Mais de um milhão e duzentas mil pessoas circulam diariamente pela Avenida Paulista.
Nesta página, histórias reais da avenida que acontecem hoje e que aconteceram no passado, desde a inauguração da Avenida, em 8 de dezembro de 1891.
(textos e vídeos:27. Diário de São Paulo 21 fevereiro 2010/ 26. Antes e Depois do Reveillon/ 25. Natal na Paulista /24. Não Sabemos/ 23. O Prédio Mais Filmado do Brasil/ 22. Arco Iris Para Incrédulos/ 21. O Herói que Virou Bandido/ 20. Buseata 17. 18. 19. Três Passeatas em Uma Semana/ 16.Primeiro Jornal / 15.Arco Iris/14. Bolas Rosas Roubadas/ 13. Os Andes no Caaguaçu? 12. A Tribo da Vanguarda/ 11. Invasão das Bicicletas / 10.Morador de Rua 09. Dois Não Sei O Que e Duro Ser Resgate/ 08. A Cultura da Estupidez/ 07. Chuva/ 06. Risos e Lamentos/05. O Primeiro do Dia/ 04. Abusando no Trânsito/ 03. Muitos Carros Antigos /02. A Rainha das Passeatas/ 01. A Bicicleta e A Máquina de Moer Carne/ 00.textos antigos)
27. Diário de SP, 21.02.10

26. Antes e Depois do Reveillon
Veja a Paulista antes e depois da festa clicando na foto à direita. - video de 3 minutos
E clicando, abaixo, na matéria da Folha de São Paulo (27.12.2009) você assiste o vídeo da nossa Janela da Paulista no Jornal do SBT do dia 01.01.10. - video de 40 segundos.
25. Natal na Av.Paulista
(clique na foto pra ver o vídeo de 5 min.
O Natal na Paulista atrai multidões. As crianças se encantam com o brilho, as luzes, a suntuosidade da decoração. Só falta uma coisa. Descubra o que falta,vendo o vídeo.
Acontece tanta coisa aqui na Paulista que, vendo da janela, muitas delas a gente nem desconfia o que seja e, não raro, acaba por não saber mesmo do que se tratava.
Clique na foto para ver um vídeo com uma sequência de "não sabemos". Ah... a foto eu tirei no feriado, com a avenida vazia, o sol refletido nos prédios em frente e, de refletido, projetado no asfalto, é bem bonito e emoldura, no primeiro plano, o morador de rua, procurando na lata do lixo o seu café da manhã.
23. O Prédio Mais Filmado do Brasil
Se
você não reparou, pode começar a prestar atenção. A maior parte das reportagens
com entrevistas de rua em São Paulo são feitas na calçada em frente ao edifício
Paulicéia.
Até a minha equipe da Band e eu quase sempre filmamos aqui. Foi o meu irmão
Alvan (aquele, que me ensinou tudo sobre TV) que chamou a minha atenção para
isso.
Clique na foto do prédio pra ver um vídeo que mostra as equipes de TV vistas da Janela.
22. Arco Iris Para Incrédulos
Sexta feira passada recebemos um casal de amigos para jantar. Aí eu contei que o prisma perfeito que ganhei de presente da Silvana e do Mário Grieco jorrava arco iris pela casa inteira. Bastava bater o sol. Mas eles acharam que eu estava brincando. Então, fiz um vídeo pra provar.
Assista clicando na foto.
21. O Herói que Virou Bandido
Que
coisa feia, prefeito! Tapar, de novo, o sol com a peneira.
Os ônibus fretados existem justamente para suprir a grande e crônica deficiência da cidade de São Paulo: transporte público.
Impedir os fretados de circular livremente, obrigar pessoas (que vinham quase de porta a porta, de casa para o trabalho, de cidades próximas ou bairros distantes) a descer longe do destino e servir-se de transportes públicos que já não dão conta de sua demanda natural... Que coisa feia!
É como o a piada do sujeito que encontrou a mulher fazendo sexo com o amante no sofá da sala e mandou vender o sofá!
O trânsito de São Paulo é um caos, está à beira de um colapso. Mas a culpa não é dos fretados. A culpa é de todos os prefeitos, o atual e os que o antecederam, que há décadas sabiam muito bem que chegaríamos a isso e não providenciaram transportes alternativos para o cidadão que depende do automóvel.
O fretado veio apenas preencher uma séria lacuna, uma grande omissão da administração pública.
Onde está o metrô para a Zona Sul?
Poderia ser até de superfície, no canteiro central das avenidas Rubem Berta e 23 de Maio, com desembarque direto para passarelas. Não seria nada tão complicado, não é?
Onde estão os ônibus executivos? Eles poderiam muito bem substituir milhares e milhares de carros que levam pessoas apenas de casa para o trabalho e do trabalho para casa.
