Abílio Pereira de Almeida.
Nídia
tinha um contrato de publicidade com uma grande loja e a peça, onde ela faria
cenas de amor, acabaria por custar-lhe o rendoso trabalho.
Assim, Cacilda foi escolhida para substituí-la e, já em seu primeiro papel no teatro profissional, exigiu um contrato, rompendo assim com o costume de atores trabalharem apenas com compromissos apalavrados.
Nos
30 anos seguintes, Cacilda encenaria, sempre com absoluto sucesso, 68 peças.
Ficou 10 anos no TBC, até 1958, de onde saiu para montar a sua própria
companhia, o Teatro Cacilda Becker, que dirigiu até sua morte.
Fez ainda dois filmes: Luz dos Meus Olhos, em 1947 e Floradas da Serra, em 1954.
Participou dos famosos teleteatros da TV Tupi e fez uma telenovela, em 1966, Ciúmes.
Durante
os anos negros da ditadura militar, seu
apartamento de cobertura no Edifício Baronesa de Arary, na Avenida Paulista,
tornou-se um centro de encontro de intelectuais e artistas que queriam a volta
do estado de direito no Brasil.
Cacilda era daquelas mulheres inesquecíveis, libertas e fortes. Brilhava no palco e na vida. Teve muitos casos de amor e três maridos. O último, Walmor Chagas, um dos mais belos atores da época.
"Esperando
Godot", de Samuel Beckett, era um grande sucesso nos palcos paulistanos, com
Cacilda no papel de Estragon.
Em 6 de maio de 1969 começou a sentir-se mal, ainda em cena, e disse a Walmor, que contracenava com ela, que deveria estar tendo um derrame. Desmaiou.
Era um aneurisma cerebral.
Foram quase 40 dias de agonia para todos que a amavam. Os fãs faziam plantão na porta do hospital, onde ela entrara ainda com as roupas de seu personagem. Foi talvez a única batalha que ela perdeu.
Em
14 de junho, com apenas 48 anos, morria Cacilda Becker, a grande diva do teatro
brasileiro.
Carlos Drummond de Andrade, o poeta, escreveu :
"A morte emendou a gramática.
Morreram Cacilda Becker.
Não era uma só. Eram tantas."
31 de março
1872, nasceu Alexandra Kollontai
Apesar
dos movimentos de esquerda serem todos tradicionalmente tão machistas
quanto os direita, Alexandra Kollontai conseguiu ser a mais importante
dirigente feminina da Revolução de Outubro de 1917, na Rússia.
Foi ela a responsável pela elaboração da legislação revolucionária do estado soviético, a qual, pela primeira vez na História da Humanidade, impôs a igualdade de direitos entre os sexos. E foi, junto com Clara Zetkin, quem propôs a criação do Dia Internacional da Mulher, 8 de março.
Era rica e privilegiada, mas estava mais interessada na igualdade social do que em suas próprias regalias.
Ela
nasceu em 31 de março de 1872, na Finlândia, país que, na época fazia
parte do império russo. Filha do general ucraniano Michael Domontovich,
vinha de uma linhagem nobre, tendo entre seus antepassados o famoso
príncipe Dovmont, que vivera no século XVIII , canonizado pela Igreja
Ortodoxa como São Timofei de Pskoy.
Alexandra estudou nas escolas de elite e, aos quinze anos, queria ser professora e escritora.
Em
1893 casou-se com seu primo em terceiro grau, Vladimir Kolontai. Os pais
de Alexandra foram contra o casamento. Vladimir era oficial do exército
e vinha de uma família pobre, seus pais haviam sido expulsos de sua
propriedade no Cáucaso por autoridades czaristas.
Alexandra escreveu: “Amava o meu belo marido e dizia a todos que era extraordinariamente feliz. Mas essa felicidade parecia manter-me prisioneira. E eu queria ser livre. Não queria passar a vida como minhas amigas que, enquanto o marido ia trabalhar, ficavam em casa apenas se dedicando à cozinha e às compras domésticas”.
Na
época em que Alexandra era jovem, o marxismo ganhava cada vez mais
espaço entre a juventude russa, inclusive nos círculos universitários.
O seu primeiro romance tratava da igualdade entre mulheres e homens e contava as aventuras de uma solteirona de mais de 40 anos que, contrariando os costumes da época, trabalhava, e que acaba se apaixonando por uma homem muito mais jovem que ela.
Para tentar publicá-lo, Alexandra mandou os originais a maior autoridade literária da Rússia de então, o escritor Korolenko. Em vez de ter o seu valor reconhecido, viu seu texto rechaçado e desprezado, considerado apenas imoral.
Com dois anos de casada, Alexandra teve seu primeiro e único filho, Mikail. Nessa época, pertencia a um grupo literário, discutia política e fazia trabalho voluntário com o povo pobre dos arredores de Moscou.
Em 1898 já trabalhava em missões do partido socialista, embora ainda sem estar afiliada.
Começou a chamar o casamento de “tirania do amor”, já que seu marido, como qualquer homem da época, não via com bons olhos as suas atividades fora do lar.
Alexandra terminou então seu casamento, filiou-se ao Partido Social Democrata Operário e foi para a Suiça, estudar marxismo. Na Universidade, apaixonou-se pelo trabalho de Rosa de Luxemburgo e começou a se especializar em proferir palestras e redigir artigos, divulgando os idéias socialistas.
