Isabel Vasconcellos

Mulher do Dia

 

Nesta página você tem breves biografias e algumas fotos das mulheres que marcaram os dias do ano. Arquivadas aqui as mulheres dos últimos 30 dias.

 

 

20 de novembro

1858 nasceu Selma Lagerlof

1923, nasceu Nadine Gordimer

Por uma interessante coincidência, no dia 20 de novembro, nasceram duas escritoras premiadas com o Nobel de Literatura.

Em 1858, Selma Lagerlof, suiça e a primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel, em 1909.

E, em 1923, nasceu Nadine Gordimer, escritora sul africana, a sétima mulher laureada com o prêmio, em 1991.

1858 nasceu Selma Lagerlof

Selma Ottiliana Lovisa Langerlof nasceu em Marbacha em 20 de novembro de 1858.

Em 1882 terminou seu curso de educadora infantil e foi professora durante 10 anos.

Seu primeiro livro aconteceu em 1891, quando ela tinha 33 anos de idade. Era “The Gosta Berling”, escrito em estilo romântico e que virou filme de cinema estrelado por Greta Garbo em 1924.

Seu segundo livro foi publicado em 1894, ano em que ela conheceu Sofia Elkan, que se tornou sua companheira para o resto de sua vida.

Depois de uma viagem à Palestina Selma escreveu Jerusalém, um enorme romance sobre os fazendeiros suiços que lá viviam.

Publicou muitos livros, mas o seu maior sucesso foi “A Viagem Maravilhosa de Nils Holgerssn”, obra publicada em 1906 e que ganhou traduções em quase todas as línguas.

Ela era feminista e pacifista.

Recebeu, em 1907, o título de doutora honoris causa pela Universidade de Upsala.

E dois anos depois, foi luareada com o primeiro Nobel de Literatura concedido a uma mulher.

Selma vira, na juventude, seu pai, militar reformado, vender a casa da família para pagar dívidas. Anos depois, já consagrada escritora, ela comprou a casa de volta. Em 1930, ela já vendera mais de 2 milhões de livros, apenas na Suécia e estava sendo traduzida e editada em mais de 40 países.

Quando estourou a Segunda Guerra Mundial, Selma ajudou muitos intelectuais alemães a fugir para a Suécia, entre estes a poeta Nelly Sachs, que escapou de ir parar num campo de concentração.

Selma acbou doando sua medalha de ouro do prêmio Nobel para as organizações da Suécia que lutavam contra o nazismo.

Mas ela não viu o fim da guerra. Morreu em 16 de março de 1940.

As obras de Selma Lagerlof tiveram mais de 30 adaptações para o cinema.

 

20 de novembro

1923, nasceu Nadine Gordimer

Novelista, ensaísta, roteirista e ativista política, Nadine Gordimer é filha de imigrantes judeus e nasceu na pequena cidade de Springs, na África do Sul.

Foi a primeira sul africana e a sétima mulher a ganhar um Nobel de Literatura. Seu pai era lituano e a mãe, inglesa.

Nadine começou a escrever aos 9 anos de idade e publicou seu primeiro conto, num jornal, aos 15.

Em 1949 publicou seu primeiro livro, uma coletânea de contos e em 1953, seu primeiro romance.

Em cinco décadas, ela escreveu 30 romances, mais de 400 contos e ensaios.

Seu marido, Reinhold Cassirer, foi refugiado da Alemanha nazista e serviu na marinha britânica durante a Segunda Guerra. Sua filha mora em Paris e seu filho, em Nova Iorque.

Mas Nadine preferiu não sair da África do Sul, onde militou em organizações contra o aphartheid e a favor da liberdade dos negros.

Toda a dura realidade do racismo da África do Sul também está, é claro, em seus livros.

Além de toda a sua produção literária, Nadine escreveu também para o cinema e para a televisão.

Recebeu 15 títulos de doutora honoris causa e 11 prêmios literários.

 

 

19 novembro

1988, morreu Christina Onassis

Ela é a mãe da mais rica herdeira do mundo, Athina, que se casou em 2005 com o brasileiro Doda Miranda.

Christina nasceu em berço de ouro, filha do arquimilionário grego Aristóteles Onassis. Mas dinheiro nem sempre é garantia de felicidade. E muitas publicações falam da vida de Christina como uma verdadeira tragédia grega, entremeada de muita bebida alcoólica e drogas. Principalmente drogas para emagrecer.

Depois de uma vida não muito feliz, Christina morreu na Argentina, oficialmente de um aneurisma, com apenas 37 anos de idade. Extra oficialmente, do abuso da mistura de drogas e álcool.

Christina Onassis nasceu em Nova Iorque no dia 11 de dezembro de 1950, filha de Aristóteles Onassis e da primeira esposa dele, Athina Livanos, com quem o milionário se casara em 1944 e que se divorciou dele em 1959, por não aguentar as seguidas traições do marido.

Aos 17 anos Christina fez sua primeira cirurgia plástica, para modificar o nariz. Era obesa e dizem que tomava mais de 30 garrafas de coca cola por dia.

O pai dela mantinha um caso de amor com a cantora lírica Maria Callas, que se dava razoavelmente bem com Chistina.

Quando, apesar do caso com Callas, Onassis resolveu se casar com Jacqueline Kennedy, então viúva do ex-presidente dos Estados Unidos, Christina detestou.

Com a ida de Jackie Kennedy para Atenas, Christina passou a viver viajando e foi fazer um curso de moda em Londres, apenas para ficar longe da madastra. Por fim, casou-se com Joseph Bolker, um homem de 48 anos e pai de quatro filhos e já divorciado duas vezes. Christina tinha 20 anos na época e o casamento durou apenas 6 meses.

Christina perdeu seu único irmão, Alexandre,  num acidente aéreo em janeiro de 1973. A mãe cometeu suicídio pouco mais de um ano depois, em 1974, e seu pai morreu em março de 1975.

Aos 24 anos de idade, ela herdou a maior fortuna particular do mundo e teve que administrá-la.

Depois da morte do pai e já podre de rica, Cristina casou-se com Alexandre Andreadis, herdeiro de uma fortuna industrial na Grécia. Também durou pouco.

Seu terceiro marido foi Serguei Kauzov, um russo sem fortuna e suspeito de ser agente da KGB.

Meses depois se separaram e ela perdeu muito dinheiro com o divórcio, tornando rico o tal marido.

Cristina começou a tomar drogas para emagrecer, junto com as coca colas. Ficou deprimida e tentou o suicício em 1980.

Em 1985 se casou com Thierry Roussel, o pai da sua famosa filha Athina, que se casou no Brasil esse ano com Doda Miranda.

Roussel era um rico empresário da indústria farmacêutica francesa e, com ele, Christina teve sua única filha, a quem deu o nome da avó, depois de de submeter a tratamentos numa clínica de fertilidade assistida.

A menina tinha 6 meses de idade quando Christina descobriu que Thierry Roussel acabara de ter outro filho, um menino, com a amante, uma modelo sueca Marianne (Gaby) Landhage e com quem ele teria mais uma filha ainda, antes de se divorciar de Christina.

Em 1987, Thierry levou 75 milhões de dólares de indenização, ao se concretizar o divórcio.

Menos de um ano depois da separação Christina morreu de repente em Buenos Aires. Estava com 37 anos. Seu corpo foi enterrado na ilha de Skorpios.

Em 1990 o cantor espanhol Joaquin Sabina dedicou a ela a canção “Pobre Cristina”, ela que fora a mais rica mulher do mundo.

 

18 de novembro

1882, nasceu Amelita Galli-Curci

 

Há cem anos, Amelita Galli-Curci era uma das maiores estrelas da ópera no mundo. Mas tinha sido uma menina prodígio: aos 5 anos de idade tocava piano; aos 7, participou de seu primeiro espetáculo de ópera. Estudou música até a juventude e tornou-se também fluente em cinco línguas. Isso tudo numa época em que às mulheres mal era permitido estudar.

Amelita nasceu em Milão, filha de Enrico Galli, um importante homem de negócios e de Enrichetta Bellisoni, que tinha na família um grande maestro e um soprano de renome.

Em 1905, aos 23 anos, depois de ganhar seu primeiro prêmio importante na área da música foi convidada a lecionar piano no conservatório. Mas o compositor Mascagni mudaria sua vida. Ouviu-a cantar e concluiu que ela cantava tão bem quanto tocava. Ela começou também a estudar o canto. No final de 1906 ela já era uma soprano reconhecidamente muito boa.