Os ônibus fretados são uma excelente solução e tiram – segundo as empresas que os oferecem – em média vinte carros, cada um, das ruas e avenidas paulistanas.
Da minha janela, vi, numa noite da semana passada, uma manifestação dos fretados. Era noite e eu não consegui ver bem e entender do que se tratava. Mas tinha tanto carro e moto de polícia (mais cacique que índio, na verdade) que eu pensei que era uma manifestação da própria polícia.
Os fretados são uns heróis do transporte, um tapa-buraco privado para a incompetência do setor público no que diz respeito ao transporte coletivo da cidade de São Paulo. São heróis. Não bandidos, como a prefeitura está fazendo parecer.
Há um grande equívoco na política adotada na cidade: a prioridade é sempre do automóvel. Deveria ser do pedestre, do táxi, do ônibus e da bicicleta. Porque carros são coisa do passado. São cafonas, individualistas, egoístas, poluidores, assassinos, verdadeiras máquinas de moer carne humana.
Prefeito Kassab, você é um amor. Votei em você e na sua vice, minha querida Alda. Mas, desta vez, pisou feio na bola. Desta vez, como diria o rei Roberto, você parou na contramão. (clicando na foto acima, vc vê o vídeo da passeata)
De: "elenice ricardo" <eleniceolvricardo@hotmail.com>
PARA: <isabel@isabelvasconcellos.com.br>
Assunto:
Data: segunda-feira, 3 de agosto de 2009 12:37
Parabens Isabel
O Kassabb precisa ler isso - "O HEROI QUE VIROU BANDIDO"
Por onde andarão os homens de bem, ou, melhor dizendo, os homens inteligentes"
que assessoram o Prefeito? Que idéia maluca foi essa? aliás nem precisa ser
muito inteligente pra ver a estupidez desta atitude.
Onde está o respeito pelo cidadão, pelos eleitores que escolheram este homem?
Eu estou transtornada , indignada e inconformada.
abraços, e por favor, seja mais incisiva ao falar desta questão, em nome deste
povo já tão sofrido com os desmazelos dos nossos politicos.
Elenice
20. Buseata
Muito
engraçada a foto da capa do Jornal Metro (que eu elogio logo aí abaixo)
mostrando o "congestionamento" causado pela manifestação dos ônibus
fretados. A foto foi feita com teleobjetiva e, portanto, "aproximou" tanto um
objeto de outro que a avenida nem parece a Paulista. Clicando na foto, você
assiste ao vídeo da Janela que mostra a avenida com
trânsito completamente normal durante a manifestação.
Restringir a circulação dos fretados, caro prefeito, é andar na contramão da necessidade. Tudo o que São Paulo não precisa é de transporte individual e ultrapassado!! Viva os coletivos!!! Eles e os pedestres e os ciclistas deveriam ter absoluta prioridade no trânsito em detrimento dos automóveis (egoístas e estúpidos). Andar de carro é tão ultrapassado quanto fumar. Você ainda não sacou, Sr. Prefeito?
17.18.19 TRÊS PASSEATAS EM UMA SEMANA

Digo
três, mas se você contar com a pré-parada gay, uma passeatinha mixuruca de apoio
do PT aos GLBT (ou LGBT), poderiam ser quatro. E se considerar os corintianos e
suas carreatas do dia do jogo, cinco.
Do
dia 13 ao dia 19 de junho, a Paulista foi palco:
- da 13. Parada do Orgulho Gay;
- de uma enorme passeata dos estudantes, professores e funcionários da USP pedindo a retirada de duas coisas do campus universitário: da polícia e da reitora! KKKKK:
- e de uma grande manisfestação da CUT.
Agora, o que me deixa muito p da vida é ficar ouvindo o Datena e o Gilberto Kassab (prefeito de São Paulo) fazendo pressõezinhas no sentido de proibir passeatas e manifestações na Paulista. Parecem dois nazistóides.
Será que eles não ouviram o Caetano cantando "É Proibido Proibir"? Ora, que petulância querer impedir que o povo exerça seu direito de se manifestar aonde bem entender! Afinal, há décadas o povo paulistano escolheu a Avenida como principal palco de manifestações e comemorações. E esses babacas ficam repetindo besteiras como " a Paulista é um corredor importante, de acesso aos principais hospitais...". Ora, cidadãos! Venham passar o dia aqui na minha janela e vocês perceberão que a Paulista NUNCA anda. Está SEMPRE congestionada, com ou sem passeata e eu mesma já filmei e publiquei aqui nesta página (logo aí abaixo) a luta de uma ambulância de resgate para romper o trânsito. O negócio é o seguinte meus caros: façam uma faixa completamente exclusiva para ambulâncias e veículos de emergência e façam os motoristas e manifestantes respeitarem o espaço, deixando-o sempre livre (Chii...isso é nome de absorvente...kkkkk...) para ambulâncias, viaturas da polícia e do corpo de bombeiros. E estará resolvido o problema. O que eu desconfio é que tanto o Datena quanto o Kassab querem mas é acabar com a alegria do povo e estão pouco se lixando pro trânsito de emergências. E você, amigo leitor, o que acha?