Em 1890, estava em Londres, convivendo com o movimento operário inglês.
Quinze anos depois, era uma liderança feminista, amiga de Lênin e de sua esposa. Mas tinha lá suas discordâncias do movimento de mulheres, pois acreditava que o problema feminino tinha que estar inserido na causa social democrata e não ser tratado separadamente. Isso também, para ela, era discriminação.
Em
1910 Alexandra foi a única mulher russa a participar como delegada
daquele histórico VII Congresso Socialista. Foi ela que, junto com a
alemã Clara Zetkin, propôs a criação do Dia Internacional da Luta da
Mulher, o 8 de Março.
Alexandra fora exilada em 1908 e agora brilhava, em defesa dos direitos da mulher, em toda a Europa e nos Estados Unidos.
Foi então que escreveu sua obra m,ais importante: “A Sociedade e A Maternidade”.
Depois da Revolução Russa, em 1917, Alexandra voltou ao seu país e foi a única mulher a ter um cargo no novo governo socialista, no primeiro escalão, em função semelhante a de Ministro de Estado. Por causa dela, a Rússia tem então a mais avançada legislação do mundo da época no que tange aos direitos femininos. Ela ainda editava o jornal “A Operária” e organizou o primeiro congresso da mulher trabalhadora.
Romance e Revolução, A Mulher Moderna e a Classe Trabalhadora, Comunismo e Família, A Nova Mulher e a Moral Sexual e O Amor Vermelho, foram sua obras publicadas nesse período.
Mas
em 1918, divergindo de Trotski, Alexandra abandonou seu cargo no
governo.
Tinha 45 anos quando se apaixonou por Pavel Dibenko. Ele, 28. O casamento deles escandalizou a sociedade e durou apenas 5 anos.
Alexandra foi a primeira mulher do mundo a ocupar o cargo de embaixadora, de 1923 a 1945, na Suécia, no México, na Noruega e na Suécia. Representava então os interesses do stalinismo, um regime que contrariou grande parte das conquistas pelas quais ela tanto lutara na juventude.
Alexandra Kollontai morreu em 9 de março de 1952, aos 80 anos de idade.
29 de março
1987, morreu Maria Von Trapp
Escritora
austríaca, matriarca de uma família de cantores, inspirou o sucesso do cinema,
estrelado por Julie Andrews, “A Noviça Rebelde”. Antes de virar filme, o livro
de Maria – The Story of the Trapp Family Singers - , que foi um tremendo sucesso
de vendas, havia sido adaptado para a Broadway, num musical, por Rodgers e
Hammerstein. E tudo fez sucesso. O filme é sucesso até hoje. Mas Maria havia
vendido os direitos autorais para as adaptações por menos de 10 mil dólares e,
portanto, nunca colheu os benefícios desses sucessos.
Maria
Augusta (Kutschera) Von Trapp nasceu em 26 de janeiro de 1905, na Áustria. Era
órfã e foi criada por um tio, ateu e socialista. Cresceu ouvindo o tio dizer que
as histórias da Bíblia eram meras invenções.
Um dia, quando estava terminando seus estudos básicos, Maria foi ouvir um concerto de Bach numa igreja. Ficou impressionada com o sermão do padre e sentiu despontar em si uma vocação religiosa. Entrou para um convento católico em Salzburg com a intenção de tornar freira.
Enquanto
ainda era uma noviça, foi trabalhar como governanta e educadora de uma das
filhas do oficial naval Capitão George Ritter Von Trapp e de sua primeira
esposa, Agathe. O casal tinha sete filhos.
Maria conquistou a todos através de sua música.
Um dia, George, que se apaixonara por ela, a pediu em casamento.
Diferentemente
da versão romanceada que aparece no filme, Maria diz, em seu livro, que se
George não tivesse pedido para que ela fosse “a segunda mãe de seus filhos”, ela
não teria aceito o pedido. Porém, mais apaixonada pelas crianças do que pelo pai
delas, Maria casou-se com George em 26 de novembro de 1927. Juntos, eles teriam
mais 3 filhos.
Depois do crack da bolsa de Nova Iorque, em 1929, com a Depressão americana, George perdeu grande parte de sua fortuna em 1935, porque vários bancos faliram.
Sem
dinheiro, com uma casa cheia de empregados e crianças, Maria se viu obrigada a
reduzir drasticamente as despesas domésticas, dispensar empregados... e aí teve
a idéia de transformar o hobby da família – cantar – em atividade profissional.
Sua primeira apresentação aconteceu em 1935, num festival. E logo a família cantora estava excursionando pelo país.
Em 1938, os nazistas anexaram a Áustria. George se negou a aderir ao novo regime e a família fugiu para a Itália e depois para os Estados Unidos.
“The
Trapp Family Singers” logo fez muito sucesso na América e começou a excursionar
mundo afora. Acabaram fixando residência numa fazenda, em Vermont, nos EUA, onde
montaram, inclusive uma escola de música. Ganharam muito dinheiro e ajudaram
financeiramente a Áustria em sua luta para se libertar dos nazistas.
George morreu de câncer em 30 de maio de 1947. Mas a família de cantores continuou atuando por mais 10 anos. Em 1957, o grupo se desfez. Maria e três dos seus filhos foram servir como missionários no Pacífico Sul.