Em 1908 casou-se com Luigi Curci e com ele excursionou por vários países, sempre cantando e fazendo sucesso.

Mudou-se mais tarde para os Estados Unidos onde seus discos bateram recordes de venda. Estreiou no Metropolitan em 1921.

O sucesso continuou mas em 1930 ela teve um tumor na garganta e só consentiu em submeter-se a uma cirurgia em 1935.

Ela continuou cantando em espetáculos em todo o mundo, mas aos 55 anos de idade sua voz já sofria como consequência de sua doença. Ela se aposentou. Casou-se novamente com Homer Samuels com que viveu na Califórnia até o fim de sua vida. Amelita morreu em 26 de novembro de 1963, aos 81 anos de idade.

 

17 de novembro

1992, morreu Audre Geraldine Lorde

Escritora e poeta negra, feminista, lésbica e ativista social, Audre Lorde foi participante ativa da cultura gay de Greenwich Village, em Nova Iorque, no começo dos anos sessenta, tempo em que não se aceitava socialmente a homossexualidade como ela é aceita nos dias de hoje.

Apesar de portadora de uma deficiência visual e de sua condição social triplamente discriminada (mulher, negra e lésbica), ela se tornou uma intelectual reconhecida e respeitada.

Audre Geraldine Lorde nasceu em 18 de fevereiro de 1934 no Harlem, filha de Fredreick Byron Lorde e de Linda Gertrude Belmar Lorde.

Sua mãe tinha descendência indígena e ela cresceu, com duas irmãs mais velhas, ouvindo velhas histórias sobre as tribos do oeste americano. Foi alfabetizada pela mãe e, aos quatro anos de idade, já sabia ler e escrever.

Aos oito, escreveu seu primeiro poema.

Formou-se em Biblioteconomia pela Hunter Universidade, em 1959. Enquanto cursava a faculdade, trabalhou como operária, “ghost writer”, assistente social, técnica em raio X, auxiliar de enfermagem.

Audre fez seu mestrado na Universidade de Columbia em 1961 e começou a trabalhar como bibliotecária.

Casou-se com o advogado Edwin Rollins, com quem teve dois filhos, Elizabeth e Jonathan.

Em 1966, tornou-se a bibliotecária chefe da Town School Library, em Nova Iorque.

Começou a publicar seus livros e se divorciou de Rollins em 1970.

Durante uma temporada que passou como residente na Universidade Tougaloo no Mississipi, Audre conheceu Frances Clayton, com quem viveria por 22 anos, até sua morte.

Publicou vários livros sobre feminismo, racismo e homossexualidade. Em 1980, com Barbara Smith e outras mulheres lésbicas, criou a  Kitchen Table, primeiro jornal americano dirigido às mulheres negras.

Desde 1978, Audre travou uma luta contra o câncer de mama. Criou o Jornal do Câncer e mais uma associação de mulheres negras americanas, holandesas e alemãs.

Embora muitas de suas obras falem da luta contra o preconceito da sociedade com mulheres, negros e gays, sua poesia é de um lirismo absoluto.

Audre Geraldine Lorde perdeu, no entanto, sua luta contra o câncer de mama, que acabou por matá-la em 17 de novembro de 1992, aos 58 anos de idade.

 

16 de novembro

1925, morreu Carolina Michaelis de Vasconcelos

Escritora e crítica literária, ela foi a primeira mulher a lecionar numa universidade portuguesa, a de Coimbra. Nascera na Alemanha, mas tornou-se cidadã de Portugal, aos 25 anos, casando-se com Joaquim Antonio da Fonseca Vasconcelos, musicólogo e hitoriador de arte, um português.

Carolina era amiga e correspondente de alguns dos mais importantes intelectuais europeus de sua época.

Ela nasceu em Berlim, em 15 de março de 1851, filha de Louize Lobeck e de Gustavo Michaelis, que era professor de matemática na Universidade.

Era a caçula de cinco irmãos, perdeu a mãe quando tinha apenas 11 anos, estudou regularmente até a hora de cursar a Universidade.

Mas mulheres, no seu tempo, não eram admitidas nos estabelecimentos de ensino superior.

Assim, ela continuou seus estudos em casa. Aprendeu grego, italiano, espanhol, português e árabe.

Aos 16 anos, já publicava trabalhos sobre literatura nas revistas alemãs e rapidamente se tornou conhecida entre os filólogos da Europa e muitos começaram a se corresponder com ela, admirados pela precocidade de sua formação em estudos linguísticos.

Em 1872, um intelectual português, Feliciano de Castilho, publicou a sua tradução de Fausto, de Goethe. O jovem Joaquim de Vasconcelos apontou erros na obra e instalou-se uma grande polêmica entre os intelectuais portugueses.

Carolina Michaelis tomou conhecimento da discussão e resolveu escrever a Joaquim. Assim começou. Os dois jovens acabaram se casando em março de 1876. E foram morar em Portugal, na cidade do Porto. Tiveram seu único filho, Carlos Joaquim Michaelis de Vasconcelos, que se tornaria engenheiro mecânico, em 1877.

Carolina, por sua destacada produção intelectual, foi conquistando títulos de doutora honoris causa. Tornou-se a primeira mulher a lecionar numa Universidade portuguesa, ela, que fora impedida, na Alemanha, de fazer um curso superior. Pertenceu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, que até hoje está em atividade.

Carolina Michaelis de Vasconcellos, uma das primeiras intelectuais européias a ter seu valor reconhecido pelo meio acadêmico, morreu em 16 de novembro de 1925, aos 74 anos de idade.

 

15 novembro

1873, nasceu Dra. Sara Josephine Baker

 

Sara Josephine “Jô” Baker era médica e trabalhadora da Saúde Pública. Fundou o Bureau da Higiene Infantil. Os seus métodos revolucionários de ensinar a higiene, nutrição e cuidados maternos reduziram drasticamente o índice de mortalidade infantil nos Estados Unidos: de 144 mortes para cada mil crianças, em 1908, para 66 por 1000 em 1923.

 

Ela desenhou ainda roupas para bebês abertas na frente, o que evitava que as crianças se sufocassem.

Mas além disso tudo ela participou ainda do movimento sufragista americano e do lobby feminino da época, no congresso, em favor do voto das mulheres.

Sara Josephine Baker nasceu em Poughkeepsie, Nova Iorque, em 15 de novembro de 1873, numa família de classe média quaker.

Aos 16 anos, perdeu o pai e um irmão, vítimas da febre tifóide. A sua decisão de tornar-se médica foi duramente contestada pela sua família e até por amigos. Mas Jo Baker sabia que essa era a sua vocação. Cursou a New York Infirmary Medical College, a escola de medicina para mulheres fundada pelos médicas pioneiras, Elizabeth e Emily Blackwell e formou-se em 1899.

Em 1901, prestou um exame para ser admitida na saúde pública e se tornou inspetora escolar. No começo da carreira, por causa do preconceito contra as suas atividades feministas, foi colocada por seus superiores num dos piores postos da saúde pública, sendo obrigada a andar de bairro em bairro, mapeando doenças infecciosas e correndo, ela própria, grande risco de se infectar também.

Foi esse trabalho, no entanto, que a inspirou, mais tarde, quando já assumira uma posição hierarquicamente superior na Saúde Pública, a montar um time de 30 enfermeiras e, com elas, percorria as favelas e os lugares mais pobres, ensinando noções de higiene e nutrição. Instalou ainda um programa de distribuição de leite para famílias desfavorecidas. Por causa de seu trabalho, a mortalidade infantil de NY caiu de 1500 por semana para 300.

Ela começou então a se tornar famosa e a Universidade de Nova Iorque a convidou para dar palestras sobre a sua experiência com a saúde das crianças. Em 1917, Jo Baker garduou-se doutora em Saúde Pública. Quando os Estados Unidos entraram na I Guerra, ela declarou ao jornal New York Times que ir lutar no front era menos perigoso que nascer nos Estados Unidos, já que apenas 4% dos soldados morriam na guerra, contra 12% dos bebês nascidos em seu país.

Josephine soube usar a imprensa para beneficiar as suas inciativas profissionais. E foi ficando internacionalmente famosa. Foi convidada para trabalhar em Londres e em Paris e se tornou a primeira mulher a assumir um cargo no governo federal americano. Foi tambpem presidente da Associação Americana de Mulheres Médicas. Escreveu cerca de 250 artigos científics, quatro livros e sua autobiografia.