Clique nas fotos para ver os vídeos das passeatas. Beijos.
16. Primeiro Jornal
Reflita comigo: por que é que, se o custo do jornal é pago pelos anunciantes, o leitor também tem que pagar por ele? Veja o vídeo dos jornais que são o n.1 na manhã paulistana.(clique na foto)
15. Arco Iris
No
primeiro dia em que eu dormi neste prédio, em 1985, levei um baita susto ao
acordar. Será que o mundo tinha mudado de lugar?
É que o sol, que deveria estar do lado de lá, entrava pelas minhas janelas, do lado de cá, refletido pelos vidros dos prédios em frente.
Clique na foto para ver o arco íris dos reflexos.
14. Bolas Rosas Roubadas
As bolas rosadas estavam lá para comemorar o Dia do combate ao Câncer de Mama, ou - desculpem-me se o título estiver errado, mas a verdade é que a mídia quase ignorou a iniciativa e eu acho que ninguém, ou quase ninguém ficou sabendo exatamente o dia de
que...
Bem, mas o fato é que a linda iniciativa de bolas rosadas por toda a Avenida Paulista acabou em quase nada, o que é lamentável.
Clique na foto e veja o vídeo das pessoas roubando as bolas.
Veja a música andina no morro do Caaguaçu (onde está a Avenida Paulista)
Muito bacana.
Clique na foto pra ver o vídeo.
12. A Tribo da Vanguarda
Você
sabe, é sempre assim.
Alguns seres humanos estão mais adiantados, no tempo, do que a maioria.
Eles são, em todas as gerações, o que se convencionou chamar de A Vanguarda.
Foi assim com os magos, com as bruxas e com os cientistas que foram queimados por seis séculos nas fogueiras da Inquisição da Igreja Católica.
Foi assim com as sufragistas, mulheres que sofreram, apanharam, foram presas, para que as mulheres de hoje tivessem o direito de votar, de estudar, de trabalhar, de ser dona de seu nariz.
Foi assim com os primeiros operários sindicalistas que ousaram lutar pelos mais básicos direitos (que, no início da era industrial eles não tinham) e, um século depois, com muitos direitos trabalhistas consolidados (e um operário na Presidência do Brasil),ainda precisam fazer piquete na porta da fábrica para que alguns de seus colegas apoiem a sua greve.
Foi assim: todas essas pessoas, que estavam enxergando além da sua época, que anteviam e previam um futuro mais justo, melhor, mais evoluído, para toda a humanidade, foram desprezadas, xingadas, maltratadas, ridicularizadas pela maioria.
A maioria é apenas covarde. Tem medo da mudança, da ousadia, do futuro, do progresso.
Mas foram esses outrora malditos - e abençoados - seres humanos que conquistaram tudo o que há de bom, de belo, de nobre, de sábio, no nosso mundo de hoje.
Por isso, acorde.
Se você tem a coragem da vanguarda, está na hora de comprar uma bicicleta.
11. Clique na foto ao lado para ver o vídeo da Invasão das Bicicletas.
E guarde bem essa certeza: os ciclistas são minoria, mas estão à frente de todos nós, reles motoristas. Eles são o futuro, a atitude de Primeiro Mundo. Parabéns para eles!!
10. Clique aqui para ver o surpreendente morador de rua.
09. Nem tudo o que rola na Paulista, da janela se consegue
saber o que é. Clicando na foto à direita você assiste um vídeo sobre dois "não
sei o que" e mais um flagra do carro de resgate tentando fazer os maravilhosos
motoristas colaborarem...
08. A Cultura da Estupidez
fevereiro de 2009
Você
pode apostar que o Fantasma do Cásper Líbero (que deve ser amigão do Fantasma da
Paulista) estremece horrorizado diante desse bando de garotos abaixados e
enfileirados se movendo tal qual algum povo primitivo num ritual idem. Antes
fosse isso, pois seria apenas uma manifestação cultural.
(clique na foto para ver o vídeo)
Pensando bem, não deixa também de ser uma manifestação cultural, a da cultura da estupidez.
O trote, que recepciona os calouros de uma Universidade, foi inventado na Idade Média, como uma festa para receber novos colegas.