Depois
de alguns anos, Maria retornou à Vermont e administrou a sua fazenda até o dia
de sua morte, em 1987.
A história real de Maria Von Trapp, como se viu aqui, é um pouco diferente da sua versão cinematográfica. Mas é uma história de luta e de sucesso.
No filme A Noviça Rebelde (The Sound of Music) a Maria real faz uma figuração: é ela a mulher que cruza uma praça na cena em que Julie Andrews canta “I Have Confidence”.
28 de março
1974, morreu Dorothy Fields
A
menos que você seja uma fã de carteirinha do jazz, certamente você não sabe quem
é Dorothy Fields. Até porque quando se fala em letristas do jazz fala-se de Ira
Gershwin, Cole Porter e outros e nunca na mulher que colocou palavras em algumas
das obras primas dos mais importantes músicos de jazz.
A famosa cançaõ On the Sunny Side of The Street, é apenas uma das muitas músicas que têm letra da Dorothy Fields.
Ela escreveu mais de 400 canções entre 1928 e 1973. Para Hollywood, para a Broadway... mas, estranhamente, seu nome quase nunca é citado quando se fala nos compositores de jazz.
O fato é quando você for curtir o seu disco de jazz e olhar o nome dos compositores das músicas lembre-se que aquele Fields que aparece em músicas como A Fine Romance, I Can´t give you anything but love e tantos outros sucessos, aquele nomezinho Fields é de uma mulher que brilhou no jazz e o nome dela é Dorothy.
Ela
nasceu em 15 de julho de 1905, filha do comediante Lew Fields, um imigrante
polonês, e sua esposa, Rose. Seu pai se tornaria, mais tarde, um produtor de
sucesso na Broadway.
Teve uma irmã mais nova, Frances e dois irmãos mais velhos, que se tornaram escritores de peças teatrais, com inúmeros sucessos musicais.
A mãe, Rose, não queria que os filhos seguissem a carreira artística e costumava dizer que eles teriam que ser mais educados que a média, já que o pai era um ator. Havia ainda, é claro, um preconceito contra atores.
A
carreira profissional de Dorothy Fields se iniciou em 1928, quando Jimmy McHug a
convidou para escrever letras para as suas músicas. Trabalharam juntos até 1935
e são desse período as famosas (e até hoje gravadas por grandes astros) “I Can’t
Give You Anything But Love” e “On the Sunny Side of the Street”.
Na
década de 1930 Dorothy começou a escrever letras para músicas do cinema e a
trabalhar com diversos compositores, inclusive com Jerome Kern. Juntos, eles
faturaram o Oscar de melhor canção, em 1936, com “The Way You Look Tonight”.
De volta a Nova Iorque, trabalhou nos shows da Broadway, como roteirista.
Nos
anos de 1940, junto com seu irmão, Hebert, escreveu três shows para Cole Porter.
Outro parceiro seu foi Irving Berlin, com quem bateu a marca de 1147
apresentações.
Dorothy emplacou ainda varias canções e musicais de sucesso, em 1959, 1960 e 1973.
Escreveu mais de 400 canções, para 15 shows e 26 filmes.
Morreu aos 68 anos, de um ataque cardíaco, em 28 de março de 1974.
26 de março
1923, morreu Sarah Bernhardt
Quando
alguém quer elogiar uma atriz, diz que ela é “uma Sarah Bernhardt”. Afinal,
Sarah é considerada a maior atriz de seu tempo.
Francesa, nascida em 1844, era filha de uma prostituta.
Aos 15 anos de idade, sua mãe queria iniciá-la nas artes de agradar os homens ricos pelo sexo. Mas um dos amantes de sua mãe, o Duque de Morny, que era meio-irmão de Naopleão III, achou que a menina levava jeito para a carreira de atriz e conseguiu uma matrícula para ela no Conservatório de Paris.
Sarah Bernhardt, já famosa, esteve quatro vezes no Brasil.
Sarah é também personagem de dois filmes brasileiros: Amélia e O Xangô de Baker Street.
Sarah
Bernhardt é o pseudônimo de Henriette Rosine Bernard. Ela nasceu em Paris em 22
de outubro de 1944, filha de uma famosa cortesã holandesa, Judith van Hard e de
um estudante de direito francês, Edouard Bernard.
Foi, ainda criança, mandada para um convento de Versalhes onde se tornou católica. Era considerada uma menina difícil e de saúde frágil.
Quando
voltou para casa, o Duque de Morny conseguiu que ela fosse estudar no
Conservatório de Paris, onde ela não foi considerada uma grande promessa como
atriz. Mas Sarah achava que o errado era o conservatório e não ela. Assim
conseguiu que o Duque de Morny a colocasse na Comédie Française. Lá, participou
de três espetáculos e ninguém tomou conhecimento da sua existência. Acabou
demitida, quando esbofeteou a atriz principal.
Foi
para o elenco do Thêatre du Gymnase-Dramatique onde fez papéis menores em peças
também menores e, nessa época, quase abandonou a carreira.
Teve alguns amantes, entre eles o príncipe de Ligne, que foi pai do seu único filho, Maurice.
Mas em 1866 a sua sorte começou a mudar.
Com um contrato no Teatro Odeon foi se tornando conhecida e considerada a atriz favorita dos estudantes.Em 1869, Napoleão III pediu-lhe uma apresentação exclusiva. Em 1870 a França entrou em guerra com a Prússia. Sarah montou um hospital dentro do teatro.