Josephine Baker passou a maior parte de sua vida com uma companheira inglesa, a escritora Ida Alexa Ross Wylie.

Dra. Jo Baker  se aposentou em 1923, depois de ver 48 estados americanos copiarem seus métodos de trabalho, mas não parou de clinicar. Mudou-se com Ida para Princeton em 1935, onde moraram com a médica Louise Pearce, pesquisadora da Instituto Rockfeller e presidente da faculdade de medicina para mulheres da Filadélfia.

A Dra. Josephine Baker morreu em 22 de fevereiro de 1945, aos 72 anos de idade.

 

14 de novembro

1889, A jornalista Nellie Bly começa sua viagem ao redor do mundo

Ela já seria digna de nota apenas por ser jornalista numa época em que a maioria das mulheres nem aprendia a ler e a escrever. Mas, não contente com isso, ela foi também uma pioneira do jornalismo investigativo. Disfarçada, se enfiava dentro de instituições e empresas para descobrir a realidade delas. No manicômio, fingiu-se de louca.

Mas também não foi só isso. Em 1889 ela se meteu a tornar real a ficção de Julio Verne e partiu para uma volta ao mundo em 80 dias. Conseguiu em 72.

Seu verdadeiro nome era Elizabeth Jane Cochrane e ela nasceu na Pensilvânia, em 5 de maio de 1864.

Ainda muito jovem, revoltou-se contra um colunista do jornal Pittsburgh Dispatch por causa de um artigo publicado que ela julgava extremamente machista. Escreveu ao jornal protestando. Mas a qualidade do texto da carta era tão boa que o editor do jornal acabou convidando a autora para virar repórter. E ela foi. Assumiu o pseudônimo de Nellie Bly, que o próprio editor tirou de uma canção popular de Stephen Foster.

Nellie Bly começou então a escrever artigos investigativos. Seu estilo era tão contundente que seus superiores resolveram despachá-la para a seção feminina do jornal, onde pensavam que ela não exporia a publicação a maiores riscos. Não dei certo. Nellie não era mulher de se conformar em escrever artigos apenas sobre o restrito universo feminino da época. Nellie não era “do lar”, era do mundo.

Pediu demissão, se mandou pra Nova York e foi trabalhar no jornal de Joseph Pulitzer (esse mesmo, o do prêmio), New York World.

Sua primeira reportagem neste jornal foi sobre o Sanatório de Mulheres na Ilha Blackwell, um manicômio daqueles terríveis e Nellie denunciou as condições sub-humanas a que as pacientes eram submetidas. Depois, conseguiu ser presa, apenas para ver por dentro as condições das cadeias americanas e escrever, é claro, outra história para o jornal de Pulitzer.

A partir destas matérias, para conseguir seus furos de reportagens, Nellie frequentemente usava disfarces e outras técnicas de espionagem.

As reportagens de Nellie sempre estavam focadas nos direitos das mulheres e ela deu início à reportagem investigativa denunciando, entre outras coisas, esquemas de corrupção política no México, onde viveu durante algum tempo.

Mas o New York World decidiu mandar um repórter numa viagem inspirada no livro de Júlio Verne, “Volta Ao Mundo Em 80 Dias”. Nellie foi a escolhida. Partiu em 14 de novembro de 1889 e conseguiu a façanha de voltar em 72 dias, 6 horas, 11 minutos e 14 segundos, no dia 25 de janeiro de 1890, realizando assim a volta ao mundo mais rápida até então. Seu recorde seria quebrado, alguns meses mais tarde, por George Francis Train, que fez a volta ao mundo em 62 dias.

Nellie, no entanto, se tornou um modelo para as mulheres avançadas de sua época. Afinal, fora a primeira mulher na História a viajar pelo mundo sem a companhia de um homem.

Em 5 de abril de 1895, cinco anos depois de sua famosa volta ao mundo ela deixou o jornalismo e se casou com um milionário 40 anos mais velho que ela. A família dele chiou, mas parece que era amor mesmo porque eles viveram felizes por toda uma década, quando ele morreu. Aí, Nellie resolveu fazer mudanças na empresa, democratizando as relações com os funcionários e os enchendo de benefícios, como centros de lazer, de saúde e biblioteca, o que absolutamente não era comum naquele tempo, em que operarios trabalhavam até 14 horas por dia e não tinham direito a nada. Não deu certo e ela quase foi à falência. Em 1914 ela foi para a Inglaterra, para escapar de seus problemas financeiros.  Voltou ao jornalismo, desta vez fazendo a cobertura de uma importante convenção feminista. As sufragistas estavam em alta nesta época e acabariam, sete anos depois, por conseguir o que tanto queriam: o direito ao voto para as mulheres.

Nellie foi ainda correspondente de guerra, coisa muito incomum para as mulheres de seu tempo. Cobriu a Primeira Guerra Mundial, a partir do front oriental da Europa.Era para ficar uma semana na Inglaterra, mas veio a primeira guerra mundial e ela ficou lá até 1919, atuando então ao jornalismo com correspondente.

Nellie Bly, ou Elizabeth Cochrane, morreu de pneumonia com apenas 57 anos.

No Brooklin, em Nova Iorque, há um parque de diversões, baseado no tema da Volta Ao Mundo Em 80 Dias, que se chama Nellie Bly.

13 de novembro

1921, morreu, no exílio, em Paris, a Princesa Isabel.

 

Ela foi a primeira e única mulher a governar o Brasil. Por três vezes, na ausência de seu pai, o imperador Dr. Pedro II, ela foi Regente do país.

 

De pensamento liberal, defendia a reforma agrária e o voto para as mulheres.

Ao contrário do que acontece à maioria das princesas, casou-se com um homem que realmente amava, o Conde D’Eu e viveu toda a vida com ele. Deu duro para conseguir ter filhos e os teve.

Em 13 de maio de 1988, contrariando os interesses da classe dominante, assinou a Lei Áurea, que libertava os escravos.

E morreu no exílio, na França, para onde fora depois de proclamada a República brasileira, sem jamais ter conseguido voltar ao Brasil, país onde nascera e que amava.

Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon nasceu no Palácio de São Cristovão, Rio de Janeiro, em 29 de julho de 1846. Era a segunda filha do imperador D.Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina. Foi batizada na Capela Imperial no dia 15 de novembro de 1846 pelo bispo Conde de Irajá e seu nome foi-lhe dado em homenagem à sua avó matera, a Rainha de Nápoles.

Com a morte precoce de seu irmão mais velho, Afonso, foi declarada sucessora do trono de seu pai.

Em 1847 nasceu sua irmã e grande companheira, Leopoldina. Em 1848 nasceu seu segundo irmão, Pedro Afonso, que morreu com apenas dois anos de idade.

Isabel teve, é claro, uma educação de princesa, com mestres particulares. Na década de 1860, por indicação de sua tia, Francisca, filha de D.Pedro I, vieram ao Brasil dois primos, Gaston de Orleans e Ludwig August de Saxe-Cobrugo-Gotha, sobrinhos netos do Rei Leopoldo I, da Bélgica e sobrinhos de Fernando II, de Portugal e, ainda, primos-sobrinhos da Rainha Vitória, da Inglaterra.

Gaston, o Conde D’Eu, deveria casar-se com a irmã de Isabel e Augusto, com a princesa herdeira.

Mas Isabel e o conde se apaixonaram. E os casais estabelecidos pela família real foram, assim, trocados.

Em 15 de outubro de 1864, Gaston, o Conde D’Eu e a princesa Isabel casaram-se na Capela Imperial do Rio de Janeiro. Foram passar sua lua-de-mel em Petrópolis e depois viajaram para a Europa, onde Isabel conheceu seus sogros. O conde, que também era príncipe, era filho de Louis Raphael, Duque de Nemours e neto do rei da França, Luís Filipe I.

O conde assumiu o comando das tropas brasileiras na Guerra do Paraguai e se tornou Marechal do Exército Brasileiro.

Em 1871, D.Pedro II viajou para a Europa e Isabel assumiu o trono, com regente, aos 24 anos de idade. Assinou então a Lei do Ventre Livre (que tornava livres os filhos dos escravos) em 28 de setembro.

Mas a princeda não engravidada para dar ao império os necessários herdeiros. Em 1874, teve uma filha, Luiza, que nasceu morta.