Hoje – e nas últimas décadas – tem sido apenas uma maneira de veteranos estúpidos poderem dar vazão aos seus mais baixos e reprováveis instintos, disfarçando essa estúpida transgressão em ato legítimo.
Diante dos absurdos que todo o ano se repetem (como as enchentes), o professor Mário Sérgio Cortella chamou os veteranos que praticam trotes violentos de “idiotas morais”. O triste é pensar que existem tantos idiotas morais na futura elite intelectual do país...
O trote da faculdade de jornalismo Cásper Líbero, aqui na Paulista, não foi dos mais violentos. Mas foi, como sempre, um espetáculo degradante, de humilhação de calouros por veteranos mal resolvidos.
Gente bem resolvida torce o nariz, em vez de se divertir, com cenas de humilhação. Quem gosta de humilhar está demonstrando a sua estupidez, derivada da infelicidade, da insatisfação ou, como diria o professor, da simples idiotice.
07. Chuva, Risos e Lamentos
A chuva que castiga São Paulo (como sempre acontece há anos e anos nos verões) nos bairros populares destroi casas e mata pessoas. Na Paulista, fica linda. Ironia ou Injustiça? Ou apenas sem vergonhice das autoridades? Clique na foto e veja vídeo da chuva.
06. No mesmo dia (segunda, 9 de fevereiro de 2009), uma garotada bagunçava-- ao som da batucada-- a entrada do prédio da TV Gazeta, logo de manhãzinha e bancários protestavam -- ao som da Marcha Fúnebre -- contra demissões. Clique na foto e veja video sobre as duas coisas.
05. O Primeiro do Dia - 29 janeiro 2009


Nem
bem amanhece e o resgate já está na Avenida para recolher mais um motociclista
acidentado.
Morrem 1,5 condutores de moto por dia em São Paulo. Você não se assusta com este número? Mas se assusta com os mortos nas enchentes ou nos desastres aéreos? Eles são café pequeno perto da carnificina do trânsito paulistano.
Ernest
Hemingway dizia que a morte da cada ser humano diminui a todos.
No Rio, são as tais balas perdidas. Em São Paulo, o trânsito caótico. Depois têm a violência cotidiana: execuções por traficantes, assassinatos passionais ou por simples desavenças. A morte virou uma banalidade.
Até parece que estamos em guerra. Ou será que estamos?
04. Abusando no Trânsito 26 janeiro 2009

Na
foto, um ciclista briga com o motorista da Van. Ele gritava tanto que, apesar do
barulho da avenida, dava para ouvi-lo e a janela estava fechada.
Clique na foto maior e veja o vídeo de trinta segundos. No vídeo, repare que a Van vira à direita, talvez para fugir do ciclista que, junto com outro ciclista, sai “costurando” no trânsito. Quem será que tinha razão? O ciclista ou a Van?

Nesta outra foto, o flagra do casal atravessando a avenida fora da faixa. E detalhe: a faixa esta a apenas alguns metros de onde eles atravessam.
Como eu já disse nessa página, os mortos do trânsito, diariamente, em São Paulo, passam das duas centenas. Dá pra desconfiar?
(clique na foto para ver o vídeo dos carros)
Dentre as muitas comemorações que aconteceram em São Paulo no seu 455º aniversário, festejado no domingo, 25 de janeiro de 2009, estava um desfile de carros antigos pela Avenida Paulista.
Curiosamente, acredito que nenhuma TV tenha se interessado pelo evento, já que não vi nada nos noticiários.
Neste aniversário da cidade, o jornal A Folha de São Paulo destacou o fato de ser também o centésimo aniversário do asfalto na Paulista. Cristiano Mascaro, o fotógrafo, disse ao jornal que nunca vira ninguém comemorar aniversário de asfalto. Nem eu.
Mas o fato é que 100 anos de asfalto combinam bem com desfile de carros antigos.
Quando
foi construída, por Joaquim Eugênio de Lima, a avenida era calçada com pedras
brancas, tinha duas fileiras de plátanos e magnólias e pistas de rodagem
separadas para os cavaleiros, para as carruagens e, um pouco mais tarde, para os
bondes.
O asfalto veio, portanto, substituir as românticas pedras brancas do "meu" Fantasma da Paulista 17 anos depois da inauguração da avenida. Mas, naquela época, todo mundo festejou. Asfalto era sinônimo de progresso e o progresso era a grande meta daquele início de século XX.
Deu no que deu: asfalto, montanhas de automóveis e ônibus poluindo o ar, todos andando mais devagar do que os pedestres e nem assim a Paulista perdeu seu charme.
Impressionante,
no desfile do aniversário da cidade, foi a quantidade de carros antigos. Muitos.
Centenas deles. Nas duas pistas da avenida. O que mostra que o paulistano gosta
mesmo dessas máquinas.