Quando
a guerra acabou e Napoleão III foi deposto, a França tornou-se uma república.
Sarah, que fora auxiliada pela nobreza, tivera um filho com um príncipe e era a
queridinha do imperador caído, ficou numa situação difícil. Mas isso não a
impediu de conquistar o papel principal numa peça de Victor Hugo, que a chamava
de “A Voz de Ouro” e a levou para apresentações no Exterior, dando o primeiro
impulso em sua carreira internacional.
Oito anos depois, estava montando sua própria companhia e excursionou pelos Estados Unidos, fazendo muito sucesso. Começam as produções mais sofisticadas e muito caras. O diretor e dramaturgo Victorien Sardou escreve para ela e a dirige no palco. É sucesso na Europa. Na Austrália. Na Rússia, com direito a homenagens do próprio Czar.
Foi
no Brasil, em 1905, que Sarah machucou o joelho durante uma apresentação. Dez
anos depois as consequências do ferimento levaram a amputação de sua perna. Mas
imagine se ela, a grande Sarah, iria parar de trabalhar apenas por uma perna...
Foi para a frente de batalha, em plena I Guerra Mundial, para alegrar e entreter
os soldados. Em 1918, estava em tournê pelos Estados Unidos. Em 1920 publicou um
romance: “Petite Idole” sobre a vida das atrizes..
Estava filmando, produzida por Hollywood, em sua própria casa, em Paris, quando morreu, debilitada por seguidos problemas de saúde, em 26 de março de 1923.
Tinha 78 anos de idade e era uma das maiores atrizes que o teatro conheceu.
23 de março
2011, morreu Elizabeth Taylor
A
grande estrela do cinema, Liz Taylor, teve uma coleção de sete maridos.
Foi grande amiga de grandes astros, como Rock Hudson, que morreu de Aids e que ninguém desconfiaria que fosse homossexual.
Também
foi amiga de Michael Jackson.
E, nos anos 1950, viveu o casamento mais escandaloso de sua vida, quando roubou o marido da amiga Debbie Reynolds, Eddie Fisher (pai de Carrie Fisher, a princesa Leia do “Guerra Nas Estrelas”).
Liz foi alcoólatra, engordou 30 quilos, estragou sua beleza e, supostamente superados todos estes problemas, dedicou-se às campanhas mundiais contra a Aids.
Elizabeth
Rosamond Taylor, nasceu em Londres, no dia 27 de fevereiro de 1932. Seu
pai era marchand e sua mãe, atriz. A família só foi morar nos Estados
Unidos, em 1939, para fugir da guerra.
Liz fez seu primeiro filme em 1942, quando ainda não completara seus 10 anos de vida e, um ano depois, conseguiu um papel em “A Força do Coração” o filme que iniciou a mania de filmes e séries sobre a cadela Lassie
Apareceu
mesmo em 1949, quando estrelou “Um Lugar ao Sol” ao lado de James Dean e
Montgomery Clift.
A jovem Liz se apaixonou pelo seu parceiro de estrelato, o Clift, mas ele era gay. Naquele tempo, todos os gays (ou quase todos) eram enrustidos. No entanto, eles foram amigos íntimos até a morte dele, em 1966.
Com
18 anos, Liz Taylor casou-se com Conrad Nicholson Hilton Jr., o
milionário herdeiro da famosa cadeia de hotéis Hilton. O casamento durou
7 meses.
Divorciada,
ela se casou com Michel Wilding, um inglês, com quem teve dois filhos em
cinco anos de união: Michel Jr. e Cristopher.
Seu terceiro marido foi Mike Tood, também milionário. Mas, poucos meses depois do casamento, ele morreu num acidente de avião. Dessa união, nasceu Liza Tood.
Viúva, Liz foi se consolar na amizade da também atriz Debbie Reynolds e de seu marido, o cantor Eddie Fisher, que tinha sido muito amigo de Mike.
Eddie
Fisher e Debbie são os pais da atriz Carrie Fisher, a princesa Léia dos
três primeiros filmes produzidos da série “Guerra nas Estrelas”.
Mas aí veio o escândalo: Hollywood se horrorizou quando Eddie deixou a mulher e os filhos para se casar com a viúva de seus melhor amigo e se horrorizou por Liz Taylor ter usado a amizade do casal para roubar Eddie de Debbie.
Mas esse quarto casamento também durou pouco.
Quando
Liz Taylor se tornou a primeira estrela do cinema a receber o cachê de
um milhão de dólares por um filme e foi estrelar “Cleópatra” (na época
uma super produção que quase levou à Fox à falência, pois, embora tenha
emplacada, o orçamento era tão estrondoso que o filme levou quase uma
década para se pagar), o galã era Richard Burton.
Com Burton, que quando foi filmar Cleópatra também era casado, Liz viveu o seu mais tórrido romance.
Largou
Fisher e casou-se com o Burton. Eles formaram então o casal mais
perseguido por paparazis e pela midia, de seu tempo. E as manchetes
estampavam cada brilhante de cada jóia caríssima que Burton dava a ela.
Ficaram juntos por 10 anos, fizeram juntos vários filmes importantes, se divorciaram, voltaram a se casar um ano depois e se divorciaram de novo. Ambos bebiam demais e isso era prato cheio para mídia.