Afinal, em 15 de outubro de 1875, quando Isabel e o conde comemoravam 11 anos de casamento, nasceu em Petrópolis, o príncipe Pedro de Alcântara. O casal teve mais dois filhos: Luiz, em 26 de janeiro de 1878 e Antonio Gastão, em 9 de agosto de 1881, que nasceu na França.

A princesa tinha uma postura política liberal e logo uniu-se aos partidários da abolição da escravatura. Muitos escravos foram alforriados com o próprio dinheiro da princesa que, além disso, apoiava jovens artistas e políticos e ainda a comunidade Quilombo do Leblon, que cultivava a flor símbolo do abolicionismo, a camélia branco.

A princesa assumiu a regência do país pela terceira vez em 30 de junho de 1887, em grande tensão com o gabinete ministerial, que era conservador e a favor dos interesses dos fazendeiros escravocratas. Seu maior opositor era o Barão de Cotegipe e Isabel, aproveitando-se de um incidente de rua, demitiu o Barão e todo o ministério, nomeando João Alfredo como conselheiro e abrindo, assim, o caminho para a abolição.

Em 13 de maio de 1888, um domingo, houve a votação do projeto da abolição total. Isabel saiu vitoriosa e assinou a Lei Áurea, tornando livres todos os negros do Império.

Em 28 de setembro, o Papa Leão XIII remeteu a ela a comenda da Rosa de Ouro.

Mas a elite do café não gostou nem um pouco da idéia de perder sua mão de obra escrava. O Barão de Cotegipe, ao encontrar a princesa, disse a ela: “Vossa Alteza libertou uma raça, mas perdeu o trono”.

Isabel tinha o pensamento à frente do seu tempo. Era partidária da reforma agrária e do voto feminino e estudou uma maneira de conseguir indenizar os escravos, sem sucesso.

O povo a apoiava e aplaudiu o fim da escravatura.

Mas, pouco mais de um ano depois, apoiados pelos fazendeiros descontentes, os militares derrubaram o império e instauraram a república.

No dia 17 de novembro de 1899, Isabel e sua família embarcaram para o exílio.

Em 5 de dezemvro de 1891, Dom Pedro II morreu em Paris e a princesa passou a ser considerada pelos monarquistas como Imperatriz de jure do Brasil, Isabel I.

Exilada, a princesa teve uma velhice sossegada, no castelo da família em Eu, na Normandia. Sua casa passou a ser a exmbaixada informal do Brasil e ela ajudou Santos Dummont a desenvolver suas invenções.

Em 1920 a lei que bania a Família Imperial do território brasileiro foi revogada pelo presidente Epitácio Pessoa.

Mas Isabel morreu sem voltar ao seu país, em 13 de novembro de 1921, aos 74 anos de idade.

A princesa foi interpretada por Ana Lúcia Torre na novela Memórias de Amor, em 1979; por Tereza Raquel na mini-série Abolição, em 1988 e em República, em 1989; por Irene Ravache na novela Sangue do Meu Sangue, em 1995 e por Rosamaria Maurtinho na mini-série Chiquinha Gonzaga, em 1999. Teve ainda sua efígie impressa nas notas de  50 cruzeiros em 1949 e 200 cruzeiros em 1981.

Alguns historiadores dizem que os republicanos teriam suportado a presença do imperador D.Pedro II na recém instalada república do Brasil, mas não podiam suportar a idéia de uma Isabel I no país.

12 de novembro

1815 nasceu Elizabeth Stanton

 

Americana, foi uma das mais importantes sufragistas da nossa história, tendo lutado por muitos anos pelos direitos das mulheres.

É quase impossível falar nela sem falar também em sua grande companheira de luta, Susan B. Anthony.

Em 1840 Elizabeth Cady casou-se com Henry Stanton e foi com ele para Londres onde ele participaria da Convenção Mundial Anti Escravatura. Lá, Elizabeth conheceu outra importante lutadora: Lucrecia Mott. (Por coincidência, a mulher do dia de ontem).

Da união dessas mulheres batalhadoras e mais Jane Hunt, nasceu a primeira convenção feminista da história: a Seneca Falls, que aconteceu em 1848 e firmou em muito o movimento das mulheres pela igualdade social.

Elizabeth Cady nasceu em 12 de novembro de 1815, em Johnstown, Nova Iorque.

Era a oitava de onze filhos de Daniel Cady e Margaret Livingston Cady. Cinco de seus irmãos morreram ainda crianças e outro deles, na juventude. Apenas Elizabeth e mais quatro irmãs alcançaram a maturidade.

Daniel Cady, pai de Elizabeth, foi um importante advogado e juiz e introduziu sua filha no mundo das leis e da justiça e, logo cedo, ela percebeu que as leis favoreciam os homens e prejudicavam as mulheres, que tinham que passar suas propriedades para o homem com quem se casavam, não tinham direitos sobre os filhos, não podiam votar, nem falar em público.

Elizabeth  Cady Stanton, diferentemente das mulheres de seu tempo, recebeu uma educação primorosa e formal, aprendendo, inclusive, grego e latim. Seus pais haviam perdido todos o filhos homens e, um dia, diante do sucesso intelectual de Elizabeth, o juiz Cady disse a ela: Oh, minha filha, eu gostaria que você fosse um rapaz.

Em 1830, ela queria ir para a mesma universidade que aceitara seu irmão, pouco antes dele morrer: a Union College, mas lá só eram aceitos alunos do sexo masculino. Assim, ela foi para  o Troy Female Seminary, que depois se tornaria Emma Willard School, em homenagem à sua fundadora, Emma.

Em 1840, Elizabeth casou-se com Henry Brewster Stanton, um jornalista que militava nos movimentos anti escravagistas.  Entre 1842 e 1856 eles tiveram seis filhos. E, em 1859, quando ela já tinha 44 anos, veio o sétimo e inesperado filho.

Quando se casaram, Elizabeth e Henry foram passar sua lua de mel na Europa. De volta aos Estados Unidos, Henry começou a estudar direito com seu sogro, o que fez até 1843, quando o casal se mudou para Boston.

Elizabeth e Henry frequentavam os círculos intelectuais e entre seus amigos estavam a escritora Louisa May Alcott e Ralph Waldo Emerson.

Embora discordassem na questão do voto feminino, Elizabeth e Henry viveram um casamento feliz, até a morte dele em 1887. Foram 47 anos de vida em comum.

A grande amizade de Elizabeth Cady Stanton e Susan B. Anthony começou em 1851, três anos depois da primeira convenção feminista, em Seneca Falls, em julho de 1848.

Ao trabalho social de Lucretia Mott, Susan B. Anthony e Elizabeth Cady Stanton, se uniram, com o tempo outras mulheres que ficaram também famosas na luta sufragista, como Lucy Stone, Elizabeth Blackwell (a primeira médica formada) e Julia Ward Howe. Apesar de haver diferenças e discordâncias entre elas e as associações das quais faziam parte, elas afirmavam que o preconceito contra as mulheres era o mesmo que o preconceito racial.

Elizabeth se tornou conhecida por seu trabalho social internacionalmente e fez várias conferências na Europa, onde, inclusive viveu sua filha e também feminista Harriot Stanton Blach.

Embora ela não tenha conseguido cursar uma Universidade, duas de suas filhas o fizeram: Margaret e Harriot se graduaram pelas Universidades de Vassar e Columbia.

Elizabeth Cady Stanton morreu em 26 de outubro de 1902, aos 77 anos de idade, dezoito anos antes das americanas conseguirem o direito de votar.

 

11 de novembro

1880, morreu Lucretia Mott

 

Ela foi uma das primeiras mulheres no mundo a lutar pela igualdade de direitos entre os sexos. Lutava também contra a escravatura e foi descrita, por vários autores, como “o tigre do abolicionismo”.

 

Em 1840, aos 47 anos de idade, foi a Londres para participar de uma convenção internacional contra a escravidão. Lá conheceu outra feminista histórica: Elizabeth Stanton.

 

De volta aos EUA a amizade das duas continuou, e elas provavelmente jamais teriam se conhecido na América, pois moravam em estados diferentes, distantes uma da outra.

 

Ambas foram barradas em Londres, na convenção, que só admitia homens.  Elizabeth Stanton era muito ligada à Susan B. Anthony e as três, juntas, oito anos depois, foram responsáveis pela criaçaõ da primeira convenção de mulheres da história: A Sêneca Falls.