Enquanto isso, na zona sul da cidade, milhares de ciclistas pedalavam na Marginal do Pinheiros em direção à Cidade Universitária, promovendo a alternativa de um transporte mais saudável.
Se o nosso prefeito for bom mesmo, ele vai dar um jeito de construir muitas ciclovias. São Paulo está antenada com o que já acontece no primeiro mundo.
E, um dia, que eu espero não muito distante, todos os carros serão antigos.
02. A Rainha das Passeatas (clique na foto para ver as passeatas)
No curto espaço de 7 dias, duas
passeatas rolaram pela Paulista.
Dia 14, os palestinos pediam o fim do ataque de Israel à faixa de Gaza.
Dia 21, os metalúrgicos da Força Sindical exigiam o fim dos juros altos e diziam não ao desemprego. (Os metalúrgicos, aliás, neste dia estavam mobilizados em todas as principais capitais do país e marcharam até os prédios do Banco Central nestas cidades.)
Há uns dois anos que o nosso prefeito fala em impedir manifestações na Paulista e até já tirou daqui a comemoração do aniversário da cidade.
Mas acho que ele desistiu. Teria ele dois motivos para isso: 1. As passeatas atrapalham o trânsito mas o trânsito não é menos atrapalhado quando nem tem passeata; 2. Todo mundo quer vir à Avenida para defender suas causas ou comemorar suas vitórias, não tem muito jeito.
A Avenida Paulista tem 117 anos de existência, completados no último dia 8 de dezembro de 2008.
Ainda no tempo das mansões, nas
primeiras décadas do século XX, a Avenida era palco de corridas de automóveis
(só os ricos tinham carros naquele tempo) e de memoráveis corsos nos Carnavais.
Corso, pra quem não sabe, era uma
carreata onde, nos veículos, as pessoas fantasiadas cantavam e se divertiam
jogando confetes, serpentinas e lança-perfume umas nas outras.
Mas foi somente em 1977, no dia 13 de outubro, quando o Corinthians conquistou um Campeonato Paulista de Futebol (o que não acontecia havia mais de 20 anos), que a Avenida Paulista foi palco de uma comemoração pública específica.
Daí pra frente, não parou mais.
Todo grupo que quer comemorar ou reivindicar vem para a Paulista.
Aconteceram aqui festas e manifestações inesquecíveis como, em 1992, o Fora Collor ou a festa da eleição da Erundina como prefeita, quando o PT instalou caminhões tanque de cerveja grátis para o povo, e mesmo as duas festas das vitórias do Lula como presidente da República. Isso sem falar na São Silvestre, na festa de Reveillon, na Passeata Gay ou na Comemoração do Centenário da Avenida. Estes eventos não reúnem milhares, mas milhões de pessoas.
A Paulista enfrenta, é verdade, uma certa competição do Vale do Anhangabaú, onde aconteceu a também inesquecível “Diretas Já” no começo dos anos 1980 e onde hoje rolam as grandes festas de aniversário de São Paulo.
Mas a Avenida é, sem dúvida, a rainha das passeatas.
01. A
Bicicleta e
A Máquina de Moer Carne
Muitos poderiam achar que ela era uma sonhadora. Ou talvez uma espécie de ecochata. Não sei como era ela. Nunca tinha ouvido falar nela até que a vi, morta, estendida no asfalto, na faixa de ônibus da Paulista.
Depois fiquei sabendo quem era e vi, na TV, o tributo que seus amigos prestaram a ela, lá na entrada do túnel que leva à Rebouças e à Dr. Arnaldo.
No dia seguinte, porém, caminhando pela Paulista, encontrei, bem no trecho em que ela morreu, uma manifestação em homenagem ela. Uma manifestação por aquilo em que ela acreditava.
George Bush teria dado as costas à ela. Mas Obama certamente a apoiaria.
Márcia Regina Prado era seu nome e tinha menos de quarenta anos de idade.
Um ônibus passou por cima de sua cabeça e ela morreu na hora.
Tudo porque era um ciclista e acreditava que cada carro a menos na cidade é um benefício a mais para todos.
Por
convicção, andava de bicicleta. Fazia parte de um grupo de ciclistas, todos
defensores do meio ambiente. Um deles, inclusive, mora aqui no meu prédio e nos
aluga uma garagem para um de nossos automóveis, já que ele só anda de bike
mesmo.
Há muito tempo tenho dito aqui no site e na TV que passei a detestar automóveis e que o meu passa a maior parte do tempo parado na garagem.
(Sempre que o trajeto permite, vou a pé ou de metrô.)
Além de poluidores, geradores de altíssimo estresse e de dívidas (todo mundo quer ter carro, nem todo mundo têm a grana necessária para mantê-lo), os carros são máquinas de moer carne.