Dizem que eles foram o casal que iniciou o moderno culto às celebridades.
Separaram-se
de vez em 1975 mas estiveram novamente juntos, no palco, em 1983. Burton
morreu em outubro de 1984. Eles tiveram uma filha adotiva, Maria Burton.
De 1976 a 1981, o sexto (ou o sétimo, se você considerar que ela se casou duas vezes com Burton) casamento de Liz com o fazendeiro e político John Warner.
Quando acabou, Liz engordou 30 quilos e só recuperou a forma em 1985.
Foi também em 1985 que morreu, de Aids, seu grande amigo, o galã Rocky Hudson que, na década de 1950 fazia suspirar todas as moças casadoiras quando brilhava nas telonas. Liz, a partir de então, dedicou-se ao combate à Aids, tendo sempre uma atuação marcante em campanhas por todo o planeta.
Em
1991 , aos 59 anos de idade, casou-se com o sétimo marido : Larry
Forstensky, um caminhoneiro que ela conhecera numa das clínicas para
recuperação de drogas em que esteve internada.
Quando esse casamento também acabou, ela mergulhou de novo nas drogas e na bebida.
A Revista Paris Match a colocou, completamente careca, na capa, em 1997. Ela acabara de sofrer uma cirurgia para retirar um enorme tumor que tinha no cérebro.
Michael
Jackson – de quem ela era muito amiga e a quem defendeu ferrenhamente
quando ele foi acusado de pedofilia – dedicou a ela vários de seus
trabalhos, inclusive a canção “Liberian Girl”.
Em 2001, embora tendo nascido fora dos EUA, recbeu do presidente Clinton a medalha “Presidential Citizens” por sua atuação social.
Liz passou a vida entre dietas, recaídas no álcool e nas drogas e problemas de saúde.
Em 2009 diagnosticou-se a insuficiência cardíaca que acabou por tirar-lhe a vida.
Desde
2004 ela andava de cadeira de rodas por causa de suas muitas dores na
coluna. Nunca, porém, perdeu a pose nem deixou de ser a militante ativa
e a amiga fiel.
Seus quatro filhos estavam com ela quando se foi, após uma cirurgia cardíaca, no Centro Médico Cedras-Sinai em Los Angeles, na manhã do dia 23 de março de 2011, aos 79 anos de idade.

Filmografia
1942 – There’s one born every minute
1943 – Lassie e a força do coração
1943 – Jane Eyre
1944 – Evocação
1944 – A mocidade é assim mesmo
1946 – A coragem de Lassie
1949 – Mulherzinhas
1950 – O pai da noiva
1951 – Um lugar ao sol
1951 – Quo vadis
1952 – Ivanhoe
1954 – O belo Brummell
1956 – Assim caminha a humanidade
1958 – Gata em teto de zinco quente
1959 – De repente, no último verão
1960 – Disque Butterfield 8 (Oscar de melhor atriz)
1963 – Cleópatra (primeiro filme com Richard Burton)
1963 – Gente muito importante
1966 – Quem tem medo de Virginia Woolf?

1967
– A megera domada
1967 – Doutor Faustus
1967 – O pecado de todos nós
1967 – Os farsantes
1968 – O homem que vem de longe
1969 – Ana dos mil dias
1972 – X, Y e Z
1980 – O espelho quebrado
1981 – General Hospital (novela)
1984 – All my children (novela)
1989 – Doce pássaro da juventude
1992 – Os Simpsons (como ela mesma e a voz da Maggie)
1994 – Os Flintstones (filme baseado na animação)
1996 – The Nanny (série de TV)
2000 God, the Devil and Bob (voz)
2001 These Old Broads
1922, nasceu Nora Ney
Clique na capa do livro "Cantores do Rádio", para ver a entrevista que Nora Ney, Jorge Goulart e o professor Alcir Lenharo (autor do livro sobre o casal) me deram na Rede Mulher de TV.
Imortalizada
pelo seu maior sucesso, entre tantos, a música “Ninguém Me Ama”,
Nora Ney foi uma das
mais importantes cantoras brasileiras da década de 1950.
Ela foi pioneira em muitas coisas: foi a primeira a gravar Tom Jobim e também a primeira brasileira a gravar um rock e a primeira artista a assumir-se publicamente como comunista, além de -- numa época em que não havia divórcio e acabar um casamento era uma tragédia – ter largado seu marido e pai dos seus filhos, para ir viver com o também famoso cantor Jorge Goulart, com quem viveu, afinal, o resto da vida.

Iracema de Sousa Ferreira, ou Nora Ney, nasceu no Rio de Janeiro no dia 20 de março de 1922.
Aprendeu a tocar violão sozinha, numa época que tocar violão era coisa de malandro do morro, nunca de rapazes de boa família e muito menos de moças de boa família ou não.
Mocinha, começou a frequentar os programas de auditório das rádios cariocas, sempre fascinada pela música popular.
Mas
sua carreira só se iniciou aos 28 anos de idade, em 1950, em 1953 já
se tornara uma das grandes divas do rádio, cantando canções de Noel
Rosa, Ary Barroso e Dorival Caymmi.
Começou pelas mãos do homem forte da Rádio Tupi-Tamoio, Sergio Vasconcellos. Haroldo Barbosa se encantou com a voz dela.