Lucretia Coffin Mott nasceu em 3 de janeiro de 1793 em Nantucket, Massachusetts. Sua família era Quaker e ela foi a segunda filha de Thomas Coffin e Anna Folger. Aos 13 anos foi estudar numa escola onde, mais tarde, se tonaria professora.

Seu interesse pelas causas dos direitos das mulheres começou quando ela descobriu que os professores homens ganhavam duas vezes mais que as professoras.

Em 10 de abril de 1811, com apenas 18 anos de idade, Lucretia se casou com James Mott, que também era professor  na escola onde ela trabalhava.

O casal era francamente contra o comércio de escravos e militava na sociedade anti escravagista. Mudaram-se para a Filadélfia em 1821 e Lucretia logo se tornou conhecida por seu discurso contra a escravatura. No começo do século, muitos quakers tinham se envolvido nesta luta, mas Lucretia foi a primeira mulher no movimento. Ela se recusava a usar roupas de algodão, a consumir cana de açucar ou qualquer outro produto feito por mão de obra escrava. Fundou uma sociedade de mulheres anti-escravagistas.

Em 1840, em Londres, na convenção anti escravagista ela se uniu a outras mulheres para protestar porque, a despeito de toda a contribuição delas para a luta, não tinham assento na convenção por serem mulheres. Ali nasceu uma amizade que duraria por toda a vida: Lucretia e Elizabeth Cady Santon.

Juntas, em 1848, elas organizaram a primeira convenção feminista do mundo, em Nova Iorque: A Seneca Falls.

Além de reivindicar o direito ao voto e à propriedade, as americanas daquela época queriam também a guarda dos filhos em caso de divórcio. Os maridos ficavam não apenas com as propriedades das mulheres mas também com os filhos quando o casal se separava.

Em 1850, ela escreveu “Dicursos de Mulher”, um livro que enfocava todas as restrições legais sofridas pelas americanas.

Lucretia Mott afirmava a importância o direito à educação, coisa frequentemente negada às mulheres de seu tempo. “ A Justiça não é um favor”, dizia ela.

Depois da Guerra Civil Americana, em 1866, Lucretia se tornou a primeira presidente da Associação Americana pela Igualdade de Direitos, que lutava pelos direitos das mulheres e dos negros. Elizabeth Stanton, Susan B. Anthony e Lucy Stone, feministas famosas, foram suas companheiras.

Lucretia Mott morreu em 11 de novembro de 1880, aos 87 anos de idade.

10 de novembro

1994, morreu Carmen McRae

 

Ela foi uma das mais influentes vocalistas de jazz do século XX e tinha um jeito único e irônico de cantar.

Era uma excelente pianista, além de cantora, e trabalhou com os maiores nomes da música americana.

Foi muito amiga de Billie Hollyday.

Era uma fumante inveterada, não só de nicotina como também de maconha.

Morreu aos 74 anos.

Carmen Mercedes McRae nasceu no dia 8 de abril de 1920, no Harlem, Nova Iorque, filha dos jamaicanos Osmond e Evadne.

Começou a estudar piano na infância e, na adolescência, já teve seu talento musical reconhecido  pelo casal Teddy e Irene Wilson, que por muitos anos trabalharam com Billie Holiday. Uma primeira composição de Carmen foi então gravada por Wilson, “Dream of Life”.

Assim, nos anos 1940, Carmen já era bastante conhecida entre os músicos de jazz que frequentavam o famoso clube Minton’s Playhouse, no Harlem, onde ela tocava piano e cantava. Em 1944 ela cantava com a orquestra de Benny Carter. Mas foi trabalhando no Brooklyn que ela chamou atenção da gravadora Decca. Ficou 5 anos na gravadora e lançou 12 discos por ela. Mas foi contratada de várias gravadoras, gravou músicas de todos os grandes compositores de jazz, fazendo sucesso por quatro décadas.

Em 1987 gravou, ao vivo, duetos com Betty Carter e em 1988 gravou um albúm só com composições de Thelonious Monk.

Carmen McRae teve três maridos mas dizem que ela era bissexual.  Ela morreu em Nova York, no dia 10 de novembro de 1994, aos 74 anos de idade.

 

09 de novembro

1911, nasceu Dinah Silveira de Queiroz

Escritora,(descendente do bandeirante Carlos Pedroso da Silveira que relatou suas aventuras num diário) foi a segunda mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras e pertencia a uma família de intelectuais.

Seu pai, Alarico Silveira, foi jurista e autor de uma enciclopédia brasileira.

Sua irmã, Helena Silveira era também escritora e foi uma famosa crítica de TV nos anos 1960 e 70.

E ainda: Miroel Silveira, teatrólogo; Isa Silveira Leal, autora de livros infantis; Cid Silveira, poeta; Bueno Silveira, tradutor e Ênio Silveira, editor.

Além disso,o sobrenome Queiroz ela adotou ao se casar com o primeiro marido, que era jurista e primo de Rachel de Queiroz.

Dois de seus maiores sucessos literários fizeram história também no cinema e na TV.

Dinah Silveira nasceu em São Paulo em 9 de novembro de 1911, filha de Alarico e Dinorah Ribeiro Silveira. Ficou orfã de mãe ainda muito pequena. Seu pai teve grande influência em seu gosto pelas letras.  As irmãs. Dinah e Helena, estudaram no tradicional colégio Les Oiseaux em São Paulo.

Dinah, aos 19 anos casou-se com o advogado Narcélio de Queiroz, que morreu em 1961. Tiveram duas filhas: Zelinda e Léa. Em 1962, Dinah casou-se novamente dom o diplomata Dário Moreira de Castro Alves.

O primeiro sucesso literário de Dinah aconteceu em 1939 com a publicação de seu segundo livro, Floradas na Serra, que ganhou o prêmio Alcântara Machado da Academia Paulista de Letras.

Em 1954 ela voltaria a fazer grande sucesso com A Muralha, romance escrito e, comemoração ao IV Centenário de São Paulo, e que conta um pouco da saga dos bandeirantes.  Neste ano ela ganou tambémo Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra.

Estes dois livros foram grandes sucessos tambem no cinema e na TV: Floradas da Serra (1939) é um dos clássicos da Vera Cruz e foi adaptado para as telas em 1953, estrelado por Cacilda Becker e Jardel Filho, além de virar especial de televisão na TV Cultura em 1981 e na TV Manchete em 1990.

A Muralha, escrito em 1954, foi adaptado para a TV Tupi por Benjamin Cattan em 1961; por Ivani Ribeiro, para a TV Excelsior, em 1968 e por Maria Adelaide Amaral, para a Rede Globo, em 2000.

Em 1962, Dinah foi nomeada adido cultural da Embaixada do Brasil em Madrid. No mesmo ano casou-se com o diplomata Dário Moreira de Castro Alves e foi com ele para Moscou, onde viveu dois anos, sempre escrevendo artigos e crônicas para a Radio Nacional do Rio de Janeiro e para o Jornal do Comércio.

Voltando ao Brasil, em 1964, escreveu Os Invasores, outro romance histórico em comemoração ao IV Centenário do Rio.

Em 1966, foi viver em Roma, onde manteve um programa semanal na Rádio do Vaticano.

Escreveu muitas outras obras, incluindo a biografia da Princesa Isabel.

Viveu os últimos anos de sua vida, ao lado do marido diplomata, em Lisboa, Portugal.

Seu último livro foi publicado em 1981, ano em que ela se tornou a segunda mulher, depois de Rachel de Queiroz, eleita para a Academia Brasileira de Letras.

Dinah Silveira de Queiroz morreu no Rio de Janeiro no dia 27 de novembro de 1982, aos 71 anos de idade.

 

08 novembro

1900, nasceu Margaret Mitchell

Ela foi a autora de um livro publicado em 1936 que ganhou o Prêmio Pulitzer em 1937, vendeu mais de 28 milhões de exemplares e foi adaptado para o cinema em 1939, tornando-se o maior sucesso de bilheteria de todos os tempos em todo o mundo e também tornando-se o filme recebeu mais prêmios Oscar de toda a história do cinema até então: E O Vento Levou (Gone with the Wind), estrelado por Vivien Leigh e Clark Gable.

Margaret Munnerlyn Mitchell nasceu em Atlanta, na Georgia, em 8 de novembro de 1900, filha de Eugene Mitchell, advogado e de Mary Isabelle Stphens, feminista e sufragista.

Sua infância foi cercada pelas lembranças da Guerra Civil americana que fora vivida por seus parentes.