Apesar da recente Lei Seca, com seus razoáveis resultados, nas festas de fim de ano em 2008, morreram e foram feridas mais pessoas do que no ano anterior.
Cada feriado, no Brasil, mata mais gente em acidentes de trânsito do que já matou a guerra da Faixa de Gaza. Muito mais.
Os números de mortes e de traumas por atropelamento em São Paulo são absurdos: em média, duzentos por dia. A cada dia, na cidade, morre 1 motoqueiro e meio (ai...loucuras da estatística!).
Todo mundo se assusta porque cai um avião e mata 150. Ou porque cai o teto da Igreja, mata 10 e fere 100. Mas ninguém se escandaliza com os mortos e aleijados que as nossas máquinas de moer carne produzem todos os dias.
Márcia Regina foi mais uma vítima. Mais um número na frieza da contabilidade dos mortos e mutilados do trânsito paulistano.
O ônibus que passou por cima dela foi acusado de estar descumprindo uma lei que ninguém sabe que existe, mas existe: transitar a não sei que distância de um ciclista.
É engraçado como alguns políticos fazem leis pra tapar o sol com a peneira. Imagine se, nos eternos congestionamentos de São Paulo, há espaço para dar espaço aos ciclistas!
No entanto, se os nossos administradores públicos, políticos e afins, estivessem de fato trabalhando para o povo e não apenas para eles próprios, teríamos ciclovias, linhas de metrô, transportes coletivos de qualidade e não estaríamos vivendo o caos que se vive hoje em São Paulo.
Márcia Regina Prado e outros ciclistas que usam a bicicleta como alternativa para o automóvel não são babacas sonhadores. São gente à frente da imensa maioria. Os babacas somos nós, presos nos congestionamentos, morrendo de tédio e de raiva dentro de uma lata sofisticada, cara, feita para enaltecer egos com a ilusão de status. Gente realmente rica hoje anda mas é de helicóptero.
A turma dos ciclistas está de acordo com o que já ocorre em grandes cidades do Primeiro Mundo. Lá existem bicicletas públicas, que se alugam para percorrer determinado trajeto.
Paulo Saldiva, Professor Titular de Patologia da Faculdade de Medicina da USP e responsável pelo ambulatório do meio ambiente naquela importante instituição, só anda de bicicleta. Um dia, ele foi à Rede Mulher de TV para me dar uma entrevista e o porteiro não queria deixá-lo entrar por não acreditar que ele fosse quem dizia ser. Pudera. O rapaz estava acostumado a ver meus convidados, todos figurões da Medicina, chegarem em grandes carros ou até mesmo, no caso de alguns, acompanhados por dois ou três veículos da segurança...
Bom, eu gostaria de inaugurar essa minha Janela da Paulista como algum assunto agradavel e que mostrasse a importância da Avenida Paulista na vida dessa nossa metrópole. No entanto, a Ironia da Vida quis que eu começasse pela morte estúpida de uma jovem que estava lutando por todos nós, batalhando por um ambiente saudável. Afinal, isso é realmente o mais importante.
No canteiro da Paulista, a bicicleta branca coroada de flores é o menor tributo que se possa prestar à Marcia Regina Prado.
Janeiro de 2009
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Textos anteriores à criação desta página:
25 de Janeiro de 2005
Sob um fortíssimo aparato policial e sob uma garoa fina, São Paulo comemorou, aqui na Av. Paulista, seus 451 anos.
A garoa, que é artigo raro hoje em dia, parece ter vindo saudar a cidade, como que a dizer: "ainda sou a mesma, ainda sou São Paulo".
O grande aparato policial, porém, mostra que a cidade não é a mesma "terra da garoa, São Paulo terra boa". Há um grande perigo na reunião de multidões. Arrastões. Assaltos. Gente desavisada que solta rojões no meio do povo. Gente que vai às ruas apenas para descarregar sua tensão incontida, seu ódio, seu desamor.
Os migrantes que fizeram de São Paulo a maior população nordestina do país, maior mesmo que a do próprio nordeste, na sua maioria, estão condenados a viver na periferia, sem conforto, arrastando-se para o trabalho em intermináveis horas em insuportáveis coletivos no insuportável trânsito. Vieram cheio de sonhos para essa terra prometida, onde, pensavam, havia riqueza, havia a oportunidade de uma vida melhor. Poucos podem ser Lulas.
É muito bom, no entanto, que a mesma cidade que os explora possa proporcionar-lhes uma tarde de festa, de show, de alegria. É o mínimo que merece quem, de fato, sustenta a cidade e a construiu.
Embora São Paulo tenha 451 anos de idade, essa avenida que é hoje seu símbolo, tem apenas 114.