Frequentadora do Sinatra-Farney Fã Clube, lá fez amigos ilustres como João Gilberto, Baden Powell, Lúcio Alves e Carlos Manga.
Nora,
no inicio de sua carreira, cantava jazz: Geswhin, Cole Porter, mas
acabou se tornando uma das grandes e famosas intérpretes do samba
canção e foi eleita Rainha do Rádio no início da década em 1953.
Seu nome artístico era Nora May, mas uma fã confundiu-se e a chamou de Nora Ney. Ela gostou e assumiu.
Getúlio Vargas se apaixonou pela voz dela e a tornou sua cantora predileta e ele ia vê-la nos teatros de revista, onde também se apresentava a vedete Virginia Lane, com quem o ditador teve um caso amoroso por anos a fio.
Nora
Ney era crooner do Copacabana Palace quando conheceu outro cantor
famoso, Jorge Goulart. Nora era casada e tinha dois filhos, Hélio e
Vera. Mas separou-se do marido para ir viver com Jorge. Eles
passaram o resto da vida juntos mas só se casaram 39 anos depois, no
dia em que Nora completou 70 anos.
Jorge e Nora foram os primeiros artistas a se declararem abertamente comunistas.
Juntos
eles se apresentaram em quase todo o mundo. Na China, Nora foi
deliramente aplaudida por 45 mil pessoas ao cantar o seu hoje
clássico “Ninguém Me Ama” e Jorge fez com que os chineses cantassem
com ele, em portugues, o refrão de “Aurora”: “Se você fosse sincera,
ooooo, Aurora, olha só que bom que era, ooooo Aurooora”.
No Brasil, Nora manteve por décadas uma coluna na popularíssima Revista do Rádio.
Em novembro de 1955, foi a primeira cantora brasileira a gravar um
rock: “Rock Around The Clock”. Em uma semana, estava em primeiro
lugar nas paradas de sucesso.
Em
1963, sua filha, Vera Lúcia, foi eleita Miss Guanabara, ficou em
segundo lugar no Miss Brasil (neste ano, a vencedora foi Ieda Maria
Vargas, que se tornou Miss Universo) e foi representar a beleza da
brasileira em Londres, no concurso de Miss Mundo. Lá, também ficou
em segundo lugar.
Com o golpe militar de 1964, Nora Ney e Jorge Goulart, saíram do Brasil para o exílio.
Nora
Ney voltou aos palcos brasileiros e aos noticiários no começo dos
anos 2000, com o show “Cantoras do Rádio” que levou para os palcos
Carmélia Alvez, Zezé Gonzaga, Ellen de Lima, Violeta Cavalcante,
Rosita Gonzales e ela, que brilhava num longo preto, os cabelos
presos num elegante coque, a mesma voz grave de sempre.
Nora Ney morreu no Rio de Janeiro em 28 de outubro de 2003, aos 81 anos de idade.
15 de março
1950, morreu Alice Stone Blackwell
Alice
Stone Blackwell era sobrinha da Elizabetth Blackwell, a primeira
mulher a obter oficialmente um diploma de medicina nos EUA.
Sua tia, além de ser a primeira mulher médica, era também uma lutadora pelos direitos da mulher.
Mas não foi só a tia feminista. A mãe de Alice, Lucy Stone, também é uma famosa sufragista, reverenciada e admirada pelas americanas que, diferentemente de nós brasileiras, sempre prestam tributo às antepassadas.
É
que as americanas sabem (e as brasileiras permanecem ignorantes)
que, sem nossas avós feministas, nós não teríamos conquistado os
direitos que conquistamos na sociedade ocidental.
Alice Stone Blackwell editou um importante jornal de mulheres, iniciado por sua mãe em 1872, de 1881 a 1916, portanto por 35 anos. Ela também escreveu a biografia de sua mãe, Lucy Stone. (na foto, com Alice bebê)
Ela nasceu, filha única, em 14 de setembro de 1857, em Orange, Nova Jersey, Estados Unidos.
Sua
mãe, Lucy Stone, fora a primeira mulher a receber um título
universitário em Massachusetts, a primeira mulher a conservar seu
nome de solteira quando casou-se com Henry Blackwell e a primeira
também a dedicar-se integralmente à defesa dos direitos das
mulheres.
Dizem que foi Lucy quem colocou a famosa sufragista Susan B. Anthony no movimento feminista.
Alice cresceu, portanto, numa família que se preocupava com os direitos humanos e deve ter ouvido, por toda a sua infância e adolescência, algumas das conversas que ajudaram a humanidade a evoluir para um mundo menos injusto.
Alice formou-se na Universidade de Boston em 1881.
Imediatamente
foi trabalhar no famoso Jornal das Mulheres, fundado por Lucy
Stone e Henry Blackwell (seus pais) e que era a publicação oficial
da Associação Americana do Voto Feminino.
Em 1890, foi Alice quem conseguiu resolver as discordâncias que existiam entre dois diferentes movimentos sufragistas que acabaram se unificando e tornando-se então um movimento único: “National American Women Suffrage” e ela foi secretária do movimento até 1918, por 28 anos, portanto.
Em 1893 sua mãe, Lucy Stone morreu.
Alice assumiu então a editoria do jornal da família e ficou no cargo por quase quarenta anos.