Quando sua mãe morreu, no início da pandemia da gripe espanhola, em 1918, ela passou a ser responsável pelo cuidado da casa, pois só tinha um irmão, quatro anos mais velho que ela. Mas logo depois estaria desafiando as convenções de seu tempo e de sua classe social, tornando-se a primeira sulista a manter uma coluna semanal num jornal de grande circulação.

Casou-se com Red Upshaw em 1922 mas separou-se logo dele, quando ele confessou a ela sua verdadeira ocupação: era contrabandista de bebida alcóolica e os Estados Unidos estavam em plena Lei Seca.

Em 1925 casou-se com um amigo do ex-marido que tinha sido, inclusive, seu padrinho de casamento, John Marsh.

De 1922 a 1926, Margaret trabalhou em jornal, escrevendo artigos e críticas literárias e entrevistando gente famosa, inclusive o astro do cinema, Rodolfo Valentino. Escreveu também os perfis dos grandes generais da Guerra Civil, o que certamente lhe serviu de subsídio para, mais tarde, criar seu grande romance, E o Vento Levou.

Um dia a jornalista quebrou o tornozelo e, presa à cama, começou a ler vorazmente os livros que seu marido trazia da biblioteca. Depois de ter devorado todos os romances e relatos históricos disponíveis, o marido perguntou: “Se você quer mais livros, por que não escreve o seu próprio romance?”

Assim, instalada num divã, defronte a uma antiga máquina de escrever Remington, Margaret Mitchell começou a escrever seu grande sucesso. Quando o tornozelo sarou, o livro estava praticamente pronto. Era 1929.

Recuperada, ela retomou seu trabalho no jornal e esqueceu os originais em alguma gaveta.

Em 1935, Howard Latham, editor da MacMillan, foi a Atlanta e coube à repórter Margaret ciceroneá-lo pela cidade. Ele gostou dela, de suas matérias no jornal e lhe disse: “Se, um dia, você escrever um livro quero ser o primeiro a vê-lo”.

Ela ficou quieta, mas, mais tarde, apareceu no hotel onde estava Latham, carregando os originais e deu-os a ele: “Pegue logo antes que eu mude de idéia”.

Gone with the Wind (E o Vento Levou) foi lançado em 30 de junho de 1936. O livro foi adapatado para o cinema por David O. Selznick e teve sua avant-premiére em 15 de dezembro de 1939.

Margaret e o marido, John March, estavam indo ao cinema em agosto de 1949, quando, atravessando a rua, ela foi atropelada por um carro que vinha em alta velocidade.

O motorista era um taxista que estava de folga e tinha em sua ficha 23 ocorrências de direção perigosa, como excesso de velocidade e dirigir alcoolizado.

O motorista ficou 11 meses na cadeia. Mas Margaret Mitchell, depois de 5 dias hospitalizada, morreu, com apenas 48 anos, em 16 de agosto de 1949.

A casa onde ela escreveu seu best-seller é hoje um museu, onde estão várias peças dos cenários do filme e inúmeras edições do livro, publicadas em vários países.

Até 1990, quando foi encontrado o manuscrito de outro romance seu, acreditava-se que ela escrevera apenas um único livro. Em 2000, foi publicada uma coletânea de seus melhores artigos de jornal.

 

07 de novembro

1901 nasceu Cecília Meireles

 

Um dos maiores nomes da poesia nacional,Cecília Meireles apareceu no mundo literário em 1923, mas foi em 1939 que, com a publicação de “Viagem”, livro premiado pela Academia Brasileira de Letras, firmou sua reputação com poeta.

Na época, Mário de Andrade logo classificou sua poesia como dotada de um “ecletismo sábio”.

Além de poeta, Cecília tinha ainda um lado de estudiosa do folclore e publicou duas obras sobre o assunto, em 1958,  e também marcou presença na literatura infantil, em 1951.

Cecília Meireles teve um de seus poemas musicado por Fagner. É o poema Motivo: “Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre, nem sou triste: sou poeta.”

Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu no Rio de Janeiro em 7 de novembro de 1901, filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles e de Matilde Benevides Meireles. Seu pai morreu 3 meses antes dela nascer e sua mãe, 3 anos depois.

O casal tivera 3 filhos antes de Cecília, nenhum sobreviveu.

A menina, depois da morte da mãe, foi criada pela avó materna, a portuguesa Jacinta Garcia Benevides. Aos 9 anos de idade, começou a escrever poemas. Formou-se, como a maioria da moças de sua época, na escola Normal e, na condição de professora, estudou linguas, literatura, música, folclores e pedagogia.

Publicou seu primeiro livro de poesia em 1919 (Espectro), composto por sonetos simbolistas. Cecília viveu na época do modernismo, mas sua poesia, pela variedade de estilos, é atemporal.

Em 1922 casou-se com o pintor português Fernando Correia Dias. O casal teve três filhas e viveu junto por 13 anos, quando ele, que sofria de depressão, cometeu suicídio em 1935. Cinco anos depois, Cecília voltou a se casar, com o professor e engenheiro Heitor Vinícius da Silveira Grilo.

Cecília foi também jornalista e, por muitos anos,publicou artigos diários sobre educação. Seu interesse pelas crianças se manifestou também em livros de poesia infantil e em 1934 ela fundou a primeira biblioteca para crianças, no Rio.

Cecília Meireles publicou seus poemas até sua morte, que aconteceu em 9 de novembro de 1964, dois dias depois de ter completado 63 anos.

06 de novembro

1964, morreu Anita Malfati

 

 

Pintora, ela foi a primeira artista brasileira a aderir ao Modernismo, sendo uma das participantes da mostra realizada no Teatro Municipal de São Paulo, como parte da famosa Semana de Arte Moderna de 1922.

Por causa da obra de Anita, o escritor Monteiro Lobato teve a oportunidade de mostrar que, além de gênio, era também machista e pouco dado a idéias revolucionárias. Lobato publicou um artigo que se tornaria célebre: “Paranóia ou Mistificação”, onde atacava violentamente o trabalho de Anita e a tachava de louca.

Anita Catarina Malfati nasceu em São Paulo a 2 de dezembro de 1889. Quando famosa e consagrada, costumava mentir a idade, dizendo ter nascido em 1896,  para não ser considerada a mais velha integrante do Modernismo, o que ela efetivamente era.

Seus pais eram imigrantes: Samuel, italiano naturalizado brasileiro, era engenheiro e Eleonora Elizabeth, nascida nos Estados Unidos, poliglota, gostava de desenhar e pintar e teve uma grande influência sobre a filha.

Ninguém poderia imaginar, no entanto, que aquela menina que nascera com um defeito na mão direita, aprenderia a escrever e a desenhar com a esquerda e se tornaria um dos maiores nomes da pintura no Brasil.

Em 1910, aos 21 anos de idade, Anita foi estudar na Academia Real de Belas Artes em Berlim e conheceu então o expressionismo na arte alemã; ficou lá até 1913.

De volta ao Brasil, fez sua primeira exposição individual nos salões da então famosa loja Mappin, em São Paulo.

Em 1915  foi para os Estados Unidos e frequentou o ateliê de Lovis Corinth e estudou na Homer Boss no Indenpent School of Art de Nova Iorque. Nos Estados Unidos, conviveu com os pintores cubistas. Passou também uma temporada em Paris.

E voltou ao Brasil completamente identificada com as mais recentes tendências da arte mundial.

Uma exposição individual sua, em 1917, em São Paulo, causou escândalo e muita controvéria. Sua arte retratava os imigrantes e os menos privilegiados na sociedade e eram surpreendentemente modernas. Mário de Andrade, no entanto, em vez de escandalizado, ficou maravilhado e inciou-se ali uma grande amizade entre o escritor e a pintora.

Em 1922, Anita era membro do famoso “Grupo dos Cinco”, os mentores da revolucionária e controversa Semana de Arte Moderna: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti.

Nos anos de 1940, Anita promovia excursões com seus alunos à cidade de Embu, que ainda não era a “Embu das Artes” que conhecemos hoje.

Sua última exposição aconteceu em 1963, em Sala Especial em sua homenagem na VII Bienal de São Paulo, ela era então

considerada uma das mais importantes artistas plásticas do país e uma das mulheres de maior influência na América do Sul.

Anita Malfatti morreu no dia 6 de novembro de 1964, aos 75 anos de idade.  

 

05 de novembro

1921 morreu Antoinette Louisa Brown Blackwell

O sobrenome Blackwell está, na história da América, definitivamente ligado às lutas sociais e ao pioneirismo.