A Paulista foi fundada em 1891, como resultado do sonho de um grande empreendedor da época, uruguaio de nascimento, Joaquim Eugênio de Lima. Ele imaginou construir, no alto do morro do Caaguaçu, um grande boulevard, destinado a abrigar as mais belas casas da elite paulistana, que ligasse o Paraíso à Consolação (deveria ser ao contrário: da consolação deveria se chegar ao Paraíso). Para isso, aterrou parte do vale que estava no meio do caminho, obrigando, meio século depois, Prestes Maia a escavar um túnel para poder construir a Av. Nove de Julho. Chamou um paisagista para preservar a mata original no que hoje é o parque do Trianon.
Eugênio de Lima conseguiu realizar seu sonho. Os ricos paulistanos, no final do século XIX e começo do século XX, vieram realmente para a Paulista e aqui construíram suas famosas mansões "ecléticas" (um eufemismo arquitetônico para designar a salada de estilos que caracterizava o gosto duvidoso da elite paulistana).
Depois, a partir dos anos cinquenta, as mansões foram sendo derrubadas para dar lugar aos prédios de apartamentos e de escritório. Aliás, quase todos os prédios residenciais da Paulista acabaram virando prédios comerciais. Há apenas três ou quatro que, até hoje, são residenciais e eu tenho o privilégio de morar num deles, o Paulicéia, o maior chiquê nos anos 50 e 60, onde morou, entre outras celebridades, o próprio Rei, Roberto Carlos.
Mas a Paulista continuou a ser, como queria Joaquim Eugênio de Lima, o abrigo das elites. Aqui está hoje 80% do pib nacional: todos os bancos.
Há, do lado do prédio onde moro, o famoso prédio da Fundação Casper Líbero, que abriga a TV Gazeta e onde, no alto, está a famosa antena da Rede Globo. Há a Casa das Rosas, construída por Ramos de Azevedo e que virou espaço cultural. Há o conjunto Nacional, que já abrigou o chiquetéssimo Fasano dos anos 50 e 60 e o famoso relógio do Itaú (que podia ser visto de qualquer ponto da cidade). Aqui estão centenas de antenas de TV, inclusive a da Rede Mulher, onde trabalho. Há antenas e heliportos no alto da maioria dos prédios. Há o MASP, fundado pelo inesquecível Chateaubriand e por Pietro Maria Bardi, com arquitetura de sua mulher, Lina Bo Bardi e que é palco de grandes eventos culturais e abriga o mais rico acervo de arte do país, além de manter a tradicional feira de antiguidades, em seu vão, aos domingos.
E criou-se a mania paulistana de comemorar e protestar sempre aqui. Da vitória de políticos (inclusive do Lula) e times de futebol a passeatas de professores e gays, tudo acontece na Paulista.
Imagine, hoje, na festa de aniversário da cidade, o garoto dizendo: "meu avô ajudou a construir esse prédio aqui" e o velhinho contando pro neto que colocou, com as suas próprias mãos, aquela janela ali.
Pena que esse seja, ainda, um Brasil de operários em construção e não, como queria o poeta Vinícius de Moraes, um Brasil de operários construídos.
Tenho o privilégio (e a alegria) de morar na Av. Paulista há exatos 20 anos. Da minha janela, vejo a vida acontecendo lá embaixo. Sinto a força da multidão. Sinto a vibração das comemorações e dos protestos. Tenho uma janela para o mundo.
Entra ano, sai ano, porém, e o mundo pouco muda.
São nove e meia da noite e a eficiência da prefeitura já desmontou todas as grades que estavam nos canteiros centrais, todos os aparatos que foram montados para a festa. O trânsito voltou e o carros passam chiando na pista molhada. "Tudo tomou seu lugar, depois que a Banda passou", diria Chico Buarque. As sirenes voltam a cortar a avenida. Nem sinal do povo, da multidão que havia aqui nessa tarde. Nenhuma caixa de som tocando música. A festa acabou. Amanhã, o povo estará de volta, apressado e trabalhador, tantos sonhos circulando pela Paulista... Da recepcionista que sai para almoçar ao executivo que pousa de helicóptero sobre o prédio do City Bank, a Paulista nivela a todos. São apenas gente, gente que um dia vai morrer, gente que sonha, que tem esperança, que ama, que odeia...São todos iguais, no leito da Avenida símbolo dessa metrópole. De vez em quando tem uma festa e a banda passa, cantando coisas de amor.
26 abril 2005
Deus e o Diabo na Terra da Paulista
Enquanto
escrevo, entra pela janela do meu apartamento o som da multidão impressionante
que ocupa, neste momento, a Av. Paulista.