Uma
tia de Alice, Isabel Barrows, apresentou-a ao teólogo alemão Ohannes
Chatschumian. Alice e Ohannes fizeram juntos um importante trabalho,
coletando, organizando e traduzindo poemas de autores de vários
países do mundo, que tinham em comum a luta contra a tirania e a
opressão de seus povos.
“Lucy Stone, Uma Pioneira dos Direitos da Mulher” e o título da biografia escrita por Alice.
Ela tornou-se ainda Doutora honoris causa em Ciências Humanas pela Universidade de Boston, título que recebeu em 1945, como a coroação de uma vida dedicada às causas dos Direitos Humanos.
Alice Stone Blackwell morreu em 15 de março de 1950, aos 92 anos de idade.
12 de março
1893, nasceu Gilka Machado
“Ser Mulher... /... buscar um companheiro e encontrar um senhor”
Como
todas as mulheres ousadas que estão um passo adiante no tempo, a
escritora Gilka Machado foi desprezada, enxovalhada, ridicularizada. Os
críticos chamavam seus poemas de “maratona imoral” e só os modernistas,
como Mário e Oswald de Andrade, reconheceram o verdadeiro talento dela.
O que incomodava em Gilka era a denúncia da verdadeira condição social das mulheres de sua época.
Jorge Amado e outros intelectuais queriam, quando ela já estava velha, que ela se tornasse a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Já era tarde demais.
Gilka Machado nasceu no Rio de Janeiro em 12 de março de 1893, filha do também poeta Hortêncio de Gama Sousa Melo e de Thereza Cristina Muniz, atriz de rádio e teatro.
Tinha
13 anos quando se inscreveu num concurso literário, usando três
pseudônimos. Ganhou os três primeiros lugares. Casou-se com Rodolfo
Machado aos 17, teve dois filhos, mas, diferentemente das moças da sua
época, não largou o emprego que tinha na Central do Brasil.
Em 1910 publicou um folhetim (novela em capítulos, comum nos jornais daquele tempo) que causou um tremendo escândalo porque falava em liberdade sexual.
Publicou seu primeiro livro, Cristais Partidos, aos 22 anos e causou novo escândalo por causa do conteúdo erótico de seus poemas.
Como era inevitável, encontrou sua praia quando se uniu às feministas. Foi uma das fundadoras do Partido Republicano Feminino.
Ficou viúva aos 23 anos.
O reconhecimento literário só veio quando ela participou, ao lado de gente já então famosa como Manuel Bandeira, Guilherme de Almeida e Mário de Andrade, de uma antologia poética publicada na Bolívia.
Em
1930 participou de um concurso promovido por uma das mais importantes
revistas do Rio de então. O concurso visava eleger o maior poeta do
Brasil. A revista convidou 200 intelectuais para votar. Gilka venceu.
Teve 200 votos.
Muito amiga de Eugênia Moreyra, outra jornalista que escandalizava o Rio de Janeiro por sua liberdade, viúva, apontada nas ruas como imoral porque defendia todas as questões pelas quais as mulheres lutam até hoje, Gilka passou a vida com dificuldades financeiras. Mas criou sozinha seus dois filhos. Montou uma pensão, da qual sobrevivia.
A filha de Gilka tornou-se uma das mulheres mais famosas do Brasil nos anos 1940: a atriz e bailarinha Eros Volúsia, que foi capa da revista Life, nos Estados Unidos, em 1941 e fez filmes em Hollywood, inclusive com os então famosos humoristas Abbot&Costello.
Gilka
Machado publicou 11 livros de 1915 a 1968 e teve a sua obra completa
editada em 1978.
Perdeu seu filho, Hélio, em 1976.
Em 1977 Jorge Amado queria levá-la para Academia Brasileira de Letras. Ela não quis. Foi sendo esquecida e viveu toda a velhice anônima.
Morreu em 17 de dezembro de 1980, aos 87 anos de idade.
E, até hoje, apesar de ter tido seu valor sobejamente reconhecido como poeta, muitas publicações sobre a Literatura Brasileira ainda fazem questão de esquecer que ela existiu.
Ser Mulher ...
Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida; a liberdade e o amor;
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...
Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor;
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um senhor...
Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...
Ser mulher, e, oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!
Publicado no livro Cristais partidos (1915).
In: MACHADO, Gilka. Poesias completas. Apres. Eros Volúsia Machado. Rio
de Janeiro: L. Christiano: FUNARJ, 1991, p. 106.
10 de março
1929, nasceu Lolita Rodrigues
clique na foto para ver vídeo
da entrevista que ela me deu,
sobre o começo da TV.
Lolita,
cujo verdadeiro nome é Sílvia Gonçalves Rodrigues Leite, começou a
cantar no rádio com apenas 15 anos de idade. Mas ela crescera numa
família de imigrantes espanhóis, uma família musical.
Foi ela quem cantou, substituindo Hebe Camargo, o hino da TV brasileira (de autoria de Guilherme de Almeida) na noite da inauguração da TV Tupi, a primeira TV do Brasil, em 18 de setembro de 1950.
Por décadas, brilhou na TV ao lado do ex-marido, comandando o antológico programa “Almoço Com as Estrelas” que depois se tornou “Clube dos Artistas”.
Hoje Lolita trabalha como atriz nas novelas da Rede Globo. É uma das melhores amigas de Hebe, que conheceu quando ambas tinham 15 anos.