Antoinette Louisa Brown Blackwell fez história ao se tornar a primeira mulher a ser ordenada sacerdotista por uma igreja reconhecida. Trabalhou pela abolição da escravatura e pelos direitos das mulheres. Ela se casou com Samuel Blackwell, que era irmão de Elizabeth Blackwell, a primeira mulher diplomada médica. O irmão de seu marido, Henry, era casado com Lucy Stone, uma das mais famosas feministas cuja filha, Alice Blackwell, seguiu os passos da mãe tendo um papel proeminente na luta pelos direitos da mulher.

Antoinette militou ao lado de outras feministas históricas, como Susan B.Anthony e Elizabeth Stanton.

Ela nasceu em 20 de maio de 1825 em Nova Iorque, filha do fazendeiro Joseph Brown e de Abby (Morse) Brown. Foi a sétima, numa família de dez filhos.

Seus pais eram religiosos e ela foi influenciada pelo clima de religiosidade de sua casa. Aos 9 anos ela já pregava publicamente a sua fé.

Na juventude estudou literatura na Universidade de Oberlin onde se formou em 1847 e decidiu continuar na faculdade para se formar também em teologia. Todo mundo foi contra: de seus pais até a própria escola, que colocou mil obstáculos para deixá-la estudar.

Mais tarde, a mesma universidade reconheceria o seu valor dando a ela o título de Mestre em 1879 e de doutora honorária em 1908.

Na sua época de estudante, Antoinette se envolveu com os movimentos sociais pelos direitos da mulher e também com os anti-escravagitas. E ela discursava, na Igreja, reivindicando igualdade social para mulheres e homens.

Ela queria ser reverendo da Igreja Batista mas foi recusada na Congregação por ser mulher. Em 1854, fêz-se pastora por outra Igreja, a Unitarian Church.

Em 1856, casou-se com Samuel e tornou-se membro da família Blackwell. Tiveram 7 filhos, 2 dos quais morreram ainda crianças.

Antoinette foi uma brilhante oradora e participou de inúmeros encontros abolicionistas e sufragistas, além de trabalhar na assistência social aos pobres de Nova Iorque.

Foi eleita para Associação Americana para o Progresso da Ciência.

Escreveu inúmeros livros de teologia e de filosofia e ainda um romance e um volume de poesia. Seu último sermão aconteceu quando ela já tinha 90 anos. E seu último livro foi publicado aos 93.

Na sua obra “The Sexes Throught Nature”, publicada em 1875, ela mostra como a evolução se deu entre os sexos que eram, de fato, “iguais na diferença” (expressão que se tornou comum e é usada até hoje pelos movimentos de mulheres). Seu romance foi publicado em 1871, “The Island Neighbors” e a coletânea de poesias “Sea Drift” em 1902.

Em 1920, aos 95 anos de idade, ela foi a única sufragista que participara da primeira convenção de mulheres a ver o voto feminino ser aprovado pelo congresso americano. 

Antoninette Brown Blackwell morreu em 5 de novembro de 1921, com 96 anos, em Elizabeth, Nova Iorque.

04 novembro

1977, Rachel de Queiroz é eleita para a Academia Brasileira de Letras.

2003, morreu Rachel de Queiroz.

 

Escritora, jornalista, dramaturga e tradutora, ela começou a escrever profissionalmente aos 17 anos de idade e lançou seu primeiro sucesso literário aos 20, em 1930.

 

Três anos depois foi a primeira mulher a ganhar o Prêmio Camões, considerado o Nobel da língua portuguesa.

 

Quase cinquenta anos depois, tornou-se a primeira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras e, em 1991, a editora Siciliano comprou os direitos de sua obra completa por 150 mil dólares.

 

Mas ela afirmou, numa entrevista, que não gostava de escrever e se escrevia era apenas por obrigação profissional.

 

Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza, no Ceará, em 17 de novembro de 1910, filha de Daniel de Queiroz e Clotilde Franklin Queiroz, que era descendente de José de Alencar.

 

Formou-se professora em 1925 e estreou na imprensa no jornal O Ceará, escrevendo crônicas e poemas modernistas.

Em 1927 lançou, na forma de folhetim, seu primeiro romance, História de um Nome.

 

Em 1930, ficou famosa pelo sucesso imediato, em todo o Brasil, de seu romance O Quinze, que narra a miséria e a seca do nordeste. Um ano depois recebeu seu primeiro prêmio literário.

 

Casou-se, em 1932, com o poeta José Augusto da Cruz Oliveira e, neste mesmo ano, participou da fundação do Partido Comunista do Ceará, mas rompeu com o partido quando seu segundo romance, João Miguel, foi condenado pelos comunistas.

 

Em 1937, com a decretação do Estado Novo, a ditadura de Getúlio Vargas, em Salvador, Bahia, foram queimados em raça pública, os livros de Jorge Amado, Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Rachel de Queiroz, todos considerados subversivos. Enquanto isso, Rachel foi presa em Fortaleza e só libertada três meses depois.

 

Em 1939, ela se separou do marido e mudou-se para o Rio de Janeiro.

Um ano depois, conheceu o médico Oyama de Macedo e, como ainda não havia divórcio no Brasil, foi simplesmente viver com ele. A união durou até a morte dele, em 1982.

 

A despeito de sua militância comunista na juventude, Rachel de Queiróz apoiou o golpe de 1964, que instalou a ditadura militar no Brasil.

 

Rachel de Queiroz escreveu grandes romances de sucesso, foi colunista de importantes jornais brasileiros e morreu em 4 de novembro de 2003, aos 93 anos de idade, no Rio de Janeiro.

 

 

03 de novembro

1867, morreu Marquesa dos Santos

Ela foi a famosa amante do nosso imperador D.Pedro I.

Em 1827, quando ela tinha 30 anos, a imperatriz Leopoldina, a mulher de D.Pedro, morreu.

Então ela pensou que se casaria com o imperador e seria afinal, a mulher mais poderosa do Brasil.

Mas a corte decidiu que D.Pedro deveria se casar com uma princesa européia, Amélia e ele, assim, acabou afastando a Marquesa, que se mudou para São Paulo, onde viveria o resto de sua vida.

O nome dela era Domitila de Castro e ela nascera em 27 de dezembro de 1797, na cidade de São Paulo, filha de Escolástica Ribas e do Visconde João de Castro Canto e Melo.

Casou-se aos 16 anos com um militar, Felício Pinto Coelho de Mendonça e teve 3 filhos com ele: Francisca, Felinto e João. Mas o casamento não durou muito. Ele tinha ciúmes doentios dela, que era lindíssima e fazia com que os jovens procurassem, na missa, um lugar de onde pudessem vê-la.

Domitila e o marido viviam brigando.

Em 1819, quando ela estava grávida do terceiro filho, Felício, no meio de uma briga, acabou dando duas facadas na perna dela e fugiu. Assim, ela foi à corte pedir a Dom João VI que lhe concedesse o divórcio e a guarda dos filhos.

Foi então que conheceu D.Pedro, que, apaixonado, a instalou no Rio de Janeiro e fêz dela sua amante oficial.

Nesta condição, ela se tornou uma mulher tão influente que, em 1824, transformou-se em dama de companhia da imperatriz Leopoldina, que sabia muito bem do caso dela com seu marido e preferia mantê-la por perto.

D. Pedro fez dela Viscondessa e, logo depois, para irritar José Bonifácio de Andrada e Silva, que pertencia a uma família santista, deu a ela o título de Marquesa de Santos.

A Marquesa tinha uma postura política liberal e influenciou bastante o imperador, que era famoso por suas decisões impulsivas. Eles tiveram cinco filhos juntos: um deles nasceu morto, em 1823 e Isabel, Pedro, Maria e Maria Isabel. Todos receberam títulos de nobreza.

Quando o casamento de D.Pedro com sua segunda esposa, Amélia, aconteceu, a relação deles acabou. O imperador gratificou generosamente a Marquesa que voltou rica para São Paulo.

Em 1833, ela se uniu a Rafael Tobias de Aguiar, um dos homens mais ricos da província, mas eles só se casaram em 1842.

A casa da Marquesa de Santos tornou-se um ponto de encontro de intelectuais e de maçons. E ela teve grande influência política, além de viver organizando saraus literários, bailes e festas de carnaval.

Na sua velhice, a marquesa ajudou aos pobres de São Paulo e também os estudantes de Direito da Faculdade do Largo de São Francisco.