Moradora da avenida há vinte anos, já vi de tudo acontecendo aqui, pela janela de casa. Vi times de futebol comemorando vitórias, vi o Fora Collor, vi a vitória de Lula na presidência da república e de Erundina, na prefeitura de São Paulo. Vi shows da CUT. Vi a festa de comemoração dos 100 anos da Avenida. Vi montes de corridas São Silvestre. Vi passeatas e manifestações pelas mais diversas causas e reivindicações, passeatas e manifestações de todos os tamanhos, desde meia dúzia de gatos pingados a verdadeiras multidões.
Poucas, porém, se comparam a de hoje. A Paulista está totalmente tomada, até os canteiros de flores foram invadidos (e amanhã estarão amassados e quase mortos), as pessoas lotam completamente todos os espaços desde o palco montado em frente ao prédio da Fundação Cásper Líbero até aonde a vista pode alcançar. No palco, apresentam-se artistas e pregadores evangélicos. A multidão se reúne em nome de Jesus e grita “aleluia”, “só Ele é o Rei”, bate palmas, dança e se emociona. A imprensa certamente não dará nenhum espaço para este acontecimento. Afinal, multidões reunidas não são exatamente nada de excepcional numa cidade desse tamanho.
A avenida, que hoje é palco da manifestação religiosa, daqui a três dias abrigará mais uma passeata do Orgulho Gay. Não deixa de ser irônico. E também democrático. Afinal, os evangélicos não aceitam homossexuais. Será que os homossexuais aceitam os evangélicos?
A multidão de hoje passa aquela energia emocionante que sempre permeia as aglomerações humanas. Reunidas em nome de Jesus, muitas dessas pessoas julgam trazer Deus no coração e muitas delas pensam que os homossexuais (que ocuparão este mesmo espaço no próximo domingo) estariam possuídos pelo Diabo. No entanto, as passeatas do orgulho Gay que já se realizaram aqui só transmitiam alegria e alto astral. Elas constituem realmente um espetáculo visual belíssimo e todas transcorreram sem incidentes de violência.
A mim parece realmente um grande privilégio morar de frente para o local escolhido pelo povo de São Paulo para algumas de suas maiores manifestações, reivindicações, comemorações. Em todas elas, existe a mobilização do poder publico no sentido de oferecer segurança e condições de prestação de socorros. A Paulista mostra, assim, nas últimas décadas, a sua vocação democrática.
Porém, quando da festa do aniversário de São Paulo, em 25 de janeiro passado, o aparato policial era muito maior e muito mais visível. Assim foi também na comemoração, promovida pela CUT, em 1º de maio. A ostensiva presença dos policiais sugeria os grandes perigos da aglomeração: arrastões, batedores de carteira, trombadinhas, gente triste a fim de descarregar seu ódio no próximo, rojões perdidos e até balas perdidas... Mas hoje, neste imenso encontro de religiosos, mal se vê um policial. É assim também na passeata gay. Quais serão os critérios da nossa secretaría de segurança para mobilizar contingentes de policiais para os eventos que ocorrem na avenida? Não faço idéia. Constituirão, tanto os evangélicos quanto os gays, menor chance de perigo de agressões de qualquer espécie, do que, por exemplo, os trabalhadores?
Esta mesma avenida, por onde circulam diariamente cerca de um milhão de pessoas, foi concebida e criada pelo engenheiro e empreendedor Joaquim Eugênio de Lima, que hoje dá nome a uma de suas travessas. Inaugurada a 8 de dezembro de 1891, fora concebida para abrigar as residências da elite paulistana. E foi exatamente isso que aconteceu. Mansões ecléticas foram sendo construídas, nas primeiras duas décadas do século XX e, a partir da segunda metade deste século, foram sendo lentamente destruídas para dar espaço aos grandes edifícios. Primeiro, residenciais e logo depois, comerciais. Mas a avenida sempre foi o berço do dinheiro. Primeiro, como residência de milionários. Depois, em prédios de escritórios de grandes bancos e empresas. Nela circulam pessoas de todas as classes, de todas as raças, de todas as cores, de todos os credos e, aos domingos, ela se torna uma grande feira livre, um grande mercado, invadida pelas centenas de barracas de camelôs e artesãos. Em apenas dois quilômetros de extensão, existe de tudo: lojas, restaurantes, museus, cinemas, bancos, bares, teatros, hospitais, farmácias, tudo.
Às vezes ela se torna este palco para multidões em festa ou em manifestação. É de fato uma amostra do mundo. E, democraticamente, abriga todo o tipo de gente. Gente que pode trazer, em seu coração, tanto o Deus quanto o Diabo. Mas que, ao se reunir em grandes multidões, transmite essa energia, essa força, esse astral contagiante que, inexplicavelmente, emociona e põe lágrimas nos olhos.
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