Assista a entrevista que eu fiz com ela, clicando na foto.
Lolita
nasceu em 10 de março de 1929 em Santos, onde seus pais se fixaram ao
chegar ao Brasil.
Começou sua carreira, já morando em São Paulo, na Rádio Record, num programa de calouros. Ela foi a vencedora e passou a voltar ao programa uma vez por mês.
Murillo
Antunes Alves a levou, então, para a Rádio Bandeirantes, em 1944, onde
ela conseguiu seu primeiro contrato. Depois ela foi para as Rádios
Cultura e Tupi. Já ganhando prêmios, como o Roquete Pinto.
Na inauguração da TV Tupi, ela foi o segundo rosto a aparecer, depois de Yara Lins.
Em 1957 estreiou como atriz no TV de Vamguarda, fazendo a Esmeralda do Corcunda de Notre Dame.
Nesta
época, conheceu Airton Rodrigues, secretário de Assis Chateuabriand.
Casou-se com ele e teve uma filha, Silvia, que hoje é médica em São
Paulo.
Airton
e Lolita comandaram, por décadas, desde 1956, um programa de absoluto
sucesso na TV brasileira: “O Almoço Com as Estrelas”, que, anos depois,
virou “Clube dos Artistas”, mas mantendo o mesmo formato: estrelas da TV
e do cinema sendo entrevistados enquanto almoçavam (ou jantavam),
números musicais, etc.
Mas
um dia o casamento acabou. Depois de 31 anos de sucesso conjugal e de
sucesso na TV, Airton e Lolita se separaram. A separação foi um abalo
para ela. Mas ela jamais parou de trabalhar. Teve contratos em outras
emissoras, como a Record, SBT e Globo.
“Se eu não trabalhar, sinto-me morta”, diz ela.
8 de março,
1910, Clara Zetkin e Alexandra Kollontai propõem o Dia da Mulher e
1929, nasceu Hebe Camargo
101 anos do Dia da Mulher:
Luta, Mais que Festa.
por Isabel Vasconcellos
Em 8 de março de 1857, cento e vinte nove operárias de uma fábrica de tecidos em Nova York foram assassinadas, queimadas vivas, quando protestavam, reivindicando a redução da jornada de trabalho de 12 para 10 horas.
Foi a primeira greve americana conduzida exclusivamente por mulheres.
Os patrões delas e a polícia simplesmente puseram fogo na fábrica.
No
mesmo ano, 1857, na Alemanha, nascia Clara Zetkin (foto)que se tornou
militante socialista e feminista e propôs, em na II Conferência
Internacional das Mulheres Socialistas, em 1910, que a data da greve das
tecelãs de 1857 se tornasse oficialmente o Dia Internacional da Mulher.
Assim, as mulheres de todo o mundo, passaram, a partir de 1911, a reverenciar a memória de todas as lutadoras da terra no dia 8 de março.
A data, no entanto, só foi oficializada em 1975, quando a ONU decretou este como o Ano Internacional da Mulher e se realizou, no México, a Primeira Conferência Internacional da Mulher, com a participação de lideranças feministas de todo o mundo, inclusive, é claro, do Brasil.
Em 1910, quando Clara Zetkin e Alexandra Kollontai propuseram a data, as mulheres não tinham nenhum direito, eram cidadãs de segunda classe.
Não podiam votar.
Não podiam conservar as propriedades em seu nome, depois de casadas: todos os seus bens passavam automaticamente para o marido e, se ele rompesse o casamento, ela ficaria pobre, ainda que fosse rica antes de se casar.
Não podiam conservar os filhos juntos delas se divorciadas.
Poderiam ser trancafiadas em hospício com a simples palavra do marido, quando este queria se livrar delas.
Os maridos tinham o direito de matar as esposas caso elas os traíssem. No Brasil, havia a figura jurídica da “legítima defesa da honra”, que absolvia, nos tribunais, os maridos assassinos.
Em
1910, enquanto Clara lutava pelas mulheres na Convenção Socialista, a
enfermeira norte americana, Margaret Sanger (foto), era perseguida e exilada
porque ousara ensinar às mulheres de Nova Iorque, onde vivia, os
pouquíssimos métodos anticoncepcionais disponíveis naquele tempo. Foi
acusada de divulgar pornografia.
A pílula anticoncepcional é de 1960. Só a partir da pílula as mulheres começaram a reivindicar o seu direito ao prazer sexual. Mulher chamada “direita” não podia ter prazer, isso era para as outras, as prostitutas.
Na metade da década de 1960, as feministas americanas queimaram sutiãs em praça pública, numa atitude simbólica, que reivindicava liberdade para o corpo feminino que, antes, já fora espremido em espartilhos e tantas vezes deformado, em várias culturas orientais, para satisfazer aos fetiches sexuais masculinos.
Foram as americanas que, depois da segunda guerra, lutaram contra o hábito de amarrar os pés das meninas japonesas para que eles não crescessem e dessem a elas aquele andar miudinho que tanto agradava aos homens.
Na Inglaterra, nos Estados Unidos e no Brasil, as primeiras décadas do século passado viram crescer as sufragistas, mulheres que, nestes países, lutavam pelo direito de votar.
O voto feminino só veio em 1920 nos EUA, em 1928, na Inglaterra, em 1934 no Brasil, em 1973 – pasmem—na França.