Em 1917, a Marquesa foi vivida no cinema por Luiza Lambertini, no filme O Grito do Ipiranga; em 1972 por Glória Menezes no filme Independência ou Morte; em 1984 por Maitê Proença na minisérir de TV Marquesa de Santos; em 1987 por Marlene na novela Helena; em 2001 por Rejane Santos na minissérie Entre o Amor e a Espada e em 2002 por Luana Piovani na minissérie O Quinto dos Infernos.

A Marquesa morreu em 3 de novembro de 1867, aos 70 anos de idade, vítima de enterocolite e foi sepultada no Cemitério da Consolação, cujas terras foram doadas por ela ao estado de São Paulo.

02 de novembro

1946, nasceu Marieta Severo

Ela foi a esposa e companheira do grande artista Chico Buarque de Hollanda por muitos anos, inclusive nos tempos difíceis da ditadura militar, da censura, da perseguiçao política.

Marieta Severo, no entanto, é muito mais que a mulher do compositor famoso. Ela é uma das grandes atrizes do nosso país e sua carreira começou no teatro com as Feiticeiras de Salem, em 1965, quando ela tinha apenas 19 anos.

Marieta e Chico tiveram três filhas: Luísa, Helena e Silvia, que também é atriz.

Marieta da Paixão Severo da Costa nasceu no Rio de Janeiro em 2 de novembro de 1946.

Em 1965, quando iniciou sua carreira, estava ao mesmo tempo no teatro, na TV e no cinema. Na TV fazia a novela O Sheik de Agadir e no Cinema o filme Society em Baby Doll.

Três anos depois fazia parte do elenco da peça de Chico Buarque, Roda Viva, que, por criticar o regime militar fez com que todos os seus participantes passassem a ser vistos como suspeitos (de que mesmo?) pela Ditadura.

Em 1972, com a morte prematura e acidental de Leila Diniz, foi Marieta Severo quem cuidou de Janaína, a filha de Leila, até que Ruy Guerra – o pai – se recuperasse da tragédia.

No começo dos anos 1970 foi com Chico para Roma e lá eles foram aconselhados a não voltar ao Brasil e a família passou alguns anos auto-exilada na Itália. São desta época as músicas de Chico assinadas com o pseudônimo de Julinho da Adelaide para enganar a censura. Bastava uma música ser assinada por Chico para ser censurada.

Embora seja mais conhecida do grande público como atriz de TV, Marieta atuou em importantes filmes nacionais, como Chuvas de Verão, 1978, de Cacá Diegues.

Em 1986 ganhou o Kikito de melhor atriz no festival de Gramado por sua atuação nos filmes O Homem da Capa Preta, de Sérgio Rezende; Com Licença, Eu Vou à Luta, de Lui Farias e Sonho Sem Fim, de Lauro Escorel Filho.

Ainda no cinema, Marieta viveu Lucinha Araújo, a mãe de Cazuza, no filme Cazuza, o Tempo Não Pára e protagonizou Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, de Carla Camurati.

No teatro, em 4 décadas de carreira, recebeu duas vezes os prêmios Mambembe e Moliére e uma vez o prêmio Shell.

Apesar de ter começado também na TV, foi apenas nos anos 1980 que sua carreira televisiva deslanchou e ela atuou em várias novelas.

Desde de 2001, Marieta vive a Dona Nenê, personagem do seriado A Grande Família, da Rede Globo.

01 novembro

1963, morreu Elsa Maxwell

 

Ela foi a rainha da fofoca no mundo das celebridades do cinema e do jet set internacional. Era a mais badalada anfitriã, além de compositora e escritora.

Era lésbica, obesa e irresistível.

As festas e eventos organizados por ela tinham os convites disputados a tapa. Dizem que foi ela quem apresentou Maria Callas a Aristóteles Onassis. Mas não sem antes passar uma cantada na grande diva da ópera.

Elsa Maxwell nasceu no dia 24 de maio de 1883, em Keotuk, no Iowa e mudou-se para a Califórnia ainda criança.

Deixou a escola com 14 anos de idade para trabalhar como pianista de teatro.

Em 1905 começou sua carreira acompanhando uma tournée de companhia de teatro, como divulgadora.

Viajando pelos Estados Unidos e pela Europa, Elsa foi conhecendo gente importante e, no final da I Guerra, estava organizando festas para a realeza e a alta sociedade Européia.

Estabeleceu definitivamente a sua vocação quando foi a a anfitriã de um jantar no Ritz Hotel de Paris para o ministro das relações exteriores da Inglaterra, em 1919.

A organização do evento fora tão original que Elsa logo ganhou fama de ser uma “hostess” animada, criativa e muito bem humorada.

Logo foi chamada para organizar uma corrida de barcos em Veneza e assessorar o Príncipe de Mônaco no estabelecimento dos mais elegantes hotéis e cassinos.

Na década de 1930 ela era a rainha dos mais sofisticados salões.

Elsa voltou para Nova Iorque no começo dos anos de 1930 e em 1938 mudou-se para Hollywood. Foi colunista, escritora e apresentadora de programas de rádio, além de continuar a produzir as mais glamourosas festas de celebridades.

 

Compôs mais de 80 canções.

Elsa Maxwell morreu em Nova Iorque, em 1 de novembro de 1963, aos 80 anos de idade.

 

31 de outubro

1984, Indira Ghandi é assassinada

Indira Gandhi foi primeira-ministra da Índia entre 1966-1977 e 1980-1984, data em que foi assassinada por elementos da minoria indiana sikh.
 

Nascida em 1917, em Allahabad, Indira Gandhi estudou em Oxford, na Inglaterra, aderindo, em 1938, ao Partido do Congresso Nacional. Tornou-se ativista do movimento pela independência indiana.
Chegou a ser presa por subversão, passando 13 meses na cadeia.
 

Filha de Nehru, o primeiro primeiro-ministro indiano após a independência, em 1947, Indira Ghandi acompanhou o pai em todas as visitas oficiais e foi sua conselheira para os assuntos nacionais.
 

Em 1955, foi eleita para o conselho executivo do Partido do Congresso Nacional e passados quatro anos, foi presidente do partido durante um ano.
 

A seguir à morte do pai, tornou-se ministra da Informação, tendo liberalizado as políticas de censura. Quando o primeiro-ministro morreu subitamente, Indira substituiu-o. No ano seguinte, foi eleita para um mandato de cinco anos.
 

Em 1975, foi condenada por uma infração das leis eleitorais, durante a campanha de 1971. Manteve sempre a sua inocência e afirmou que a condenação fazia parte de uma tentativa para a afastar do seu cargo. Recusou demitir-se e declarou o estado de emergência.
 

Embora o Tribunal Supremo da Índia tenha invalidado a sua condenação, Indira manteve o estado de emergência e colocou sob a sua alçada muitos aspectos da vida indiana. Numerosos dissidentes foram presos.
 

Para tentar mostrar que tinha o apoio do povo, Indira realizou eleições em 1977, em que perdeu o seu lugar no Parlamento e em que o seu partido saiu derrotado.

No entanto, em 1980, regressou à política indiana para uma vitória estrondosa.
A 31 de Outubro de 1984, foi assassinada pelos seus guardas sikhs
.

 

30 de outubro

1953, morreu Alice Eastwood

 

la já era interessada botânica quando tinha apenas 14 anos de idade.

 

Dos 20 aos 30, era professora em Denver, Colorado.

 

Aos 31, assumiu o posto de botânica na Academia de Ciências da Califórnia e chefiou o departamento de Botânica da Academia aos 41, posição que ocupou até aposentar-se, em 1949, quando já tinha 90 anos.

Alice Eastwood nasceu em 19 de janeiro de 1859 em Toronto, no Canadá.

Estudou em escolas públicas e num convento.

Em 1873 mudou-se com a família para os Estados Unidos e se graduou em 1879 no Colorado.

Foi professora durante 10 anos, sempre estudando botânica como auto-didata.

Em 1890 foi passar férias no sul da Califórnia e estudou as plantas da região.

No ano seguinte trabalhou na Academia de Ciências da Califórnia, vindo a assumir a direção do departamento de botânica até a sua aposentadoria, em 1949.

Alice foi responsável por salvar o acervo de plantas da Academia depois do terremoto que quase destruiu a cidade de São Francisco em 1906, entrando no prédio já danificado e salvando os exemplares mais importantes. O resto foi consumido pelo incêndio que se abateu sobre a cidad